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DENúNCIA

Após reclamar falta de remédio, idoso diz ter sido agredido por prefeito

Caseiro que sofreu AVC e não encontrou medicação na Farmácia Popular, acusa Ronaldo Miziara de tê-lo agarrado pelo braço, empurrado e ameaçado

6 FEV 2019 - 08h:00Por Leonardo Guimarães

Um idoso de 61 anos, caseiro de uma fazenda às margens da BR-158, procurou a redação do JPNEWS para afirmar ter sido agredido pelo prefeito de Paranaíba, Ronaldo “Miziara” (PSDB), após fazer uma reclamação de falta de medicamento na Farmácia Popular do município. O caso teria ocorrido na manhã de segunda-feira (4), por volta das 8h, em frente ao local. Após o fato, o idoso teria sido amparado por um farmacêutico e pedido ajuda ao vereador Carlos Renato Garcia "Corujinha" (PR). O vereador confirmou à redação que recebeu uma ligação de familiares do idoso relatando o fato. O legislador informou que se colocou à disposição da família.

Em conversa, João Luiz Gonzaga, também conhecido como “João Franguinho”, contou que foi agarrado de maneira violenta pelo braço e ameaçado pelo chefe do Executivo municipal. “Eu procurei os rapazes que trabalham lá, e o homem e as meninas falaram que não tinha o remédio. Eu fui saindo ‘pra fora’ ele chegou. Aí eu falei pra ele, 'prefeito o senhor precisa arrumar remédio aqui pra nós. O senhor precisa conversar com um deputado...' Aí ele veio e já agarrou no meu braço e empurrou eu, e eu quase cai. Eu só não cai porque ele me segurou ainda. Mas que ele agarrou meu braço para me empurrar e me bater, isso eu senti. Meu braço doeu demais.”

Gonzaga contou que teve de fugir do local para não apanhar e que o motorista de Miziara teria presenciado tudo. “Eu montei na moto e sai correndo para ele não me bater. Só o motorista dele que viu. E ainda falei pra ele, esse motorista me conhece. Ele sabe que eu vivo doente. O motorista não falou nada”, afirmou.

Ainda segundo o relato do idoso, que afirmou ter votado em Miziara nas eleições municipais de 2016, o prefeito teria feito ameaças enquanto ele fugia do local. “Para aí, seu porcaria. Eu quero te pegar”, teria dito.

Após a agressão, o idoso teria sido amparado e medicado por um farmacêutico que constatou alta na pressão arterial. “Eu passei na farmácia e falei pro farmacêutico assim, ‘mede minha pressão que o prefeito queria fazer alguma coisa comigo ali e eu to passando mal’. Ele mediu a pressão e tava 21”. Ainda segundo idoso, o farmacêutico teria o aconselhado a ir para o hospital.

Sobre o fato, “João Franguinho” afirmou estar aborrecido. “Ele me maltratou demais. Só me maltratou. Eu aborreci mesmo. Eu fiquei aborrecido com aquilo. Ele não podia ter ‘fazido’ aquilo comigo. Eu ajudei ele. Votei nele. E to velho já. Doente. Ele não pode fazer isso. Todo mundo falou pra mim, ‘leva ele na justiça, João... Que nós te conhece demais aqui. Você é doente’. Ele não poderia te feito isso comigo. Eu fui tomar remédio e cheguei chorando”. Luiz afirmou que pretende registrar um boletim de ocorrência. Ouça:

Em 2017, em uma data que afirma não se recordar com precisão, Luiz Gonzaga sofreu um AVC por volta de 16h no galpão da fazenda onde trabalha, sendo encontrado por familiares somente no outro dia às 7h. O acidente vascular cerebral deixou sequelas em seu sistema psicomotor e memória, e desde então passou a fazer uso de medicação controlada. Quando não disponibilizados na Farmácia Popular, o idoso afirmou gastar aproximadamente 300 Reais por mês com os remédios, além de cerca de 2 mil Reais por consulta e exames médicos feitos nos municípios de Três Lagoas (MS) e Jales (SP). O caseiro apresentou diversos exames à nossa redação.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura Municipal e agendou uma entrevista com o prefeito, que manifestou interesse em falar sobre o assunto. Porém, quando nossa equipe chegou ao local, no horário marcado, Miziara não estava presente e não pediu para que outro horário fosse agendado. A repórter foi apenas informada de que o chefe do Executivo havia saído.

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