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ICMS afugenta o consumidor da região de Três Lagoas

Entrevista com o comerciante do ramo de construção civil Antônio Carlos Teixeira de Freitas

16 NOV 2012 - 07h:53Por Arthur Freire

O ramo de materiais de construção, apesar do desaquecimento em todo país, continua crescendo em Três Lagoas. Este crescimento poderia ser ainda maior, caso parte da população da própria cidade, como da região, consumisse no comércio da cidade, ao invés de cruzar a fronteira para fugir do Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS), ou se o mesmo não existisse. É o que garantiu em entrevista ao JP o comerciante do ramo de construção civil Antônio Carlos Teixeira de Freitas, 55 anos.

Natural de Andradina (SP), formado em Farmácia-Bioquímica, o comerciante é radicado na cidade há 27 anos, quando abriu com os irmãos a extinta loja de materiais de construção Aguapé. Um ano e meio depois abriu a própria loja, a Tietê, atualmente com duas unidades na cidade. Teixeira, como é mais conhecido, também atua no futebol, sendo vice-presidente do Misto Esporte Clube.

JP: Qual a situação do mercado de construção civil em Três Lagoas?

Teixeira: Apesar de o país estar em um momento de recessão, em Três Lagoas o mercado se mantém aquecido em virtude do crescimento da cidade. A concorrência vem aumentando muito, fruto das notícias sobre a cidade pelo país, atraindo diversos comerciantes do setor. 

JP: Como foi o crescimento da construção civil na cidade?

Teixeira: Nos últimos dez anos praticamente triplicou o número de lojas. Em 2002 a cidade comportava mais ou menos vinte estabelecimentos, hoje este número passa de 60.

JP: A maior parte das lojas que abriram em Três Lagoas foram iniciativas de empresários de outras regiões?

Teixeira: Sim. Na média, apenas as lojas de menor porte são de comerciantes locais. A maior parte das lojas, principalmente as de grande porte vieram de fora, no embalo da atração que a cidade vem exercendo.

JP: De onde partiu a vontade de deixar Andradina e vir para Três Lagoas abrir a loja em uma época de pouco destaque?

Teixeira: Em 1987 Três Lagoas ainda era bem pacata, quase não passavam veículos nas ruas. Meu pai tinha lojas de materiais de construção desde 1948 em Andradina. Meus irmãos já trabalhavam no ramo, e vieram para Três Lagoas abrindo a loja Aguapé. Vim com eles, pois financeiramente não estava bem trabalhando na área que me formei. Um ano e meio depois abri a loja Tietê.

JP: Os preços estão estáveis ou estão aumentando nos últimos anos?

Teixeira: Estão estáveis. Não estão ocorrendo grandes aumentos, apenas pequenos reajustes. O problema é que no Mato Grosso do Sul os materiais de construção são mais caros devido ao ICMS. Ao todo o encarecimento da obra chega a 20%, principalmente com o acabamento. O cimento é um valor praticamente unitário em todo país.

JP: Quanto o ICMS está prejudicado os comerciantes?

Teixeira: Com um imposto em torno de 17%, a maioria das pessoas da região não costuma fazer compras em Três Lagoas. O que acaba por diminuir os lucros e, afugenta para o Estado de São Paulo um dinheiro que iria fazer a economia local crescer ainda mais, gerando inclusive mais empregos. As pessoas que vivem no Bolsão fazem compras em Andradina. Raramente atendemos alguém de Aparecida do Taboado, por exemplo.

JP: A retirada do imposto faria com que a economia local e o estado crescessem?

Teixeira: Exatamente. Ou então as barreiras fiscais poderiam ser mais bem vigiadas. Como exemplo, cito que em um mês vendo em média 1500 m² de azulejo. A loja dos meus irmãos em Andradina vende em média 6000 m² ao mês. Isso evidencia o quanto as pessoas cruzam a fronteira com São Paulo para comprar mais barato. 

JP: Como o aumento da concorrência tem afetado os negócios?

Teixeira:
Apesar deTrês Lagoas estar crescendo em um ritmo maior do que as demais cidades, a concorrência está aumentando, as vendas então diminuíram. Os comerciantes para se manter precisam pensar em novas estratégias, modificando, melhorando a loja e o atendimento ao cliente.


JP: Qual o perfil do consumidor Três-Lagoense que consome na cidade?

Teixeira: As pessoas de origem mais humilde, da classe C. Eles costumam comprar tudo na loja. As pessoas de melhor poder aquisitivo, principalmente das classes A e B, compram apenas o básico, ou uma coisinha ou outra. O acabamento da obra eles trazem de São Paulo.

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