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ENTREVISTA

Dependência financeira ‘prende’ mulheres a agressores, diz secretária

Falta de dinheiro e de emprego dificulta o distanciamento de mulheres vítimas de violência de relacionamentos complicados

18 MAR 2018 - 06h:30Por Valdecir Cremon

É mais difícil, senão impossível, a mulheres sem qualificação profissional e sem emprego se desvencilharem de relacionamentos com agressores, que sempre terminam em episódios de violência e traumas. A secretária municipal de Assistência Social de Três Lagoas, Vera Helena Arsioli Pinho, diz acreditar que estes fatores superam a qualquer sentimento de ligação entre vítimas e agressores.

Por isso, aposta na qualificação profissional das vítimas como saída para reduzir casos de violência. E apoia a campanha “Mulher Protegida”, do Grupo RCN de Comunicação, pela instalação do botão de pânico em Três Lagoas, para acionamento da polícia.

Segundo dados da Polícia Civil, a cidade tem quatro casos de violência doméstica por dia, mas, apenas 11% das vítimas procuram ajuda geralmente porque dependem financeiramente de seus companheiros.

Jornal do Povo - Por que um número tão pequeno de mulheres agredidas procura por ajuda?

Vera Helena - O que mais prende as vítimas aos seus agressores é a dependência financeira. Elas ficam preocupadas em como vão sobreviver e como vão tratar de filhos, porque é o marido quem paga as contas da casa, que alimenta a família. Por isso, se submetem à violência. E muitas ainda preferem parar os casos apenas após o registro de boletim de ocorrência.

JP - Significa que as mulheres desconhecem o poder que têm ou precisam de apoio mais qualitativo?

Vera Helena - Acho que as duas coisas. Por isso, estamos atuando em parceria com outras secretarias municipais e com a Casa do Trabalhador para oferecer qualificação e encontrarmos trabalho. E, ainda, tem a questão do empoderamento. Queremos que estas mulheres se tornem independentes e que possam exercer seus direitos.

JP - Como funciona a parceria com a Casa do Trabalhador?

Vera Helena - A Casa do Trabalhador seleciona mulheres que indicamos para trabalhar em empresas, que também são nossas parceiras. Mas, isso ocorre em um formato de sigilo para que elas não sejam expostas a novos perigos.

JP - Dentro da sua secretaria há programas específicos para apoio a essas mulheres?

Vera Helena - Sim. Temos uma equipe que trabalha concentrada sobre casos de violência, para receber e apoiar as vítimas, inclusive com o funcionamento das “casas de apoio”, que são residências que adaptamos para que elas possam se mudar com filhos e permanecer pelo tempo que for preciso. Nós queremos que essas mulheres saibam que temos uma rede forte de proteção.

JP - Sobre o botão de pânico. Qual sua opinião?

Vera Helena - Sou totalmente favorável a essa campanha do Grupo RCN de Comunicação porque as mulheres necessitam desse mecanismo de proteção e para fazerem cumprir medidas protetivas. Não é mais o caso de apenas perdoar e prosseguir com uma vida de perigo e humilhação.

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