Rádios On-line
ENTREVISTA

’Lição da pandemia é de que devemos ter poupança para emergências’

Diretor financeiro da Uniprime avalia cenário de investimentos nesse momento de pandemia e dá dicas para quem quer investir

9 MAI 2021 - 08h:04Por Loraine França

A preocupação financeira se tornou realidade para muitos brasileiros com a pandemia da Covid-19. As mudanças no cotidiano, como o fechamento de diversos estabelecimentos, tiveram influência sobre lucros e geraram demissões. Nesse contexto, há também, as pessoas que começaram a investir ou estão pensando em seguir esse caminho. Mas,  a dúvida sempre paira na cabeça de quem quer fazer o dinheiro render mais. Em entrevista à rádio CBN Campo Grande, o diretor financeiro da Uniprime, Marco  Mazzaro, falou sobre as oportunidades no mercado financeiro, que vão desde a poupança até investimentos em empresas de tecnologia. 

De acordo com Mazzaro, o momento pelo qual passamos também levou as pessoas a pouparem mais dinheiro. “A lição da pandemia para nós brasileiros é de que devemos ter uma poupança, um dinheiro guardado para uma emergência. Isso era costume lá atrás no Brasil e, foi se perdendo na medida em que as coisas foram evoluindo no país com maior quantidade de pessoas desempregadas”.

Quem já tinha reserva guardada antes da pandemia, como pode investir? 
Marco Temos várias opções no mercado de investimentos. Hoje em dia o que a gente percebe é que está muito mais difícil ganhar dinheiro com dinheiro. Ou seja, ter renda através de aplicações financeiras. Mas, ainda assim, existem oportunidades no mercado financeiro.

Outros tipos de investimentos estão sendo bem avaliados como o setor imobiliário, que está bem alavancado, e investimentos em empresas de inovações tecnológicas. Estamos percebendo que o setor de tecnologia tem recebido bastante investimento e o cidadão comum, que às vezes não tem acesso, tem opções de fazer investimento, com valor menor de suas economias dentro do mercado financeiro.

Há ainda a poupança, que é um investimento institucional no Brasil e, às vezes, temos um pouco de preconceito porque é um investimento mais antigo mas muito sólido e consistente. só depende da necessidade que cada pessoa tem para fazer seus investimentos.

Quem nunca investiu e tomou essa decisão na pandemia, o que ela precisa saber antes de fazer o investimento? 
Marco Numa entrevista para conhecer o perfil do investidor, basicamente, o que é preciso perguntar ou se perguntar é sobre em quanto tempo vai precisar ter o dinheiro, qual o prazo de maturação. “Eu preciso ter fundo de emergência? Ele é para um fundo de emergência?” E, qual é o risco que a pessoa está disposta a correr em relação a perda desse dinheiro, porque a gente sabe que há investimentos que se pode ter risco, é uma aposta.

Quando se fala em bolsa de valores, a gente tem aí as ações do mercado financeiro que oscilam de acordo com preço dos ativos e, aí, você pode ter um preço maior ou menor e sofrer oscilação negativa do seu patrimônio. Então, tudo vai da percepção da pessoa, do que ela precisa, quanto tempo vai precisar desse dinheiro e qual é o risco que está disposta a correr.

Em relação à taxa Selic e inflação, qual é o impacto que esses pontos têm nos investimentos?
Marco A Selic teve alteração na quarta-feira (6). O que está acontecendo é que o Banco Central, na sua missão de controlar a inflação e, também, de manter o pleno emprego, está tentando subir a taxa de juros para que haja uma retenção pouco maior de dinheiro nas aplicações, circule menos dinheiro na economia para que a inflação de uma arrefecida, desaqueça um pouco o mercado de consumo das pessoas e, com isso, se tenha uma percepção melhor da inflação.

Então, com a alta da taxa de juros, recolhe-se dinheiro do mercado disponível para as famílias para o mercado financeiro. Com isso, a tendência de consumo diminui. As pessoas preferem investir do que consumir. Então, houve por parte do Banco Central sinalização de aumento de taxa que deve continuar subindo até que a inflação realmente pare de crescer. Percebemos um custo maior das famílias em relação a alimentação, aluguel, transporte.

Tudo está aumentando e, agora, o Banco Central vem e tenta reduzir esse aumento com o aumento da taxa de juros. Atualmente, temos diferença de juros negativa mas, a tendência é que a inflação caia até o final do ano, e a taxa de juros, suba mais. 

Podemos afirmar que a pandemia nos ensinou a economizar? 
Marco Sem dúvida! A gente percebe que as pessoas que tinham reservas ou que tinham o hábito de guardar dinheiro durante a pandemia, mesmo tendo a sua renda um pouco mais reduzida, comprometida, usaram essas reservas para se manterem, esperaram o momento melhor para poder voltar a trabalhar.

Então, tivemos muitos profissionais que, nos primeiros meses da pandemia, quanto teve o lockdown, ficaram dois meses fechados em casa, e a pandemia começou a crescer, essas pessoas não tinham como trabalhar. E aí, é fundamental ter reserva em casa ou guardada no banco para que você possa, em um momento desse, de estresse, ter de onde tirar.

A lição da pandemia para nós brasileiros é de que devemos ter uma poupança, dinheiro guardado para emergência. Isso era costume lá atrás no Brasil e isso, foi se perdendo na medida em que as coisas foram evoluindo no país, com maior quantidade de pessoas desempregadas. A população brasileira deixou de fazer sua poupança acreditando no futuro, no Estado, nas coisas boas que vêm acontecendo a partir do plano real. 

Deixe seu Comentário