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ENTREVISTA

Depois de um ano cheio de desafios, pecuária deve ter crescimento em 2018

Expectativa é do pecuarista e ex-presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas, Marco Garcia, que estima melhora no consumo

4 FEV 2018 - 07h:15Por Sergio Colacino

Entre os setores que encararam dificuldades em 2017, poucos sofreram tanto quanto a pecuária. Depois de um começo de ano aparentemente tranquilo, um furacão tomou conta do setor, que viu os negócios abalados pela Operação Carne Fraca, por delações de executivos de grandes frigoríficos, fechamento de abatedouros e aumento de impostos. Nada disso, no entanto, foi suficiente para acabar com o otimismo dos pecuaristas. Se não foi como esperado, 2017 pelo menos apresentou recuperação nos últimos meses, com a alta nas exportações. Ainda não é o ideal, mas deixa a expectativa para um 2018 de crescimento. Para o pecuarista e ex-presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas, Marco Garcia, o aquecimento da economia tende a levar à volta do consumo. Em entrevista ao programa “Cenário RCN – Desafios e Perspectivas 2018”, ele falou sobre o panorama do setor e as previsões para o ano.

Jornal do Povo – O ano passado foi bem difícil para a pecuária. Podemos dizer que foi o mais complicado dos últimos tempos?
Marco Garcia - Sem dúvida nenhuma 2017 foi um dos anos, senão o maior ano de desafios para a pecuária, que é uma das principais atividades da região. O ano começou de forma normal, sem muitas oscilações, mas de março para frente foi uma sequência de acontecimentos como a Operação Carne Fraca, depois vieram as delações, aumento de impostos para o consumidor, volta do Funrural, fechamento de algumas plantas, interrupção de compras. Foram seis, oito meses muito difíceis que no final do ano começou a dar uma melhorada principalmente por causa das exportações.

JP – Esse crescimento das exportações foi suficiente para recuperar o prejuízo?
Garcia - O mercado consumidor que fica no Brasil corresponde a 80% do que a gente produz e ainda não reagiu, não acompanhou o crescimento das exportações. Então esse aumento [exportações] é bom, mas não pesa muito na balança. O cenário ainda está com preços bastante defasados, nós estamos com preços que remetem a 2014. Por isso temos boas perspectivas para 2018, pois a simples volta de aquecimento da economia tende a voltar o consumo e melhorar para todos os setores, inclusive a pecuária.

JP – As exportações tiveram destaque no ano passado. Para o agronegócio em um todo, fez diferença?
Garcia - É fundamental, por exemplo, para o setor da celulose, que é o outro grande mercado que nós temos no agronegócio aqui da nossa região. O mercado da celulose, que traz números muito positivos, não só para a cidade, mas também para o Brasil, faz muita diferença e nós temos esse mercado em alta. Nós tivemos no ano passado um cenário muito positivo para a celulose porque houve aumento de consumo e aumento de preços. As exportações aumentaram e os preços aumentaram. 

JP – E 2018 pode ser melhor que o ano passado?
Garcia - É possível ser melhor. Existem dois pontos fundamentais: a continuidade das reformas e as eleições. O investidor precisa ter segurança para investir, e um país endividado não passa essa segurança. E o mercado também quer saber qual presidente estará à frente do país em 2019 para que os investimentos, normalmente a longo prazo, sejam feitos. Um candidato que traga segurança, que ataque os pontos das reformas, na diminuição do peso do Estado e que tenha tranquilidade de não oscilar nas decisões. A eleição tem que passar isso, cada candidato precisa deixar claro a forma que pretende governar o país. Com candidatos que passem essa segurança, com certeza o país vai se tornar alvo de grandes investimentos. 

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