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ENTREVISTA

'Mercado deve se readequar e voltar à realidade para manter investimentos'

Paula Souza, executiva que comanda a Imobiliária Daterra, indica construção de casas e salas comerciais em Três Lagoas

10 DEZ 2017 - 07h:00Por Valdecir Cremon

É impossível falar de mercado imobiliário, em Três Lagoas, seja com locadores, inquilinos ou investidores, sem traçar comparativos entre como a cidade era antes da industrialização e como é atualmente. A relação entre os fatores é indivisível, principalmente porque deles decorre a situação atual, com cenário que tanto pode ser promissor quanto perigoso.

Paula Souza, executiva que comanda da Imobiliária Daterra, uma empresa familiar com gestão empresarial, olha o mercado com a expectativa positiva de bons negócios num futuro bem próximo, mas com temor pelo comportamento de donos de imóveis - os verdadeiros reguladores do segmento, segundo sua avaliação. 

A explosão de demanda que ocorreu a partir de 2008, com ápice em 2010, gerou, segundo Paula, um resultado que se vê em muitas cidades brasileiras que também enfrentaram processo de industrialização semelhante: grande quantidade de imóveis desocupados. 

O resultado, disse Paula, foi um volume elevado de investimentos em uma época de oferta reprimida e demanda em alta. 

Jornal do Povo - Três Lagoas não estava preparada para o "boom" imobiliário?
Paula Souza - Não. Havia grande necessidade de imóveis para venda e locação na cidade, e isto gerou uma demanda muito alta para a capacidade de absorção. Por isso, a procura elevada por imóveis ocasionou uma supervalorização imobiliária que fugia da realidade. Hoje é preciso haver uma readequação de preços.

JP - O mercado saiu da realidade de preços, é isso?
Paula - Houve uma elevação de preços que colocou a cidade em um patamar muito alto, que não teria como se manter quando a industrialização entrasse em períodos como o de agora, sem nenhum grande investimento em andamento. Donos de imóveis, que queriam aproveitar o momento para conseguir uma valorização maior, saíram um pouco do que é real para fixação de valores para venda e locação. 

JP - Isso foi no período inicial da instalação das empresas de porte maior. E como está neste momento?
Paula - Hoje há oferta mais elevada que a procura, exatamente porque os investimentos industriais cessaram. E isto está fazendo com que o mercado retorne a um patamar, digamos, normal em termos de valores. 

JP - Deve haver novo ciclo de investimentos na cidade, como anunciam alguns grupos industriais. O mercado está preparado?

Paula - Eu acho que sim. Nesse tempo, após o ano 2010 houve muitos investimentos para aluguel, alojamentos para trabalhadores e construções em geral. Então, temos uma boa capacidade de atender a demanda, com estoque de imóveis bem diferente do período anterior. É bom frisar que a cidade possui uma situação de desenvolvimento muito sólida. 

JP - Isto não deve atrapalhar a readequação de preços, como você citou?
Paula - O investidor e o locador estão mais conscientes. Há uma sensação de realidade nos negócios. Por isso, não acho que os preços devam continuar altos, como agora, em um novo momento de realizar negócios na cidade. 

JP - Para o investidor, quais seriam as melhores alternativas em obras neste momento? 
Paula - Estão faltando em Três Lagoas casas de valor maior que a maioria das que foram erguidas; com preços entre 250 e 500 mil reais. Também faltam salões comerciais, com 250 metros quadrados, por exemplo, além de imóveis de alto padrão de acabamento para aluguel residencial.

JP - E qual seria o valor do aluguel para uma casa de alto padrão? R$ 8 mil?
Paula - Não. Hoje não é mais assim, não. Uma casa boa, em Três Lagoas, pode ser alugada por R$ 3,5 mil.

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