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JORNAL DO POVO

33 anos lutando contra mosquitos

Leia a edição especial de comemoração aos 70 anos do Jornal do Povo

17 AGO 2019 - 09h:37Por Valdecir Cremon

Em dezembro de 1986 o Jornal do Povo noticiou, pela primeira vez, a identificação de casos positivos de dengue em Três Lagoas - talvez nem mesmo os responsáveis pelos exames e a classe médica imaginassem que, ali, estaria nascendo um ciclo de epidemias com a capacidade de contaminar milhares de pessoas nestes 33 anos. A cidade, então, entrava para um mapa que já continha dois terços dos municípios, com a instalação da primeira contaminação em massa do país.  

Evidentemente como em outras cidades, o combate ao mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti, demorou para começar. E a doença se alastrou, acompanhada de outra igualmente temida, mas já conhecida. A febre amarela. O ano fechou com centenas de casos e pouco conhecimento sobre como eliminar o transmissor e combater o avanço do vírus.

A difusão de técnicas, como a colocação de  inseticida em locais que pudessem acumular água e, principalmente, impedir a existência de locais usados como criadouros pelo inseto, entre outras, demoraram a chegar ao conhecimento da população. E, mesmo tanto tempo depois, parecem ainda não terem sido assimilados. O resultado dos boletins epidemiológicos, que registram diariamente dezenas de novos casos da doença, confirma que a população está por trás de uma lista de causas e causadores das epidemias sem fim.

Maus hábitos, como manter quintais sujos, vasos com água e calhas sem manutenção, entre outros erros, vêm daquela época e insistem em se perpetuar em bairros da cidade, mesmo com o empenho de autoridades que gastam montanhas de recursos públicos para tentar se livrar do mosquito e ganhar a guerra.

Só neste ano, até 14 de agosto, Três Lagoas registrou 3,4 mil casos de dengue entre os mais de 5 mil pacientes que apresentaram sintomas. Houve épocas cm números ainda maiores. 


Não muito tempo depois, em 1989, outra notícia do Jornal do Povo registrava a contaminação de cães pelo vírus da Leishmaniose por meio de um protozoário que afeta, primeiro, cães. É deles que, neste ano, surgiu a contaminação que matou uma bebê de um ano.  Em 2018, outra pessoa também foi contaminada e morreu.

Como a dengue, o leishmania também é transmitido por um mosquito. O flebótomo, conhecido por palha, que se reproduz em locais sujos e com matéria orgânica, como em galinheiros, chiqueiros, lixeiras etc.

São, enfim, dois mosquitos que desafiam técnicos e especialistas e forçam gastos a cada dia mais elevados. 

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