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ENTREVISTA

Meio Ambiente - hora de falar sério

Data comemorada nessa semana serve como alerta para a importância de cuidar da natureza, que afeta até tudo e a todos

9 JUN 2019 - 07h:00Por Valdecir Cremon

Dados fornecidos pela ONU Meio Ambiente — a agência ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU) — demonstram que nove em cada 10 pessoas no mundo estão expostas a altos níveis de poluição do ar, excedendo os padrões considerados seguros pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Aproximadamente 7 milhões de pessoas morrem, prematuramente ao ano, acometidas de doenças ocasionadas pelo mesmo problema. Em grandes cidades, onde o parque industrial e concentração urbana são maiores, as emissões nocivas se mostram mais elevadas, comprometendo a saúde da população e ambiental.

A poluição do ar reflete também na poluição do solo por meio da emissão do gás ozônio. Até 2013, houve uma redução na produção de cultivos básicos em 26%, dados que levam especialistas a pensar em como a população pode contribuir para minimizar esses problemas. Veja a opinião da Sandra Maria Lopes de Souza, professora, mestre em gestão ambiental e coordenadora de cursos de pós-graduação no Centro Universitário Internacional Uninter.

Jornal do Povo - Qual a importância de haver uma data específica no calendário para lembrar do meio ambiente? 

Sandra Maria Lopes de Souza  - A comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, é justamente para sensibilizar e conscientizar as pessoas sobre a utilização e preservação dos recursos naturais, garantindo a qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável. Essa data representativa foi criada em 5 de junho de 1972 pela ONU com a abertura da Conferência de Estocolmo, na qual vários países decidiram lutar juntos, a favor da preservação do ecossistema e pelas ações em prol do meio ambiente. Assim, o uso do solo, da água e a qualidade do ar são temas atuais e polêmicos. 

JP -  Até quando esses recursos naturais estarão disponíveis sem comprometer a vida no planeta? 


Sandra Maria - Vários são os casos de uso do solo irregular causando desmoronamento e erosão, assim como de corpos hídricos contaminados por substâncias tóxicas. Há necessidade urgente de repensarmos a forma da sua utilização dos recursos naturais para que não aconteçam desastres ambientais em que não só o ambiente sofre, mas também as pessoas. 

A ONU propõe instigar governos, indústrias, comunidades e indivíduos a pensar em alternativas sobre a exploração de energia renovável e tecnologias verdes, conseguindo assim uma melhoria na qualidade do ar, começando pelas cidades e abrangendo o mundo.

Essa é uma chamada ousada, pois o planeta é muito diverso e possui necessidades diferentes, mas ao mesmo tempo similares no que diz respeito às consequências da poluição do ar. Ações antrópicas - aquelas realizadas pelo homem -, se mostram mais influentes em relação à poluição do ar.

JP - Que ações podem ser praticadas como forma de minimização desse problema? 

Sandra Maria - Algumas dessas ações podem ser viabilizadas, por exemplo, na educação ambiental nas escolas e comunidades sociais, na utilização de bicicletas e patinetes, na redução de geração de resíduos, no uso racional dos recursos naturais, na implantação de modalidades de transportes alternativos, em carros movidos a combustíveis mais limpos e elétricos, entre outras. Esses meios auxiliam na melhoria da mobilidade urbana, na saúde dos seres vivos e do próprio meio ambiente. Assim, haverá redução na queima de combustíveis fósseis e também menos riscos no comprometimento da qualidade do ar, do solo e corpos hídricos.

As ações implantadas por governantes, pelas indústrias e pela população em geral - mesmo que a princípio sejam consideradas ações de pouco impacto positivo - contribuirão de forma significativa para a qualidade de vida do planeta e dos seres vivos quando somadas e vistas em longo prazo. (Colaborou a jornalista Lorena Oliva Ramos)

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