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Folia de Reis começa dia 26 em Três Lagoas

Cortejo de Folia de Reis é uma das manifestações culturais mais antigas do país

21 DEZ 2012 - 07h:29Por Arthur Freire/JP

O presépio decorado com muitas fitas coloridas, montado logo na entrada da casa, demonstra que o mestre da Folia de Reis “Os Castilhos”, Waldemar Martins Castilho, 71, é devoto dos Três Reis Magos. Paciente, ele contou à equipe de reportagem do Jornal do Povo que está à frente do grupo há 48 anos. Começou ainda menino quando ia aos festejos junto com o pai. “Somos seis irmãos, mas somente eu dei continuidade à tradição, que se iniciou com meu avô”, disse.

Na verdade, segundo Castilho, tudo começou depois de uma promessa. Ele tinha problemas de saúde, e o pai prometeu ao Reisado que se o filho obtivesse a cura seria um futuro cantador de Folia de Reis. “Sou a prova da fé. Cantar Folia de Reis é meu jeito de seguir a Deus. O Santo Reis é muito milagroso”.

O mestre é tão agradecido que faz questão de dividir as bênçãos com os três-lagoenses. Todo o final de ano ele usa, integralmente, o 13º salário no grupo “Os Castilhos”. A verba é utilizada na compra de fitas de cetim, reposição de peças de uniforme, instrumentos, entre outros utensílios. Nas fitas, ele faz questão de escrever à mão uma mensagem de otimismo, algo que fale de paz, fé, prosperidade etc. Essas fitas são deixadas nas casas por onde a folia passa.
Neste ano, o período da cantoria que leva a benção da Folia será de 26 de dezembro a 6 de janeiro. De acordo com Castilho, o grupo visita em média, por dia, 17 casas na cidade. Já na zona rural, o número cai para nove, em razão da distância entre um sítio e outro. “Na roça, percebo que a tradição da Folia de Reis está mais viva do que na cidade. Eles fazem questão de segurar a bandeira, de pendurar uma fita na porta. É uma fé boa de compartilhar”, contou. E disse também que os sitiantes ressaltam que a passagem da Folia na propriedade traz prosperidade, saúde e paz. “Sempre pedem para colocar uma fita no curral dos animais”, frisou.
O grupo “Os Castilhos” passa por onde é convidado. Conforme disse o mestre, a folia não pode voltar pelo mesmo lugar de onde veio, por isso é uma grande responsabilidade montar o trajeto. Disciplinado e por conta da idade, ele só anda durante o dia.

O mestre descreve-se como um repassador de história. Para manter a tradição familiar da Folia, Castilho já envolveu o filho caçula no grupo. A esposa também é uma grande colaboradora, principalmente com a preparação do jantar de encerramento. É que faz parte dos festejos realizar no fim das andanças a reza do terço, jantar e baile. A data da festa de encerramento deste ano ainda não foi definida. Provavelmente, será no dia 12 de janeiro no rancho West Country.

É comum que as famílias que recebem as bênçãos da Folia de Reis façam doações de alimentos ou dinheiro como forma de agradecimento. Os donativos são utilizados na preparação da festa de encerramento. 

História
Folia de Reis é um festejo de origem portuguesa ligada às comemorações do culto católico do Natal, trazido para o Brasil ainda nos primórdios da formação da identidade cultural brasileira, e que ainda hoje se mantém vivo nas manifestações folclóricas de muitas regiões do país. Ela apresenta um caráter profano-religioso, fazendo parte do ciclo natalino, anualmente realizado entre 24 de dezembro e 6 de janeiro, quando se realizam as comemorações do nascimento de Jesus com várias festividades e festejos populares, dentre eles os Congados, a Folia de Reis, o Império do Divino, o Reinado do Rosário e Pastorinhas. 

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