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EXPLICAÇÃO

'Não a operei por falta de UTI' diz ortopedista sobre idosa

Miziara pontua que a cirurgia é simples e só não será realizada por falta de UTI

12 JUN 2018 - 10h:01Por Lucas dos Anjos

O médico ortopedista Ronaldo Sebastião Miziara Severino, que atendeu a idosa Joana Maria da Silva de 90 anos, no dia 26 de maio, quando ela deu entrada no hospital com fratura no fêmur esquerdo, explicou o motivo que a idosa não fez a cirurgia, um dos motivos é a falta de cardiologista no dia em que ela deu entrada na Santa Casa de Paranaíba (MS).

Segundo Ronaldo, ela deu entrada com fratura média no fêmur esquerdo e pela idade já avançada, ele não pode iniciar o procedimento cirúrgico sem avaliação de um cardiologista, porque a Santa Casa não possui UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para dar suporte ao procedimento.

Como a médica que estava de plantão havia solicitado licença por conta do falecimento da mãe dela, ele de imediato solicitou no sistema de vagas do Estado a transferência da paciente para um hospital que possuísse UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para que fosse realizado o procedimento médico.

“Em pacientes com pouco mais de 60 anos é comum realizar o procedimento sem avaliação cardiológica, mas no caso dela eu não pude fazer por tratar se uma senhora de 90 anos, por isso solicitei de imediato a vaga para que ela fosse transferida e então com o apoio da UTI o procedimento pudesse ser iniciado”, explicou.

Ainda segundo ele, é comum que pacientes dessa idade que realizam procedimentos dessa magnitude, pois o fêmur é o maior osso do corpo humano, necessitem de acompanhamento na UTI no mesmo dia, uma vez que, a cirurgia é demorada e sangra muito.

Quanto aos procedimentos tomados com a paciente, o médico explica que foi tudo realizado da forma correta para esses tipos de caso. “Eu a atendi, tive conhecimento da fratura, de imediato administrei remédios para que ela pudesse suportar a dor”.

“Como ela estava com um leve quadro de anemia, foi preciso administrar uma bolsa de sangue, mas ela tem respondido bem aos medicamentos e o que precisa agora para resolver é ser transferida para iniciar a cirurgia”.

O médico pontua que a cirurgia é simples no meio ortopédico e que só não será realizada no município por conta da UTI.

A transferência

Em contato por telefone com a secretária de Saúde de Paranaíba, Débora Queiroz, ela explicou que já foi protocolado um ofício junto ao secretário estadual, Carlos Coimbra, e que a expectativa é de que ainda nesta terça-feira sairà transferência.

O caso

A idosa Joana Maria da Silva de 90 anos está internada na Santa Casa de Paranaíba (MS) há 17 dias aguardando ser transferida para um hospital de referência com UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para realizar procedimento cirúrgico. Ela quebrou o fêmur esquerdo dia 26 de maio em uma atividade corriqueira na casa onde reside. 

“Ela estava se arrumando para ir à igreja e quando foi pegar uma roupa, esbarrou no ventilador e para impedir que ele caísse ao tentar segurar sofreu uma queda o que resultou na fratura no fêmur esquerdo”, explica Nelma Arazini, filha da idosa.

Ainda segundo Nelma, a solução para o caso da mãe é a transferência, pois ela está debilitada pelo longo período que está internada com a fratura. “Nós estamos desesperados atrás de uma vaga para transferir minha mãe, ela não pode mais ficar ali [Santa Casa] desse jeito porque senão ela corre o risco de nunca mais poder fazer o procedimento e ficar com essa fratura”, disse ela.

“Minha avó sempre fez tudo sozinha, nunca dependeu de ninguém, sempre fazia suas coisas, adorava comer, ir à igreja e hoje eu ver ela nessa situação, numa cama de hospital, pedindo socorro, querendo ir embora para casa é muito humilhante, com 90 anos ela sempre pagou impostos e agora que precisa do SUS, cadê, não vão ajudar?”, indaga a neta Juscelen Arazini.

A família já procurou a Defensoria Pública do município para solicitar apoio e o defensor que as atenderam teria impetrado uma denúncia e que possivelmente já havia um parecer de um juiz, porém até agora nada foi feito. 

“Nós procuramos o poder público, falamos com políticos, para tentar ajudar minha avó, não é possível que só porque ela é uma idosa de 90 anos eles vão deixa-la morrer sem fazer nada, não podemos aceitar isso”, questiona a neta da idosa Joelen Arazine.

A neta conta que a família cogita a hipótese de tentar arrecadar o dinheiro para transferir a idosa e realizar a cirurgia em outro lugar, porém o valor seria superior a R$20 mil e a família não tem condições. “Faremos o que for preciso, mas sabemos que se for vender uma rifa ou algo do tipo vai demorar e minha avó não pode esperar mais tempo”, finalizou Joelen.

O outro lado

Em contato por telefone com o diretor clínico da Santa Casa, Cláudio de Souza Silva, ele explicou que o hospital solicitou a transferência, porém Três Lagoas negou por falta de estrutura para receber a paciente e realizar a cirurgia. Já em Campo Grande que seria a outra opção, há 22 paciente em espera para oito vagas.
 

 

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