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Fábricas de celulose terão de apresentar relatórios de odores

Picos de odores são normais, segundo órgão, e persistirão até que haja a estabilidade no funcionamento da Eldorado

11 DEZ 2012 - 08h:27Por Redação

Embora a inauguração oficial da Eldorado Brasil aconteça amanhã, a fábrica já iniciou a produção de celulose. Com isso, odores de celulose podem ser sentidos em diversos bairros da cidade. Segundo a responsável pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), Délia Villamayor Javorka, é normal, inclusive previsto na legislação ambiental, que a empresa em determinado momento na fase de comissionamento e pré-operação provoque esses pequenos distúrbios.

Apesar disso, ela informou que esse tipo de odor é passageiro e não é intermitente, ou seja, não provoca dor de cabeça, náusea e vômito, porque a concentração é bem baixa. “O olfato humano é muito sensível e por isso perceptível por conta da mercaptanas”, destacou. Délia disse que, assim que estiver normalizada a operação da fábrica, a tendência é de que a população não sinta mais esse cheiro. “Faz tempo que não sentíamos o cheiro da celulose. Hoje, estamos sentindo porque a Eldorado está em fase de operação e, até ela se estabilizar, vamos sentir um pouco de odor na cidade. Não há o que o órgão ambiental fazer, pois isso está previsto na legislação, e o Ministério Público sabe disso. O que podemos solicitar é que as operações sejam feitas da melhor maneira possível, evitando assim incômodos à população”, frisou a fiscal do Imasul.

Em razão das reclamações que foram feitas nos últimos dias no Imasul, ela solicitou que a Fibria e a Eldorado apresentem, até quarta-feira, relatórios da percepção de odores das duas fábricas de celulose. Délia ressaltou que as pessoas podem registrar suas reclamações a respeito do mau cheiro através dos telefones disponíveis para esse tipo de situação. O telefone da Eldorado para reclamação é o 0800-727905, e o da Fibria é o 0800-6428162. “Esse serviço funciona 24 horas e a pessoa pode ligar, identificar-se e informar o local em que ela está sentindo o odor”, explicou a fiscal do órgão.

REDE
De acordo com Délia, as duas empresas possuem a rede de percepção de odores, composta por pessoas treinadas.  Ela destacou que cada atividade tem o seu cheiro peculiar. “Da mesma forma que o curtume, por exemplo, tem o cheiro que é inerente à atividade dele, como a geração e emissão gasosa”, exemplificou.

Em decorrência das atividades fabris que são geradoras de odores, a fiscal do Imasul afirmou que não tem como a cidade deixar de conviver com esses problemas. “Outro dia senti um odor diferente à noite. Liguei para várias empresas a fim de identificá-lo. Era um cheiro atípico que nunca tinha sentido, mas não consegui identificar”, comentou.

Quanto ao mau cheiro provocado pela Estação de Tratamento de Esgoto do Jardim Planalto, Délia disse que o odor também é inerente à atividade. Quando a estação foi licenciada, segundo ela, não existiam loteamentos próximos, entretanto, com o passar dos anos, vem aumentando o número de moradias no seu entorno. “As pessoas que moram ali perto, infelizmente, sabem que vão ter que conviver com esse problema. Diferente de uma indústria que tem chaminés em uma determinada altura, uma estação de tratamento é no solo e, conforme a direção dos ventos, o odor é sentido em outras regiões. À noite é pior ainda, já que ocorre uma inversão térmica”, disse.

Délia destacou que as fábricas de celulose estão há mais de 20 quilômetros da cidade, mas os ventos trazem os odores. “Não há o que ser feito. O que precisa é se preocupar com as concentrações de gases, se eles são nocivos ou não à população e se estão acima dos valores permitidos pela organização mundial de saúde. É importante ressaltar que o órgão ambiental só pode tomar as medidas cabíveis dentro da lei. Quanto à questão do odor, a legislação não tem parâmetros para isso”, salientou.

QUALIDADE DO AR
De acordo com a fiscal do Imasul, existem três estações de monitoramento da qualidade do ar em funcionamento na cidade. A de responsabilidade da Fibria está localizada na escola do Parque São Carlos, e a da Eldorado no terreno do 1º Distrito Policial e da fábrica de fertilizantes da Petrobras, no Senai. Todos os meses, as empresas encaminham relatório ao Imasul, e, segundo Délia, a qualidade do ar em Três Lagoas é satisfatória. Até março do próximo ano, todos esses dados poderão ser acompanhados on-line, já que estarão disponíveis no site do órgão.

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