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EDITORIAL

Ato de amor

Leia o Editorial do Jornal do Povo deste sábado (3)

3 AGO 2019 - 09h:09Por Redação

Há diversos atos e atitudes que poderiam ter divulgação e publicidade maiores, com mais espaços na mídia e maior grau de importância nas rodas de bate-papo, conversas entre amigos e, ainda mais, entre dirigentes públicos. A amamentação. Médicos e especialistas em saúde infantil repetem que nada é mais importante a um bebê do que sua alimentação com leite materno nos primeiros seis meses de vida, pelo menos. Sem isso, a criança pode ter prejuízos em seu desenvolvimento físico, psíquico e afetivo em relação a família.  

Este é apenas um exemplo da carência de publicidade de ações de saúde que deveriam ser mais presentes nas peças governamentais. Exceto o Ministério da Saúde, outros órgãos de governo se lembram muito pouco da importância de estimular mães e de conscientizar futuras mamães sobre a necessidade da amamentação.

Para isso, é preciso sempre lembrar que o risco de contrair câncer de mama diminui 4,3% a cada 12 meses de duração de amamentação, estima um estudo com mulheres de 30 diferentes nacionalidades, publicado pela Revista científica The Lancet, em 2002. Essa proteção independe de idade, etnia, paridade e situação hormonal de pré ou pós-menopausa.

A revisão de 2017 do Fundo Mundial para Pesquisas sobre Câncer sobre lactação e câncer de mama também corrobora essa ideia, apontando que a amamentação provavelmente diminui o risco da doença em mulheres até a pós-menopausa.

Segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer, amamentar diminui o risco de a mulher ter câncer de mama, pois enquanto o bebê suga o leite, o movimento promove uma espécie de esfoliação do tecido mamário. Assim, se houver células agredidas, elas são eliminadas e renovadas durante o processo.

A resistência de inúmeros mitos em torno de ações indispensáveis de saúde, como esta, é ainda um grande obstáculo. E por conta disso, não se combate doenças da melhor maneira que existe.

Em todo o país, a amamentação é estimulada de maneira sazonal, apenas neste mês de agosto, e salvo em programas públicos dirigidos especificamente a gestantes carentes. Fora disso, o aleitamento praticamente cai no esquecimento até mesmo da mídia, apesar das muitas cobranças de investimentos em saúde - um setor caro, eivado de problemas e de controle considerado difícil, que resiste em adotar práticas simples e eficazes como esta.

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