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Lula condenado. Ato final da obra

27 JAN 2018 - 09h:47Por Celso Lungaretti

A Capitu da Praia da Glória já estava na Capitu de Mata-Cavalos. Alguns dizem que Lula foi uma criação de Golbery [do Couto e Silva, chefe da Casa Civil do general Ernesto Geisel e tido como o bruxo do seu governo]. Outros que foi uma autêntica construção das lutas operárias da década de 70.

A verdade é muito mais complexa, mas com um quê de uma e outra destas visões. Lula não idealizava torna-se líder operário, mas acabou, por um golpe do destino, o sendo. Diante das avassaladoras mobilizações dos trabalhadores, os quais se encontravam asfixiados pela profunda crise econômica do milagre gorado, Lula e sua direção sindical foram empurrados para a arena da luta social e política. 
Talvez, igual a todo bom oportunista, tenha visto aí uma chance de decolar uma carreira política e haja recebido valioso incentivo do regime moribundo, ansioso para torpedear Leonel Brizola, que os ditadores encaravam como seu maior inimigo. 

Seja como for, a liderança de Lula nasceu num contexto complexo. No mundo inteiro, a luta do socialismo recuava, diante da agonia do leste europeu e do avanço do neoliberalismo.

Enquanto filhote sindicalista, Luiz Inácio não tinha aspirações revolucionárias, rezando pela cartilha da cooperação entre capital e trabalho. Raramente o sindicalismo foi revolucionário, pois sua lógica é pela melhora da situação laboral, não pela supressão do capitalismo. 

Lula nunca foi um revolucionário. Nem mesmo se considerava de esquerda. Era apenas um político pragmático que viu um nicho eleitoral a ser explorado e o explorou. 

Jamais foi movido por ideologias, mas pelo poder. Conseguiu o que buscava, chegou ao degrau máximo do poder estatal, mas, como ensina Hobbes, a busca pelo poder é perpétua. E sua ambição continuou, agora para ter uma vida super confortável e luxuosa. Poder chama poder. 

Entrou, então, no terreno da pura e simples ilegalidade. Para seu azar, no entanto, um gigantesco processo de investigação e saneamento do sistema político entrou em cena e ele foi pego. 

Nesta 4ª feira, dia 24 de janeiro, consumou-se sua ópera com a condenação em segunda instância. O homem que comandava assembleias com milhares de trabalhadores, teve seu destino selado por um colegiado de três. Mais do que uma condenação penal, significará a morte de um mito, ou seja, o fim de uma fantasia.

* É jornalista e escritor..

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