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ENTREVISTA

Bancos descumprem acordo sobre filas

Mais de R$ 19 mil em multas foram aplicadas a agências de Três Lagoas em 2017; fiscalização será apertada, diz diretor do Procon

31 DEZ 2017 - 07h:05Por André Barbosa

O coordenador do Programa  para Orientação e Defesa do Consumidor (Procon), Mamede Jaruche, apresentou balanço das ações do órgão executadas neste ano em Três Lagoas. Segundo o servidor público, aproximadamente 100 empresas foram autuadas pelo órgão neste ano no município. 

Jornal do Povo - Após reuniões com bancos e agências financeiras do município, houve cumprimento da lei das filas?
Mamede Jaruche - As reclamações eram muito grandes, não só em relação às filas, mas também os bebedouros, banheiros, entre outros. Em meu entender, houve resultado da parte do consumidor. Nas agências não. Continua o mesmo número de funcionários no atendimento. Mas, o consumidor ficou mais atento, ligando e reclamando mais. Este ano, houve a adição de mais uma fiscal que atua em cima destas reclamações. Como a cidade é muito extensa, é preciso que o consumidor fiscalize também e denuncie estas situações. Estas reuniões alertaram mais a população dos direitos e deveres que eles têm.

JP - Se ainda não houve um cumprimento das determinações do Procon, isso significa que haverá mais autuações, a partir de 2018?
Mamede - Sim. Vão haver autuações enquanto tiver reclamações de fila e situações não resolvidas. Vamos ver o que está acontecendo, pois já pontuamos que há necessidade maior de fluxo de funcionário de bancos. Mas, alegam  (os bancos) que pedem e não são atendidos e que repassam o problema para as diretorias.

JP - Quando haverá novas fiscalizações?
Mamede - Entre janeiro e fevereiro. O prazo para se adequar acabou. Se só realizarmos só reuniões constantemente, nunca acontecerá nada. Estaremos mais atentos e frequentando mais os bancos e vendo o que está acontecendo. O maior problema é que só dispomos de uma fiscal para atender todo o município. É pouco.

JP - E quantos bancos já foram autuados?
Mamede - Já teve algumas autuações conjuntas com a superintendência de Campo Grande.  Tivemos mais de R$ 19 mil em multas, por tempo de fila em Três Lagoas.


JP - Em relação aos postos de combustíveis? O Procon se reuniu com as gerências, mas o preço do litro de álcool e da gasolina no município continuaram altos?
Mamede - Para os 12 postos convocados pedimos que não houvesse a criação de cartel em Três Lagoas. Nossa função não é ficar cobrando ou alertando sobre preço, pois cada um tem um valor de revenda. Acho abusivo a Petrobrás ficar mudando de preços constantemente e estes postos acabam tendo que repassar. Cada um destes postos pede um preço diferente. Pedimos para que realmente brigassem para manterem o cliente em Três Lagoas, evitando que atravessem a ponte, para abastecer os veículos. 

JP - Mas, houve alguma fiscalização ou autuação, dentro desta questão?
Mamede - Não. Ainda não autuamos. Regularmente, a medida que o cliente nos informa de alguma irregularidade, vamos fiscalizar. 

JP - Dentro destas ações, as empresas envolvidas mudaram de atitude? Melhoram seus serviços?
Mamede -
Muitas coisas não são resolvidas da noite para o dia. As reuniões nos alinharam para abrirmos um canal de comunicação com estas empresas, além do 0800. Já alertamos a Elektro, a Sanesul e outras a investir no consumidor, em todos os sentidos. Além de darem retornos aos clientes. No ano que vem, faremos novas reuniões, para sabermos como estão estas situações e o que mudou. Não somos um órgão aplicador de multas. Nossa intenção é ajudar o consumidor a resolver o problema"

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