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EUCALIPTO

Expansão de florestas dependerá de novas fábricas

Arrendamento de áreas para novos plantios só vai acontecer se houver a instalação de mais indústrias de celulose no Estado

13 MAI 2017 - 08h:13Por Ana Cristina Santos

Devido ao grande volume de hectares de floresta de eucalipto plantados no Mato Grosso do Sul e do excedente já disponível no mercado, o presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas, Marco Garcia de Souza, disse que as oportunidades de arrendamento de áreas para novos plantios só vai acontecer se houver a instalação de mais indústrias de celulose no Estado. 

Atualmente, as florestas plantadas já seriam suficientes para atender a demanda das duas fábricas de celulose da Fibria e Eldorado, instaladas em Três Lagoas. Em curto prazo, Souza não acredita na possibilidade de que novas áreas sejam arrendadas para a plantação de eucalipto. “A tendência hoje é não ter parceria em curto prazo se as florestas não tiverem próximas das fábricas, a não ser que mude o cenário”, disse o presidente do Sindicato Rural, referindo- se ao projeto de expansão da Eldorado Brasil, bem como da instalação de outras fábricas de celulose na região, como já cogitado há alguns anos.

“A construção da segunda linha da Eldorado, bem como a vinda de outra fábrica para Santa Rita do Pardo, Inocência e Ribas do Rio Pardo- três cidades sondadas para a instalação de novas indústrias- abriria uma nova área, um novo campo para ampliação e oportunidades de parcerias para arrendamento. Porém, sem esses projetos, a tendência hoje é não ter arrendamento em curto prazo”, destacou.

Apesar da crise que começa a atingir o setor, a previsão inicial é de que os proprietários da região que arrendaram terras para o plantio de florestas, não sejam prejudicados porque se basearam em contratos longos. Alguns até de 15 anos, como no caso dos estabelecidos com a Fíbria. Alguns já foram, inclusive renovados. Já em relação aos contratos estabelecidos com os produtores, na Eldorado, por exemplo, segundo ele, começam a vencer a partir de 2025. “Até lá, essas empresas vão respeitar os contratos. Após isso, a renovação por mais 15 anos, vai depender do cenário futuro. Então, em curto prazo, pensando nos próximos cinco anos, tudo o que está arrendado, tende a continuar produzindo e as parcerias se manterem”, disse. 

REBANHO 

Ainda segundo o presidente do Sindicato Rural, 40% das áreas produtivas de pastagens de Três Lagoas foram transformadas em florestas. Ele explicou que houve uma forte diminuição no rebando bovino no município que, há 15 anos era de um milhão de cabeças. Atualmente o rebanho local não chega a 600 mil. “A área de pastagem ainda é maior do que a de florestas, não só aqui no município, mas no Estado. Há dez anos, tínhamos na região Leste do Mato Grosso do Sul, seis milhões de hectares com pastagens degradadas, que estariam disponíveis para novas culturas, como eucalipto, cana, agricultura ou mesmo para reforma de pastagens. É muita área disponível ainda e cada vez que a gente se distancia de Três Lagoas, vai prevalecendo a pecuária e a área de pastagem vai aumento. As plantações de eucalipto precisam estar próximas das indústrias”, comentou.

Para o presidente do Sindicato Rural, o proprietário precisa fazer contas na hora de definir qual o melhor caminho, se investir na pecuária, ou no arrendamento de terra. Atualmente, a fase da pecuária, segundo ele, não é tão boa, porém é um mercado que oscila bastante. No entanto, disse que é preciso analisar o índice de produtividade, o custo de produção, que tem que ser baixo. “Cada produtor tem que saber se o seu negócio, se sua atividade está dando retorno e comparar com a proposta feita pela indústria, que só fará uma boa oferta, se a área estiver em um raio que seja interessante para ela”, frisou. 

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