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JORNAL DO POVO

A força de uma hidrelétrica

Construção da Hidrelétrica Engenheiro Souza Dias começou, oficialmente, em 1969

21 JUL 2019 - 08h:30Por Valdecir Cremon

Quando o governo federal, em pleno período da ditadura, confirmou a construção de uma hidrelétrica no rio Paraná, no entroncamento dos municípios paulistas de Andradina e Castilho com Três Lagoas, a região inteira - sem os limites dos Estados - vivia um período de completa falta de uma identidade que não fosse ligada à pecuária, no final da década de 1960.

Andradina, já denominada como “terra do Rei do Gado”, com título obtido pela liderança de Antônio Joaquim de Moura Andrade, e Castilho que se espreitava pelos caminhos da política paulista de municipalismo, buscavam a predominância. Três Lagoas, que sofria pelo distanciamento político-administrativo com a “antiga” capital Cuiabá, precisava de reforço em sua escalada para tornar-se referência. 

A construção da Hidrelétrica Engenheiro Souza Dias começou, oficialmente, em 1969, após quase 10 anos de planejamento. Ou seja, antes do período militar no governo central. A inauguração data de 1974. Nos cinco anos de execução do projeto civil houve grande movimentação de trabalhadores, empresas prestadoras de serviços e dinheiro nas cidades mais próximas do canteiro de obras. Consequentemente, uma grande disputa pelo protagonismo entre Andradina, Castilho e Três Lagoas.

Em registros feitos desse período pelo Jornal do Povo foi comum o uso da expressão “cidade grande” como referência a Três Lagoas, que seria a sede da usina e, consequentemente, teria direito à maior fatia da divisão de impostos recolhidos sobre a construção da usina e a geração de energia por suas turbinas. Somente parte disso tornou-se realidade, para frustração dos três-lagoenses. Aí foi preciso que autoridades da cidade ingressassem na Justiça com pedido de reconhecimento de Três Lagoas como sede da “casa de máquinas” da hidrelétrica, enfrentando resistência muito forte de Castilho, de diversas autoridades paulistas e até mesmo da estatal Cesp, que manteve depósitos de milhões de reais na conta da prefeitura da cidade vizinha por 30 anos.

Foi uma batalha, ou várias, até o final da guerra jurídica entre as duas cidades e a Cesp, que só ocorreu após o IBGE - órgão oficial do governo brasileiro - reconhecer em 2016 e por meio de um levantamento de georreferenciamento que a tal “casa de máquinas” foi construída no território três-lagoense. Só aí a cidade passou a ter direito à maior fatia dos tributos recolhidos, que já entram na soma dos repasses de ICMS à prefeitura.

Resta, contudo, uma discussão: Três Lagoas não teria direito jurídico ao ressarcimento das três décadas sem repasse? 

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