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ENTREVISTA

Com 2ª linha de celulose, Eldorado vai consumir 400 mil hectares de florestas

Em entrevista ao programa RCN Negócios, diretor florestal da Eldorado Brasil falou sobre o setor da celulose

2 MAI 2021 - 06h:30Por Ana Cristina Santos

Três Lagoas é a capital nacional da celulose. O município tem três fábricas de celulose e uma de papel em operação. O município deverá ter a quarta unidade fabril quando a Eldorado Brasil construir a sua segunda linha. Em entrevista ao entrevistador André Milton no programa RCN Negócios da TVC e rádio Cultura FM, o diretor florestal da Eldorado Brasil, Germano Vieira, disse que, com a segunda linha, a indústria vai consumir 400 mil hectares de florestas. Acompanhe trechos da entrevista.

O Brasil tem cerca de 9 milhões de hectares de florestas plantadas. Como o eucalipto chegou no Brasil e o porquê cresceu tanto?
Germano Vieira O eucalipto chegou no Brasil há mais de 100 anos, veio para suprir uma demanda que o país tinha, na época de dormentes para a estrada de ferro. O engenheiro Navarro de Andrade, na época, importou sementes da Austrália e acabou montando um viveiro florestal, daí viu que o eucalipto crescia muito bem aqui no país. A partir daí, começou todo esse desenvolvimento fantástico no setor, que é um dos mais importantes do país e mais competitivos do mundo.
Nesses 100 anos, as utilidades do eucalipto cresceram muito até chegar à celulose? 
Germano Vieira Tivemos um caminho muito interessante nesses 100 anos, porque vimos a vocação florestal que tínhamos, a combinação de eucalipto com o clima brasileiro, que dava muito certo, então os empresários enxergaram essa oportunidade de negócio. Daí, a indústria siderúrgica começou a produzir carvão vegetal, e depois começou a ser usado para o setor celulose. Hoje, o Brasil é campeão em fazer celulose de eucalipto e pino, e mais recente, veio a indústria do MDF, e painéis reconstituídos, que nada mais é do que a madeira de eucalipto utilizada para fazer móveis.

Existem quatro grandes setores dentro do eucalipto?
Germano Vieira Exatamente, a celulose é a pioneira, depois temos os painéis e produtos sólidos de madeira, o carvão vegetal e pinos de eucalipto.  Eu tive a oportunidade de trabalhar nos quatro setores.

O eucalipto é uma planta que precisa de bastante água para a sua produtividade, e nos últimos anos, o nível de chuva diminui bastante, isso é uma preocupação?
Germano Vieira Sim, essa é uma preocupação grande. Nos últimos anos tivemos uma redução de chuva em Mato Grosso do Sul, e consequentemente, uma redução na produtividade. Com isso, tem incidência de praga que um cuidado maior, e que pbriga as empresas ficarem mais atentas.

Toda indústria de celulose precisa ter sua grande matéria prima próximo a fábrica. Qual o raio ideal da floresta até a fábrica?
Germano Vieira O custo do frete, do transporte da madeira, é extremamente caro para o setor florestal, varia de 30% a 40% do custo da madeira/fábrica. É por isso que temos uma logística forte em estradas, não podemos perder dinheiro, tem que otimizar bem isso.  Quanto a distância média da floresta até a indústria para uma fábrica como a Eldorado, que produz um milhão e setecentos mil toneladas por ano, a distância ideal seria 60 quilômetros. Quando dobrar a fábrica, que chegar a produzir 4 milhões toneladas, vai para 100 a 110 quilômetros.  

A Eldorado utilizou muitas terras arrendadas para produzir eucalipto. Agora, estamos vendo também anúncio para a compra de áreas. Além disso, a empresa está propondo agora, contrato de parceria. Essa é a tendencia ou não tem nada definido?
Germano Vieira O modelo de negócio, arrendamento ou parceria, fica muito a critério do produtor.  Hoje, o produtor prefere arrendamento. Na área da Eldorado, 70% é arrendamento e 30% é parceria. Desde o começo isso ficou muito claro, isso é aberto entre as partes. A ideia inicial é remunerar a mais a terra do proprietário em relação ao que está sendo.

E qual foi o desafio em relação a mão de obra da Eldorado desde quando chegou a Três Lagoas?
Germano Vieira O setor florestal consome bastante mão de obra, apesar de estar hoje mecanizado, mesmo assim, consome muita mão de obra. Isso cresceu na região, mas ainda é aquém do que precisamos. Se aumenta muito a produção, é preciso trazer mão de obra de fora. Mas, acredito que toda essa região de Três Lagoas e Agua Clara, será importante  para dar suporte a essas indústrias que estão chegando. 

A tecnologia chegou no agronegócio e na Eldorado, que tipo de tecnologia chegou?
Germano Vieira A tecnologia chegou no agronegócio inteiro e também na Eldorado. Temos hoje um conhecimento da planta e da interação dela com o ambiente, isso é muito grande e medido. Temos avaliação diária das da árvores. A Eldorado tem equipamento de medição, de marcador molecular de todas as árvores. Temos um trabalho muito grande de identificação de todas as árvores e temos o DNA de cada clone. Na área de nutrição junto com clima, temos muitos equipamentos que usamos para isso, bem como na medição de árvores e setor de imagens, usamos muita tecnologia. E toda essa tecnologia está em Três Lagoas que nos últimos dez anos cresceu quatro vezes a área plantada. Com isso, veio toda essa tecnologia, empresas se instalaram na cidade.

A Eldorado vai sair de 250 mil hectares para cerca de 400 mil com a segunda linha?
Germano Vieira Isso, com a segunda linha vamos consumir cerca de 400 mil hectares de florestas. Uma área bastante relevante.

Ainda existe uma grande demanda de celulose no mundo?
Germano Vieira A demanda é grande e está se adaptando aos novos costumes mundiais. Por exemplo, o consumo de celulose para a fabricação de papel de imprimir e escrever, caiu, mas em contrapartida, aumenta a produção de celulose parta fabricação de papel higiênico, toalha, fralda descartável, entre outros produtos, além de embalagens. A celulose está em contínuo crescimento no mundo.

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