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EDITORIAL

A hora certa do 'desaprendizado'

Leia o Editorial publicado na edição deste sábado (13) no Jornal do Povo

13 JAN 2018 - 08h:03Por Redação

Entre as muitas curiosidades que se conhece do empresário Antônio Ermírio de Moraes, que morreu em 2014, aos 96 anos, é que ele "desaprendeu" de como esperar tudo dos governos. Paulistano, fundador do poderoso Grupo Votorantim, admitiu que "esperava demais" de governantes e de planos, projetos e programas públicos. Até que decidiu investir e deixar de lado o medo de crises, inflação, escândalos e tudo mais que pudesse desanimá-lo. 

O resultado deste "desaprendizado" foi a criação de um dos maiores grupos empresariais do país, absolutamente isento de manchetes escandalosas ou benesses governamentais. 

O exemplo de Antônio Ermírio pode ou deve ser aproveitado como lição se não na íntegra, em sua maior parcela. É por ele que se combate um mal que todo empresário tenta se livrar: o paternalismo governamental, que mais esbofeteia do que afaga; que diga o que se deve fazer e não o faz, e que, via de regra, é exemplo a não ser seguido. 

O paternalismo gerado pela dependência das ações públicas é resultado de esquemas garantidores de governos e seus regimes. Por ele, se abre os cofres públicos e se associa a criminosos para patrocínio da corrupção. Foi assim com os mais recentes escândalos brasileiros, em que grandes grupos empresariais foram descobertos sob o tapete da sujeira pública, misturados ao lixo da corrupção. São exemplos a não serem seguidos por quem tiver um mínimo de caráter, amor e respeito pela Pátria.

Antônio Ermírio falou em uma entrevista sobre seu "desaprendizado" alguns anos depois de tentar ser governador de São Paulo, em 1986, em que ficou na segunda posição. Depois disso, quando muitos pensavam que seguiria na política, pendeu para a arte, assinando obras para o teatro - Brasil S.A., Acorda Brasil e S.O.S. Brasil - bancadas com seu próprio dinheiro. Tornou-se um dos homens mais ricos do mundo, líder de empresas instaladas em 20 países, com faturamento de R$ 20 bilhões em 2016.

A lição do empresário, porém, não deve servir apenas para quem se lança no mercado como dono de empresas. Deveria ser a base de brasileiros que têm força e capacidade para seguir sozinhos, sem correr atrás de bolsa disso ou daquilo, de passes de ônibus, cestas básicas ou qualquer outro afago. É que, hoje, mesmo depois de tantos anos após Antônio Ermírio descobrir, esse paternalismo é o mesmo que mais esbofeteia e que cobra afagos.

 

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