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INVESTIGAÇÃO

Eldorado Brasil pagou R$ 33 milhões a operador de Eduardo Cunha

Empresa de celulose é apontada em possíveis esquemas de corrupção na liberação de empréstimos

15 AGO 2016 - 10h:47Por Ana Cristina Santos

A empresa de celulose Eldorado Brasil, com fábrica em Três Lagoas, pertencente ao grupo J&F, que também é dono da JBS, teria pago cerca de R$ 33 milhões em contratos de consultoria na área de energia para empresas ligadas a Lúcio Bolonha Funaro, apontado como operador do ex- presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), segundo reportagem publicada neste domingo pelo Jornal Estadão.

Segundo a reportagem, os pagamentos foram feitos em parcelas mensais, ao longo do ano de 2013, para três empresas: Serra da Carioca Comercializadora de Energia, Araguaia Comercializadora de Energia e Viscaya Holding. O primeiro pagamento, conforme dados que o Estadão teve acesso, ocorreu em dezembro de 2012.

De acordo com o Estadão, Funaro foi acusado pelo ex-vice-presidente da Caixa, Fábio Cleto, de ter montado um esquema para pagamentos de propinas para liberação de empréstimos do FI-FGTS, o fundo que usa recursos do FGTS para investir em projetos de infraestrutura. O esquema teria envolvimento do próprio Cunha.

Entre as empresas citadas por Cleto, segundo o jornal, que teriam participado do esquema, está a Eldorado, que recebeu, em dezembro de 2012, R$ 940 milhões do FI-FGTS. Nessa mesma época, começaram os pagamentos de consultoria para Funaro, que nega as acusações feitas por Cleto.

Em julho deste ano, a Eldorado teve documentos apreendidos pela Polícia Federal, na Operação Sépsis - um desdobramento da Operação Lava Jato, que investiga possível esquema de corrupção na liberação de recursos públicos à iniciativa privada.

A empresa tornou-se alvo de investigação após a J&F ser citada em delação premiada por Fábio Cleto, que revelou um suposto esquema de propina em operações envolvendo fundo. Ele revelou que o Cunha , teria recebido propina pela liberação de empréstimos destinados à Eldorado.

A empresa teria solicitado inicialmente R$ 1,8 bilhão, mas conseguiu R$ 940 milhões. Sobre este valor, Cunha teria recebido valor superior a 1% de comissão. Em nota enviada ao JPNews, a empresa diz que "após processo de busca e apreensão realizado em 1º. de julho de 2016, a Eldorado contratou escritório de advocacia Veirano Advogados e empresa de investigação Ernst & Young  para apuração das alegações relacionadas ao processo de financiamento com FI-FGTS. Os trabalhos estão em andamento. A Eldorado reafirma seu compromisso de atuação transparente, reitera que todas as suas atividades são realizadas de acordo com a legislação em vigor e permanece à disposição dos órgãos públicos para quaisquer esclarecimentos adicionais"

OBRAS
Em razão do possível envolvimento em esquemas de corrupção, as obras de ampliação da fábrica da Eldorado, em Três Lagoas, sofrerão atrasos no seu cronograma. Conforme divulgado pelo JPNews, a segunda linha da empresa não entrará em operação em 2018, como previsto.

Mesmo com obras iniciadas, a Eldorado não conseguiu juntar todo o recurso necessário para o projeto de expansão. A empresa afirma que trabalha na “estruturação de capital” para a instalação de sua segunda linha de produção de celulose, que demandará investimento de R$ 8 bilhões.

Conforme cronograma inicial, divulgado em 15 de junho do ano passado, pelo presidente da empresa, José Carlos Grubisich, a Eldorado pretendia colocar em operação a nova linha em 2018. 

Matéria editada para acréscimo de informações às 13h31

 

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