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Um ano após acidente no Marfrig, polícia anuncia indiciamento de nove

Acidente com produtos tóxicos aconteceu no dia 31 de janeiro de 2012 no curtume do frigorífico Marfrig em Bataguassu

2 FEV 2013 - 10h:21Por Paulo Ribas/Correio do Estado

Um ano após o acidente com produtos químicos que matou quatro pessoas no curtume do frigorífico Marfrig em Bataguassu, a polícia anunciou o indiciamento de nove pessoas, que vão responder pelo crime de homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A conclusão do inquérito é de que houve falha humana, hipótese levantada desde o início das investigações.

A reação química na manipulação de produtos tóxicos deixou 28 pessoas feridas, além de provocar quatro mortes. De acordo com o delegado José Carlos Almussa, os indiciados responderão também por lesão corporal e poluição ambiental. O frigorífico Marfrig, que até agora não indenizou nenhuma das vítimas, deve ser responsabilizado pelos danos ambientais.

“Constatamos uma sequência de erros, desde a chegada do caminhão até a fase de descarregamento do produto transportado”, disse o delegado José Carlos Almussa, que deu continuidade ao inquérito aberto pelo delegado licenciado Pedro Caravina, eleito prefeito de Bataguassu.

De acordo com declarações de Almussa ao site Campo Grande News, as investigações apontaram que o veículo transportava a substância química coramin, que foi despejado em um tanque que continha cromo. O coramin é utilizado para retirar pêlos de couro bovino e a reação com o cromo produziu um gás letal, que causou as mortes e ferimentos.

Entre os indiciados estão o motorista do caminhão e funcionários do curtume que não perceberam que no tanque havia outra substância. “O procedimento passou por várias pessoas e entendo que houve falha de todos”, comentou o delegado. Ficou comprovado que o frigorífico não oferecia treinamento para os funcionários e o engenheiro responsável pelas instalações não estava presente no momento do incidente.

A Polícia Civil deve concluir o inquérito nos próximos dias e encaminhar a denúncia ao MPE (Ministério Público Estadual). Além do processo criminal, existe ainda o processo trabalhista onde o frigorífico é acusado pelo acidente. Para o MPT (Ministério Público do Trabalho), na unidade havia inúmeras irregularidades para saúde a segurança dos 108 funcionários.

Foram constatadas falhas na sinalização, orientação de procedimentos de utilização de produtos químicos, falta de plano de controle de incêndios e Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes).

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