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ENTREVISTA

Economista afirma que Três Lagoas é refém de incentivos fiscais

Entre outros assuntos, em uma projeção até o fim do ano, Marçal Rogério Rizzo aponta setores favoráveis à retomada econômica três-lagoense

8 OUT 2017 - 07h:00Por André Barbosa

Em uma projeção para os dois últimos meses do ano, o economista e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Marçal Rogério Rizzo acredita que pouco será sentido no setor, em Três Lagoas. ‘Desemprego, custo de vida alto e um parque industrial pouco diversificado’ são fatores apontados pelo profissional da área de economia, que afirma ainda, que quase todo cidadão três-lagoense quer ver logo, o final de 2017. Entre outros assuntos, Marçal aponta setores favoráveis ao crescimento econômico três-lagoense e afirma que o município se mantém refém de incentivos fiscais.

 

Em sua visão, como está a situação econômica de Três Lagoas, no momento?

Marçal Rizzo - O Brasil vive uma grave crise econômica. Uma economia para estar no bom caminho deve crescer, gerar empregos, distribuir renda e ter a inflação controlada. Hoje, com exceção este último item, o restante está em péssimo estado. Três Lagoas vive os efeitos dessa crise. Colhemos os frutos da péssima condução que nossos governantes vêm dando à economia nos últimos anos. Quando o país estava crescendo, investimos muito mal nosso dinheiro público, o que não gerou efeitos positivos como deveria. A cidade está bem localizada, possui vários recursos naturais em abundância, mas, ainda sofre com a ausência de uma infraestrutura urbana e de logística adequada. Isso desestimula novos investimentos. Nosso parque industrial também é pouco diversificado o que nos torna vulneráveis. Infelizmente, ainda somos reféns dos incentivos fiscais.

 

Estamos a apenas dois meses de 2018, a avaliação é positiva? O que podemos esperar para até o final do ano?

Penso que todo brasileiro esteja torcendo para que o final de 2017 chegue logo. A economia é movida por expectativas e, ao que parece, já não há confiança nenhuma no Governo Federal atual. É um Governo que se arrasta e tenta permanecer no poder na base do custe o que custar. Até o final do ano, acredito que a economia não irá mudar muito, justamente por não existir ambiente favorável que estimule investimentos que é a variável principal para o crescimento econômico e retomada de empregos. Todo mundo pensa, faz contas, analisa os possíveis efeitos antes de tomar qualquer decisão que envolva recursos financeiros. Devemos lembrar que o desemprego continua assolando as famílias e, nosso custo de vida é alto se comparado a nossa renda.

 

Com a compra confirmada da Eldorado e a liberação de venda da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN 3), o que podemos esperar economicamente, no município? Quais setores sofrerão mudanças?

São duas notícias positivas para a economia do município. No entanto, destaco a liberação da venda da UFN 3, uma vez que é uma planta industrial que está inacabada que, quando estiver funcionando, poderá gerar milhares de empregos diretos e indiretos. De negativo, pode ser que aumente o custo de vida na cidade e que atraia milhares de pessoas em busca de empregos. Com relação ao setor imobiliário, penso que sempre haverá pressão para cima com notícias dessa envergadura, mas andando pelas ruas, vejo que existe uma oferta enorme de imóveis para a venda e para alugar.

 

A atual pesquisa do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou um cenário negativo no setor. Isso tem alguma influência econômica a curto prazo?

A curto prazo, quiçá os empregos temporários para as festas de Natal e Ano Novo. Agora, o problema maior é que o Governo atual não consegue criar fatos que anime novos investimentos. Há setores que poderiam ser estimulados, todavia, devido à crise política contínua, a administração federal não cria o devido foco na economia.

 

Afinal, o que poderia fomentar o setor econômico em Três Lagoas?

Três Lagoas, devido as suas especificidades e localização, tem plenas condições de ser, ao mesmo tempo, uma potência na geração de energia (hidroelétrica, biomassa, termoelétrica e solar) e diversificar seu parque industrial. Tem condições de ser uma cidade universitária e de qualificação de mão de obra. O setor da agropecuária já é forte e, por fim, se houver uma política pública séria que guie o setor de turismo, podemos fazer diferença nesta área. Entretanto, tudo isso tem que ser pensado, planejado e fomentado.

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