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ENTREVISTA

“Isolamento precoce foi positivo, temos o menor número de doentes”, diz Ayache

Diretor-presidente da rede de hospitais explica preparo e divisão de alas para tratamento dos infectados pela COVID-19

31 MAI 2020 - 07h:00Por Beatriz Magalhães

Em um momento desafiador o Diretor-presidente da Cassems, Ricardo Ayache, afirma que a instituição continua com investimentos na estrutura, ainda que em menor escala. Em entrevista ao jornalista Ginez Cesar, no quadro Cenário CBN 2020: Desafios e Perspectivas, Ayache fala ainda sobre o investimento em energia solar, que pode gerar, além de uma economia significativa, um cuidado maior com o meio ambiente. 

Como a Cassems está encarando toda essa situação da pandemia, no momento de crescimento da instituição?

Ayache Essa pandemia pegou todos de surpresa. Em Campo Grande, nós estruturamos um hospital de campanha para atendimento dos pacientes respiratórios, isolamos um andar inteiro do nosso hospital para internação dos pacientes e criamos mais uma unidade de terapia intensiva. Também ampliamos a nossa capacidade de atender os pacientes críticos, em uma estruturação da nossa rede hospitalar, de atendimento. Acreditamos que as medidas tomadas pelo poder público, de isolamento, bastante precoce, sendo até alvo de crítica, foram decisões assertivas. Somos o Estado com menor número de infectados, proporcionalmente menor índice de mortalidade e queremos que continue assim. Mas depende muito de a população seguir as orientações das autoridades de saúde quanto ao isolamento, proteções individuais e higiene, isso é muito importante. 

A Cassems é uma grande empresa que não vem crescendo à toa, e tem uma gestão que tem como meta um atendimento de qualidade. Qual o número de funcionário, municípios, número de atendimentos e impactos na instituição durante esta pandemia?

Ayache Nós temos 2.700 funcionários em todo o Estado, nas nossas unidades hospitalares, que são 10 e, em todas elas, realizamos cerca de 55 mil consultas eletivas por mês. Houve uma redução significativa, na casa de 40% desses números, assim como de exames e cirurgias eletivas que tiveram redução significativa. Esse momento é muito complexo, precisamos fazer o isolamento, voltar os esforços para os pacientes críticos, mas também precisamos retornar logo aos atendimentos em rotina de saúde para fazer prevenção e promoção da vida das pessoas. 

Em um primeiro momento da pandemia houve uma orientação para que só se fosse ao hospital se realmente tivesse uma necessidade. Agora, qual o protocolo do momento?

Ayache Continuamos assim ainda. A nossa curva está em ascensão. Nós estamos tendo um maior número de infectados por dia, maiores números de casos ainda. Observamos um aumento do número de internações nos últimos dias em razão da covid-19, então nós temos que ter ainda cautela nesse sentido. Obviamente que os casos de urgência, emergência e todas as doenças estão sendo atendidas, mas as consultas e cirurgias eletivas nós ainda estamos reservando para um próximo momento.

Vemos tantos casos e começamos a olhar para situações mais complicadas em outros estados que estão quase em colapso. Na Cassems, qual o retrato do momento? 

Ayache Dentro das nossas estruturas, em relação ao Coronavírus, está bastante tranquilo, com poucos casos de internação neste momento. E queremos, definitivamente, não precisar utilizar toda a estrutura que preparamos. Essa é uma doença grave, com uma mortalidade alta, então nosso desejo é de continuar com a ocupação baixa dos leitos voltados para a Covid-19. 

O que estava previsto e sendo feito, como desenvolvimento e expansão, que a equipe precisou reavaliar?

Ayache Temos vários projetos como a ampliação e reformulação absoluta do hospital de Dourados, esse está em andamento, mas um pouco mais lento neste momento. Também temos as ampliações e reformas dos hospitais de Paranaíba, Aquidauana, Três Lagoas e Naviraí. O momento é de expectativa porque há uma preocupação com o crescimento da inflação na área da saúde. Além disso, há também uma preocupação com a perspectiva de congelamento salarial dos servidores públicos pelos próximos dois anos, conforme tem sido discutido entre a presidência e os governadores. Isso traz, uma preocupação. Nossa receita é diretamente atrelada ao salário do servidor. Estamos aguardando um pouco para retomar esses projetos que estavam em andamento. 

Sobre a estação fotovoltaica, o abastecimento de energia solar seria para, exclusivamente, Campo Grande ou teria reflexos para outras unidades?

Ayache Para todas unidades Cassems, com exceção de Três Lagoas, que tem um projeto a parte, pelas peculiaridades da região. Estamos implantando uma usina com sete hectares em Terenos. Com isso, vamos gerar de energia o que seria suficiente para abastecer cerca de sete mil casas populares, um projeto grande.  Estamos agora na colocação das placas e até o final de julho, acreditamos que já esteja pronto. Além da economia, esse é um projeto que traz benefícios importantes para o meio ambiente. 

O que você, como profissional da área, projeta para os próximos meses, talvez até 2021, pós-pandemia?

Ayache Obviamente que esse momento traz grande apreensão para todo mundo. Nós poderíamos estar em uma posição melhor no enfrentamento da doença. As pessoas que estavam na onda de consumo desenfreado, sem reservas ou endividadas, perceberam que não dá para viver assim, então acredito que haverá uma racionalidade maior de consumo. Acredito também na criatividade da população, veja, têm restaurantes, buffets, que estão se reinventando com novas formas de trabalhar e que estão trazendo resultados, e isso vai servir para todos os setores da economia e acredito muito que em 2021 será muito melhor. Essa é a nossa esperança.

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