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ANIVERSÁRIO 102 ANOS

Estação ferroviária foi palco de romantismo e de lazer, relembra dona de casa

Em Três Lagoas há quase 50 anos, moradora relembra momentos românticos em vagões de trem

15 JUN 2017 - 08h:00Por Steffany Pincela

“Foram muitos trechos. Sempre andei de trem. Vinha de Campinas (SP) a Três Lagoas, ia para Andradina e andava dentro da cidade também. Era tudo igual a hoje. O que diferenciava no local é que, na época, havia movimento”. É o que conta a dona de casa Dolaris Bispo Pincela, de 71 anos, moradora de Três Lagoas há quase meio século, sobre a antiga estação ferroviária e o costume de passear no trem.

São lembranças, sentimentos que, segundo ela, não saem da memória e do coração. Relembrando a história, trata-se de um local que marcou muita gente que viveu em Três Lagoas. Na estação ferroviária, inaugurada em 1912, se viu lágrimas, sorrisos, despedidas, romances, abraços sinceros, outros angustiados. Não é à toa, que dois anos antes, o pátio de obras havia sido o responsável pela fundação da futura cidade de Três Lagoas, que, acabou "nascendo" com o trem.

Em comemoração ao aniversário de Três Lagoas, em 15 de junho, o site JPNEWS preparou uma série de reportagens especiais que revelam fatos históricos que marcaram o município, o crescimento econômico e curiosidades. As reportagens serão publicadas até esta quinta-feira, quando a cidade celebra o aniversário.

A andradinense, moradora de Três Lagoas desde outubro de 1968, Dolaris Bispo Pincela, conta que quando se casou com seu único esposo, Alberto Pincela, se mudou para o município e o trem era o meio de locomoção todos os sábados para visitar a família na cidade natal. “Nós saíamos às 14h no sábado e voltávamos só no domingo, às 23h. A viagem era demorada, mas era de fácil acesso, já que na época não tínhamos carro e a estação ficava bem próximo a minha casa,” relembrou.

Casal ficou junto por 47 anos e Alberto Pincela morreu há quatro anos. Foto: Arquivo/Pessoal

Pelo menos três prédios diferentes foram construídos para esta estação que se tornou sede do município crescendo com a ferrovia. A estação atual foi inaugurada em 1967.

Em 2006 a concessão passou para a América Latina Logística (ALL). Uma variante foi construída para passar fora da cidade, o que retirou os trilhos e os trens e também a estação de dentro da cidade. Ficou pronta em 2015.

Dona Dora, como é conhecida, conta também o quanto foi triste para os moradores, quando a notícia de que o trem não iria mais transportar pessoas, apenas cargas, foi dada aos moradores. “Foi uma tristeza. Muita gente precisava do transporte e andar de trem era bem mais barato do que pegar o ônibus, por exemplo”, ressaltou.

Em 2015, a concessionária anunciou que não haveria mais tráfego ferroviário para além da cidade, decretando assim a inutilidade dos trilhos da velha Noroeste em todo o estado. A estação foi completamente abandonada, tornando-se ocupada por moradores de rua e usuários de drogas.

Além de toda a extensão da área de servidão dos trilhos, o espaço que compreende a antiga Estação Ferroviária, localizada na avenida Rosário Congro, no Centro de Três Lagoas, continua abandonada.

Dora acredita que hoje tudo seja mais fácil, mas que sente falta dos momentos vividos naquela época, das viagens e dos romances com seu esposo, que faleceu há quatro anos após sofrer parada cardíaca. Eles ficaram casadod por 47 anos. “Nós andávamos de mãos dadas no trem. Ele, como sempre, cavalheiro comigo”, lembrou.

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