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POLêMICA

'Vamos derrubar', diz professor sobre placa em apoio a Moro

Entre as medidas do Ministro estão fim das "saidinhas" e o endurecimento de penas

3 NOV 2019 - 18h:27Por Leonardo Guimarães

Um professor de física da rede privada e estadual de ensino afirmou que vai derrubar um outdoor em apoio ao Pacote Anticrime, proposto pelo ministro da Justiça Sergio Moro, erguido por um empresário em Paranaíba (MS). A arte, com a mensagem “Pacote Anticrime, eu apoio”, foi fixada a uma placa no Parque Espelho d’Água, nas imediações da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul). Nos comentários do compartilhamento de uma foto do outdoor feito pelo internauta Antônio Messias, fazendo um gesto obsceno também criticando a iniciativa, o professor, Marcos Soares Júnior, perguntou onde o outdoor estaria e afirmou: “Vamos derrubar”.

Reprodução/Facebook

Em resposta, o policial militar, Marcelo Oliveira, sugeriu que quem fosse participar da derrubada da placa não fosse escondido. “Vão lá derrubar, mas não vão escondidos não, afinal quem defende bandido tem três opções ou é bandido, familiar de bandido ou amigo de bandido então está explicado a revolta", escreveu.

Reprodução/Facebook

Em seu perfil na rede social o educador se apresenta como professor na Escola Caminho - rede Anglo de ensino em Paranaíba -, Escola Geração Objetivo, no município de Cassilândia (MS) e na Rede Estadual de Educação.

A iniciativa de fazer a publicação em outdoor apoiando as medidas propostas pelo ministro, teria sido do empresário Samuel Alonso, dono de uma concessionária de carros em Paranaíba. Samuel é conhecido por apoiar projetos sociais, iniciativas populares de cultura e educação, além de ter sido um dos responsáveis pela instalação de câmeras de monitoramento em regiões da cidade, em parceria com a Polícia Militar e o Conselho de Segurança Municipal.

Entre as medidas enviadas ao Congresso Nacional por Sergio Moro, estão medidas que geraram polêmicas como endurecimento de penas, o fim das “saidinhas temporárias” e a prisão em segunda instância, além do excludente de ilicitude, já previsto no Código Penal em alguns casos.

Há menos de duas semanas um professor também usou suas redes sociais para fazer uma publicação polêmica, comparando policiais a animais. O educador aposentado, Samir Hadadd, foi respondido pelo Sargento do 13° Batalhão de Polícia Militar, Marco Antônio Benites, que afirmou serem lamentáveis as declarações.

O caso

O fotógrafo e professor aposentado, Samir Hadadd, fez dura críticas a instituições militares e gerou polêmica em Paranaíba (MS) na sexta-feira (25). Samir usou um perfil em uma rede social para afirmar que “Farda é uma jaula que cabe só um animal”, reproduzindo, sem aspas, uma frase comumente usada para ofender policiais militares e integrantes das Forças Armadas nos grandes centros urbanos.

Reprodução/Facebook

A frase, já registrada em pichações e manifestações de partidos de esquerda no país, originalmente afirma que “A farda é a menor jaula, cabe um animal”. A publicação gerou revolta em parte dos seguidores do ex-educador. O professor é conhecido pelo posicionamento em defesa do PT (Partido dos Trabalhadores), da liberdade do ex-presidente preso por corrupção, Luís Inácio Lula da Silva, e por criticas ao Ministro da Justiça, Sergio Moro, ao presidente da República, Jair Bolsonaro e a Força Tarefa Lava jato. A frase, ainda no perfil de Samir até o fechamento desta matéria, recebeu dezenas de criticas.

Em uma das manifestações contrárias ao posicionamento do professor, uma seguidora, Tereza Nascimento, publicou uma foto do filho policial e ex-aluno de Samir, perguntando se o filho parece um animal. “Meu filho usa farda tenho muito orgulho dele...foi aluno seu. Por acaso ele se parece com animal?”, escreveu.

Delma Serrar, também seguidora do aposentado e mãe de policial, rebateu o professor. “Nossa Samir. Me admira muito vc como um educador que foi dizer um absurdo desse, não devemos generalizar nada e nem ninguém, tenho um filho que usa farda em seu trabalho, e tenho o maior orgulho dele, e tenho certeza que não é nenhum animal, muito pelo contrário, é formado em Direito e administração de empresas, tem a OAB, honesto e honra a farda que usa, é extremamente estudioso e culto, e cuida da família e da vida dele sem eu ter que o ajudar em nada, não tive que vender minha casa prá mantê-lo. Olha ao seu redor antes de dizer asneiras.”

Procurado pela reportagem, o sargento do 13° Batalhão de Polícia Militar, Marco Antonio Benites, afirmou, em resposta, que uma farda não é para qualquer um. “Em primeiro lugar começo saudando este cidadão que trabalhou por tanto tempo. Tempo necessário para conseguir sua aposentadoria. Fica aqui o meu respeito. Porém, verdadeiramente, não é qualquer pessoa que vai entrar dentro dessa farda, há uma seleção. Não é qualquer pessoa que vai exercer com excelência o trabalho de proteger e ajudar as pessoas. Isso não é para qualquer um.”, afirmou o sargento.

Benites ainda ressaltou o juramento de amor ao país, que cada profissional fardado, integrante da Polícia Militar, deve fazer. “E o principal de tudo, entrar nessa “prisão” chamada farda não é fácil. Tem que fazer um juramento, tem que respeitar os direitos constitucionais do nosso país, mesmo não concordando com certas leis”, afirmou.

O policial também ressaltou a falha do sistema educacional. “Se há tantos crimes, prisões e criminalidade, seria porque de certa forma o sistema educacional falhou. Nós temos de desfazer muitas coisas. Hoje não sabem cantar o Hino Nacional”, disse.

O sargento lamentou que tal ataque tenha partido de um profissional de educação. “É lamentável ver um professor da minha época, de quando eu era criança, onde naquele tempo existia respeito aos símbolos nacionais e respeito ao próximo. Tudo isso foi diluído nos últimos anos e não foi por culpa da Polícia. De fato ele está certo, essa farda não é para qualquer um. Prendo marginais causados pela incompetência da educação com muito gosto”, disse.

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