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ENTREVISTA

'De cada 10 brasileiros, 4 estão endividados; educação financeira é necessária'

Economista e professor da UFMS assegura que educar o brasileiro financeiramente

6 NOV 2019 - 19h:00Por Redação

O endividamento e o descontrole financeiro vem se ampliando no Brasil. Marçal Rogério Rizzo (economista e professor da UFMS – Campus de Três Lagoas) assegura que educar o brasileiro financeiramente vem se tornando uma necessidade maior com o passar dos anos.

Jornal do Povo – Vivemos em uma sociedade que sofre de “dinheirofobia”?

Marçal Rogério Rizzo – Sim. Esse termo “dinheirofobia” é amplamente usado pela educadora financeira Nathalia Arcuri. Creio que foi até criado por ela. É como se fosse uma doença que todos nós sofremos sem distinção. Temos medo de falar de dinheiro um com o outro. Até mesmo existe marido e mulher que não falam de dinheiro. Aliás há esposas que não sabem quanto o marido ganha e vice-versa. Não sabem quanto o marido gasta no boteco e nem quanto a esposa gasta no salão de beleza. Podem apostar que mesmo entre irmãos não há total transparência quando o assunto é dinheiro. Muitos têm vergonha de falar para o amigo quanto ganha ou que está preso no cheque especial. Se há vigor nas contas pessoais também não há muito falatório sobre o tema, até por medo do amigo pedir dinheiro emprestado, ou até por crendice de que quando fala algo para alguém pode trazer azar. O fato é que ainda há muito receio e preconceito em tratar do tema dinheiro.

Jornal do Povo – Qual é o problema da “dinheirofobia”?

Marçal Rogério Rizzo – O problema é que o debate, a troca de ideias e de experiências faz com que haja crescimento e desenvolvimento coletivo. Seria uma espécie de processo de ensino/aprendizagem. Agora quando não há isso por existir preconceito, receio, vergonha e medo em se tratar do tema todos perdem.  Meu erro se socializado poderia evitar o erro de outros e meu acerto poderia auxiliar no acerto de outros, assim por diante, contudo onde não existe transparência não há troca de experiências.

Jornal do Povo – Como atenuar o problema da “dinheirofobia”?

Marçal Rogério Rizzo – Penso que a resposta esteja em um processo de educação financeira. É necessário educarmos nossas crianças desde os anos escolares iniciais, pois isso viria trazer mudanças consideráveis na sociedade. O preconceito, receio, vergonha e medo de falar de dinheiro se tornaria coisa do passado.

Jornal do Povo – Acredita que teremos a Educação Financeira nas escolas do Brasil?

Marçal Rogério Rizzo – Acredito que isso será apenas uma questão de tempo. Hoje de cada 10 brasileiros 4 estão endividados e, isso já demonstra que necessitamos desse processo de mudança de paradigma que só a educação financeira pode trazer. Já existe um marco legal que instituiu a Estratégia Nacional de Educação Financeira, Decreto 7.397 de 22 de dezembro de 2010, porém, por outro lado temos que romper com o lobby daqueles que ganham muito com o analfabetismo financeiro.

Jornal do Povo – Podemos afirmar que nos dias atuais existem vários fatores que contribuem com o desequilíbrio financeiro das pessoas e das famílias?

Marçal Rogério Rizzo – Certamente sim. Hoje temos muitas variáveis que contribuem para o endividamento e o desequilíbrio financeiro das pessoas e das famílias. Vamos mencionar alguns como: vivemos um panorama da ostentação, das compras em demasia e perdulária. Muitas vezes compramos por impulso e sem necessidade.

Ainda temos a facilidade para efetuar compras. Sem sair de casa compramos utilizando o e-commerce, ou seja, as compras pela internet. A evolução tecnológica permitiu mais acesso as compras. Os celulares tornaram-se verdadeiras vitrines. Hoje há facilidades para se conseguir crédito, em especial obter cartões de créditos ou mesmo crediários. Um ponto que sempre deve ser lembrado é a falta de objetivo que temos com o nosso dinheiro.

A ausência de sonhos, propósitos e aspirações para com o nosso dinheiro faz com que gastamos tudo sem pensar em poupar e investir. Tem uma frase interessante que gosto de citar: se não sabemos para onde queremos ir, qualquer lugar serve. Por fim, anseio ressaltar a falta de programas de educação financeira para crianças e jovens, e existe um a analfabetismo financeiro para parcela considerável da população, onde acreditam ser normal gastar mais do que ganham, comprar sem necessidade ou mesmo pagar taxas elevadíssimas de juros.

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