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Casos de hanseníase aumentam 100% em três anos

Enquanto que em 2011 foram registrados 26 novos casos, no ano passado, o índice chegou a 31

23 JAN 2013 - 08h:20Por Reprodução

Em Três Lagoas, nos últimos três anos o número de casos novos de hanseníase aumentou quase 100%. Em 2010, foram diagnosticados 16 novos casos da doença, no ano seguinte 26, e em 2012 chegou a 31, segundo dados do Programa Municipal de Combate de Hanseníase (PMCH). Porém, de acordo com o coordenador do PMCH, Antônio Carlos Modesto, embora  em crescimento os dados não são assustadores, já que em 1998 foram diagnosticadas 80 pessoas com a doença. E de lá para cá a incidência de hanseníase vem caindo. 


Para Modesto, este percentual de quase 100% de crescimento da hanseníase nos últimos três anos está ligado à industrialização de Três Lagoas. A cidade está em processo de migração, e recebe milhares de trabalhadores das regiões Norte e Nordeste do país, onde os índices da doença são altos. “Por isso, ainda há muito trabalho para a equipe do PMCH desenvolver com o intuito reduzir estes índices”.
 
Entre as frentes de trabalho estão as campanhas de conscientização. A última foi realizada em dezembro do ano passado em conjunto com a Campanha de Prevenção do Câncer de Pele. Para este ano, a equipe do PMCH, está planejando uma mobilização para este primeiro semestre do ano, mas a data ainda não foi definida. Ele explicou que, em Três Lagoas, não terá nenhum evento no “Dia Mundial de Luta Contra a Hanseníase”, que é comemorado sempre no último domingo do mês de janeiro, neste ano no dia 27. “Não vamos desenvolver ações nesta data por ser um mês de férias, a equipe está desfalcada e também têm muitos três-lagoenses viajando”, justificou.
 
Além da campanha, segundo Modesto, os profissionais do PMCH vão fazer palestras em alojamentos de trabalhadores, presídios e para estudantes universitários que moram em repúblicas. “A informação ainda é melhor remédio”, frisou. 
 
Para tranquilizar a população o coordenador do PMCH também pontuou que 90% das pessoas nascem com o fator genético natural que oferece resistência ao bacilo Hansen. Por isso, muitos cidadãos entram em contato com doentes, mas não pegam a hanseníase. 
 
Estatística
Conforme dados do PMCH, as notificações feitas no município, nos últimos 10 anos, divididas por bairros verifica-se que o Vila Nova lidera a lista com 37 casos, seguido por Vila Piloto (I, II, III, IV, V) com 28 pacientes, em terceiro lugar vem Vila Haro com 27. Já se compararmos os últimos cinco anos nota-se uma queda nos números: Vila Nova segue na frente com 16 casos, em segundo lugar continua a Vila Piloto com 12 doentes, e, com 10 casos têm os bairros: Vila Haro, Paranapungá e Vila Alegre.
 
De acordo com Modesto, acredita-se que o bairro Vila Nova tem o maior número de casos pelo fato de ser o mais antigo e também o mais populoso da cidade.  “A doença se propaga com mais facilidade em locais onde há aglomeração de pessoas, casas sem ventilação e sem contato com raios solares”, explicou. 
 
Doença
A hanseníase não é hereditária. É uma doença que tem cura por meio de tratamento. Ela se apresenta em quatro formas: clínica indeterminada e tuberculóide, ambas não são contagiosas.  Já a multibacilar (dimorfa e virchwiana) são contagiosas. A doença atinge a pele e os nervos dos braços, mãos, pernas, pés, rosto, orelhas, olhos e nariz, podendo causar deformidades físicas. O tempo entre contágio e o aparecimento dos sintomas é longo. Pode variar de dois a 10 anos. Mas, isso pode ser evitado com o diagnóstico precoce. 
 
Sinais
Mancha esbranquiçada, avermelhada ou amarronzada em qualquer parte do corpo, com diminuição ou perda da sensibilidade ao calor, à dor e ao tato; engrossamento do nervo que passa no cotovelo, levando à perda da sensibilidade, diminuição da força do 5º dedo; dor e sensação de choque, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços, mãos, pernas e pés; áreas com diminuição dos pelos e do suor. 
 
Tratamento 
O tratamento da hanseníase pode durar de 6 a 12 meses, se seguido corretamente. Os comprimidos devem ser tomados todos os dias, em casa, e uma vez por mês no serviço de saúde.  Também fazem parte do tratamento de Hanseníase os exercícios para prevenir as incapacidades e deformidades físicas. As pessoas atingidas que apresentam mãos, pés e olhos insensíveis ou com atrofias devem adotar medidas e cuidados especiais no seu dia-a-dia. Aquelas que moram com alguém que recebeu o diagnóstico de Hanseníase devem ser examinadas nos serviços de saúde e orientadas para reconhecer os sinais e sintomas da doença.

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