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Estado perdeu mais de 15 mil postos de trabalho só em dezembro

28 JAN 2009 - 06h:01Por Redação

Os membros do Comitê de Monitoramento da Crise (CMC), criado pela Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), no ano passado, reuniram-se no final da tarde de segunda-feira (26) para avaliar a reação da economia no Estado, principalmente no setor produtivo.
O relatório da primeira reunião do ano do CMC apontou que são necessárias medidas urgentes para interromper os efeitos da crise que já atinge importantes setores da economia no estado de Mato Grosso do Sul.
Segundo o presidente da Fiems e do CMC, Sérgio Marcolino Longen, o Estado perdeu, somente no mês de dezembro, 15.103 postos de trabalho. Por essa razão, devem continuar as negociações com os governos do Estado e dos municípios, principalmente no tocante à área trabalhista, para que não caiam mais as vagas de emprego e geração de renda.
“As propostas para a área trabalhista agora serão consolidadas pela equipe técnica”, ressaltou Longen. Ele acrescentou que os indicadores apresentados durante a reunião demonstram que o Estado já sente queda no dinamismo econômico com a redução da demanda e conseqüente recuo nos planos empresariais para 2009. Ele completou ainda que os dados fornecidos pelo Banco Central do Brasil indicam que, no período de agravamento da crise financeira internacional, as taxas de captação dos bancos brasileiros permaneceram estáveis.

CUSTOS

“No caso das captações para pessoas jurídicas, houve uma redução de 0,5 ponto percentual, contudo, o spread – diferença entre taxas de captação e aplicação - para este tipo de cliente aumentou 3,4 pontos percentuais no período considerado”, analisou o presidente da Fiems. Ele destacou que o custo do dinheiro está muito elevado ao se referir também ao spread para clientes pessoas físicas, cujas variações foram, no mesmo período, de 0,6 ponto percentual e 6,0 pontos percentuais, respectivamente.
De acordo com o relatório do CMC, apesar da estabilidade apresentada para as taxas de captação, os bancos elevaram os spreads por conta da adoção de uma postura mais conservadora naquele momento, ou seja, avaliaram como mais adequado manter recursos em caixa, aumentando a sua liquidez em função do quadro financeiro internacional travado e pouco previsível quanto aos seus desdobramentos.

EXPORTAÇÕES

A respeito das exportações, Sérgio Longen informou que Mato Grosso do Sul sempre apresenta uma queda relativa dos embarques ao exterior no último trimestre do ano em relação ao trimestre anterior, fundamentalmente em decorrência do complexo soja. No entanto, completa, a queda, neste tipo de comparação, no ano de 2008 foi de 41%, enquanto em 2007 e 2006 a redução ocorrida foi de 22% e 21%, respectivamente.
Apesar da redução relativa ter sido maior, ele disse que tem de se destacar que em termos absolutos as exportações de Mato Grosso do Sul em 2008 apresentaram considerável expansão sobre 2007 – crescimento nominal de 62%. “O Estado tem exportações altamente concentradas. Em 2008, apenas cinco produtos foram responsáveis por 67,26% de toda a receita obtida com as vendas externas”, informou, referindo-se aos grãos de soja (China 72% das exportações do produto), carnes desossadas congeladas (Rússia 50%), minérios de ferro (Argentina 63%), bagaços e outros resíduos da extração de óleo de soja (União Européia 69%), e pedaços e miudezas comestíveis de galos e galinhas (Japão 34%).

SONDAGEM

Sérgio Longen ressaltou que o primeiro relatório do CMC do ano apontou que 87% dos empresários industriais sentiram os efeitos da crise. A informação faz parte da sondagem realizada pelo Radar Industrial junto às indústrias e ao comércio do Estado, entre os dias 16 a 23 de janeiro. “Temos saldo ainda positivos, mas já foi possível sentir uma retração forte no setor industrial e isto ficou evidente na percepção dos industriais”, acrescentou.
Os detalhes da pesquisa demonstraram que 52% dos industriais que disseram que os negócios foram prejudicados pela crise, acreditam que a recuperação deve ocorrer somente no segundo semestre de 2009. Dos empresários  entrevistados 58% afirmaram não ter reduzido o quadro de funcionários e 52% prevê novas contratações em 2009; "Dos empresários que prevêem novas contratações em 2009, 50% irão realizá-las somente no segundo semestre”, pontuou Longen acrescentando que, 61% disseram que as vendas caíram, comparativamente a igual período do ano anterior.
“A previsão para os próximos três meses, numa comparação com igual período do ano anterior, é de queda nas vendas para 48% dos entrevistados”, reforçou Sérgio Longen. Na sondagem realizada com o comércio, o comportamento segue tendência mais otimista que a indústria.

COMÉRCIO

A percepção dos empresários do comércio no Estado apresenta equilíbrio. Mais de 50% afirmaram não ter sentido qualquer efeito sobre o setor, enquanto 48% acreditam que o comércio varejista encontra-se em crise. “Dos empresários entrevistados 60% disseram não ter contratado funcionários temporários no final de 2008 e dos que disseram ter contratado temporários, 47% afirmaram ter havido efetivação após o final do ano”, divulgou acrescentando que 63% afirmaram que o quadro de funcionários permaneceu inalterado após as vendas de fim de ano.

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