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Aumenta o número de moradores de rua

Cresce o número de moradores de rua nas áreas centrais da cidade

26 SET 2012 - 15h:00Por Claudio Pereira

 O crescimento econômico também gera aumento dos problemas sociais. Três Lagoas têm atraído pessoas que chegam à cidade em busca de trabalho, porém, algumas não possuem recursos financeiros ou formação adequada e não conseguem prover o próprio sustento. Em consequência disso, vivem nas ruas. A concentração maior de moradores de rua ocorre em frente à estação ferroviária. Instalados debaixo da marquise, algumas pessoas estão, inclusive, com problemas de saúde e má alimentadas. Outro temor é a possibilidade do consumo de drogas e bebida entre eles.


O município tem atuado de acordo com as suas possibilidades. O Albergue Municipal Padre Miguel Angel Sánchez é a principal instituição que busca ajudar os migrantes. A instituição é administrada pela Secretaria Municipal de Assistência Social e tem uma estrutura que conta com 34 acomodações, sendo seis quartos para homens e mulheres separadamente. Além do alojamento, o local oferece também um trabalho de encaminhamento da pessoa para agências de emprego, auxílio na emissão de documentos, assistência em casos de enfermidades e orientação ao indivíduo com relação aos seus direitos como cidadão.

Dados da Secretaria Municipal de Assistência Social apontam que, em 2011, foram atendidas 1.339 pessoas no Albergue Municipal. Em 2012, apenas entre os meses de janeiro e agosto, 882 pessoas já passaram pelo local, o que evidencia um aumento no número ano a ano. Desse total, 623 pessoas preferiram sair da cidade e receberam passagem de ônibus. Daiane Caroline Mateus, coordenadora do setor de articulação da Secretária Municipal de Assistência Social, explicou que as passagens são fornecidas segundo a vontade da pessoa atendida. “Normalmente, essas pessoas são migrantes, sem destino fixo, e pedem passagem para a cidade mais próxima. Temos parceria com as empresas de ônibus Reunidas Paulista e Viação São Luiz. Em todos os casos, buscamos contatar as famílias para que eles tenham um destino que os acolham”, explicou Daiane. 

EMPREGO
O encaminhamento ao emprego também é direcionado pela Secretaria Social. Segundo dados oficiais, 399 pessoas arrumaram trabalho em 2011. Entre janeiro e agosto deste ano, 361 pessoas foram encaminhadas ao emprego.
A coordenadora também informou que muitos dos moradores de rua vieram para a cidade para trabalhar apenas por algum tempo e, ao retornarem para as cidades de origem, não arrumaram emprego e voltaram a fim de tentar alguma oportunidade em Três Lagoas. Muitas dessas pessoas não conseguiram uma recolocação e passaram a vagar pelas ruas.

MORADORES
Atualmente, segundo dados do município, 28 pessoas são moradores de rua cadastrados. Apesar dos esforços do município, alguns moradores de rua alegam não receber nenhuma ajuda ou assistência oficial, como declarou à reportagem do JP Daniel Silva Bernardes, 28 anos: “Não tenho recebido nenhuma ajuda, ninguém me procurou”, disse o morador de rua, que se absteve de responder se procurou ajuda no Albergue Municipal.
Em relação a esse depoimento, Daiane respondeu que a maioria deles não deseja deixar a rua para viver sob as regras da instituição. “O local possui regras de que alguns não gostam”, disse.

O trabalho feito pelas assistentes sociais também busca a reintegração familiar. Entre 2011 e 2012, 326 pessoas retornaram para suas famílias. A coordenadora reforçou que a sociedade não pode ver o morador de rua apenas como uma pessoa que estraga a paisagem, mas como um ser humano com direitos, os quais devem ser respeitados e, por isso, deve ser tratado com dignidade.
 

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