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ENTREVISTA

Fiems cobra mais agilidade no socorro financeiro aos empresários

Sérgio Longen expôs dificuldades dos empresários diante a disponibilidade de crédito viabilizado pelo governo

5 ABR 2020 - 08h:00Por Beatriz Magalhães

A pandemia da Covid-19 tem causado alertas no mundo todo e após o pronunciamento do Presidente da República, Jair Bolsonaro, na última semana de março, lojistas e empresários da Campo Grande estão pleiteando junto à prefeitura a possibilidade de retomar as atividades comerciais, mesmo que parcialmente. No dia 26 de março, o prefeito de Campo Grande, Marcos Trad, fez novo decreto para se ajustar a um decreto federal, permitindo algumas flexibilizações no comércio, como as lotéricas, indústrias, construção civil e igrejas.

Com o objetivo de traduzir o sentimento do empresariado em relação ao apelo que vem sendo feito para retomar gradativamente as operações de formas normais, Ginez César e Ingrid Rocha entrevistaram o presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul - FIEMS, Sérgio Longen, na Rádio CBN Campo Grande.

Ele disse que boa parte das medidas de socorro financeiro anunciados pelo governo federal ainda não refletiram na prática para pessoas e empresas. Segundo Longen, o momento exige agilidade e menos burocracia. “O empresário não sabe se paga imposto ou paga os salários dos funcionários”, disse  presidente da Fiems ao reforçar que as medidas precisam chegar na “ponta”. Ele também destacou que o setor industrial elaborou uma pauta com sugestões capazes de aliviar a pressão sobre as empresas e que o documento foi levado ao governo do Estado e ao governo federal, por meio da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

Percebemos  que há um movimento para retomar essa atividade no Brasil, qual a opinião da FIEMS em relação a tudo isso? 

sérgio longen Em primeiro lugar, nós passamos por um período de pânico da doença e avaliamos que se feita as prevenções, atendendo os protocolos do Ministério da Saúde, é possível trabalhar e também cuidar das pessoas que estão fazendo suas atividades, mas a polêmica foi quando o Presidente Bolsonaro veio a público dizer que nós precisamos retomar a economia em meio a uma pandemia enorme. Isso assustou a população, dividiu opiniões, trazendo política no meio do assunto, o que nos preocupou, e de certa forma, nós começamos a avaliar e discutir, até porque se os protocolos estão sendo seguidos, entendemos que poderíamos iniciar a flexibilização. 
Vale destacar que eu tenho conversado com muitos prefeitos, principalmente com o prefeito Marcos Trad. Conversei com o secretário Luís Eduardo Costa que também participou de discussões que envolvem setores como o da construção civil, conversei também com o Alexandre Ávalo, procurador geral de Campo Grande,para discutir parâmetros da lei.

Eu entendo que nós precisamos encontrar um formato para que esses setores também não morram, permitindo que alguns setores possam evoluir na produção respeitando os protocolos de segurança, e é nesse ponto que nós estamos amadurecendo e discutindo ações. Entendo que evoluímos um pouco, em Campo Grande, com esse decreto que foi editado ontem à noite (26). Outras reuniões estão sendo feitas hoje não só com o prefeito de Campo Grande, mas também com o Secretário do Meio Ambiente, Jaime Verruck, além de prefeituras do interior. Estamos avançando com essas discussões, e eu entendo que o caminho é esse. Precisamos dar segurança e seguir os protocolos. 

Desde que houve toda a preocupação provocada pelo coronavírus, e as pessoas passaram a seguir a orientação do isolamento social, foram desenvolvidos vários pacotes de emergência e liberação de crédito, por exemplo. Tudo isso foi anunciado de forma intensa mas o empresário consegue obter os benefícios que estão disponíveis, ou o Governo Federal está tendo dificuldades para colocar em prática esse crédito ou ajuda financeira que tanto vem falando?

Os benefícios ainda não chegam na ponta. Estamos com muitas dificuldades operacionais, das linhas de crédito. Vamos colocar a seguinte situação: é lançado cerca R$ 10 bilhões para as pequenas empresas, mas o pequeno empresário que está com sua atividade comprometida, com problemas financeiros e dificuldades de pagamento, não tem crédito no banco. Sendo assim, há o benefício, mas há também uma grande a burocracia, o que acaba não permitindo que esse benefício chegue na ponta. 

Nós precisamos encontrar um meio termo para isso, coisa que nós não estamos conseguindo. Outra situação, por exemplo, que eu venho cobrando bastante do Governo do Estado é a posição frente os impostos, nós não podemos deixar os nossos contribuintes inadimplentes. Temos um Refis do Estado vigente, de certa forma, e na minha opinião, precisaríamos ampliar e discutir bastante com o secretário Eduardo Riedel, para que dessemos uma condição para que o contribuindo não ficasse inadimplente. A minha sugestão é que a gente amplie esse Refis vigente. 

Conversei com o Presidente da Assembleia Legislativa, deputado Paulo Corrêa, para que pudéssemos ampliar esse debate. 

Muitos empresários têm me ligado, presidentes de associações comerciais também, com demandas enormes frente a parte tributária, e não temos conseguido evoluir. É a mesma situação dos créditos, temos falado, procurado, conversado, também com os municípios. As restrições foram criadas e agora nós precisamos destravar, de alguma forma, todo essa confusão que foi construída.

É sempre colocado na  mídia que os anúncios de investimentos feitos pelo Governo. Na sua visão esse socorro é mais midiático do que prático ou existe um motivo para essa demora? 

As coisas estão acontecendo, não posso dizer o contrário. O Governo lança e está andando, mas não anda na velocidade necessária. Precisamos de mais velocidade e é isso que tem atrapalhado muito. Cada vez mais o setor empresarial entra em pânico, os trabalhadores também porque estão vendo que não flexibilizando a volta das atividades, por exemplo, com certeza vão perder os empregos. Então o momento é difícil, se não conseguirmos evoluir em algumas questões.

Sobre desburocratizar, falando exclusivamente do governo, já existe alguma pauta de reivindicação consolidada, não só para o governo estadual mas também para o federal para tentar articular isso de forma mais ágil? 

Sim. Nós temos a  nível federal a CNI, que vem fazendo reuniões permanentes do comitê, que compõe a CNI, conversando com o secretário especial de produtividade, Emprego e competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, com o Ministro Paulo Guedes, e também com o presidente Bolsonaro, que tem nos atendido de uma maneira bem simples e rápida. 

Agora, destravar a burocracia brasileira não é algo fácil, por exemplo, não conseguimos produzir álcool por conta de uma autorização e há uma grande necessidade de álcool no mercado, mas não conseguimos evoluir, por causa de uma autorização. A burocracia brasileira avançou tanto que mesmo agora, todos querendo destravá-la, não conseguimos avançar. Sendo assim, eu entendo que o momento é muito delicado, mas não podemos perder a fé e a esperança. Temos que acreditar, avançar, não desistir e eu acredito que vamos superar essa fase mesmo sabendo que estamos iniciando um período de grande crise. Mas eu tenho fé e acredito na união de todos, nós vamos evoluir e superar essa fase.

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