Rádios On-line

Facção criminosa movimenta milhões no Estado

Operação contou com a participação de 160 agentes

27 MAI 2013 - 08h:42Por Redação

A facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios de Mato Grosso do Sul movimentou, em apenas sete meses, o montante de R$ 3 milhões. A constatação é do Ministério Público Estadual que coordenou, ontem, a operação “Blackout” em seis municípios do Estado. 

Por meio de nota, o  coordenador do Grupo de Atuação Especial ao Combate ao Crime Organizado (Gaeco), promotor de Justiça Marcos Alex Vera de Oliveira, informou que o montante equivale às movimentações feitas de novembro de 2012 até agora. Ao todo, 140 contas bancárias foram bloqueadas pela Justiça.

As informações foram apresentadas durante coletiva à imprensa, realizada na sede da Procuradoria do MPE, em Campo Grande, e que contou com a participação do diretor-presidente da Agência Estadual de Administração Penitenciária (Agepen), coronel Deusdete Oliveira, e do comandante geral da Polícia Militar, coronel Carlos Alberto David dos Santos. 
 
A operação teve início por volta das 5h de ontem e aconteceu simultaneamente nos municípios de Três Lagoas, Corumbá, Campo Grande, Ponta Porã, Nova Andradina e Dourados.

Ao todo, 160 agentes, entre policiais do Gaeco, da PM e agentes penitenciários, participaram da ação, que contou também com o empenho de 45 viaturas. 

De acordo com o coordenador do Gaeco, os policiais cumpriram 43 mandados de prisão preventiva dos 55 expedidos pela Justiça. Durante a ação, foram apreendidas diversas anotações, documentos bancários e R$ 4 mil em dinheiro. 

Oliveira explicou que a operação teve caráter preventivo, pois visa identificar lideranças, dificultar movimentação bancária, bloqueio de sinais e prisão de colaboradores. Ele disse ainda que foram encaminhadas ao Poder Judiciário ações penais contra 55 integrantes da facção, todas na Justiça Estadual. 

Entre os presos na ação, está uma advogada de 27 anos, recém-formada, de Campo Grande. Ela é acusada de servir como “sintonia dos gravatas” – cuidando do braço jurídico do grupo e transmitindo recados das lideranças. Entre as ações dela, que tem um relacionamento amoroso com um dos integrantes da quadrilha, está a alteração da cena do crime.

 Além disso, o Ministério Público Estadual também viabilizou, durante a operação, medidas para a transferência de lideranças dessa facção do Presídio Federal de Campo Grande. Quase 40 presos teriam sido transferidos.

INVESTIGAÇÃO
A operação é fruto de investigações desenvolvidas pelo Gaeco depois de uma série de ações criminosas de integrantes dessa facção no Estado. Entre elas, o assassinato de Otacílio Pereira de Oliveira, 60 anos, policial militar aposentado, morto na primeira quinzena de março, em Três Lagoas. Na época, uma ação conjunta entre PM, Polícia Civil, Garras e Secretaria de Segurança Pública, identificou 21 envolvidos no crime – arquitetado para demonstrar a “força do crime organizado” em Mato Grosso do Sul. Desse total, ao menos cinco permanecem foragidos.  Otacílio foi executado em frente à casa dele quando retornava do trabalho. Ele atuava como mototaxista na cidade. Entre os que continuam foragidos após a operação, ao menos três seriam de Três Lagoas.

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