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Morte de policial foi ordenada três meses antes

Garras apresentou os dez suspeitos presos. Ao todo, são 21 envolvidos no crime

23 MAR 2013 - 09h:10Por Moisés Palácio/jornal O ESTADOMS

A ordem para executar policiais em Mato Grosso do Sul foi dada cerca de três meses antes da execução de Otacílio Pereira de Oliveira, 60 anos, policial da reserva, assassinado no começo do mês. O objetivo foi demonstrar força.

A informação foi confirmada pela Delegacia Especializada em Repressão de Roubo a Bancos, Assalto e Sequestro (Garras), em coletiva concedida na manhã de ontem, em Campo Grande, onde foram apresentados os dez suspeitos de envolvimento no crime, presos até o momento.

Por telefone, o delegado do Garras, Márcio Obara, informou que são 21 envolvidos ao todo. Desse total, oito estão foragidos – mas já identificados -, um cumpre pena em Campo Grande e outro morreu em uma troca de tiros com a polícia em Três Lagoas.

De acordo com o delegado, em um primeiro momento, a ramificação da facção criminosa, que surgiu nos presídios de São Paulo, em Mato Grosso do Sul resistiu à ordem de execução de membros da segurança pública, deliberada por lideranças do crime organizado de São Paulo, Santa Catarina e Paraná. O motivo para a resistência seria a preocupação quanto à possibilidade de prejuízo nos “negócios” da organização criminosa. Porém, após pressão dessas lideranças de outros estados, os integrantes do Estado acataram a determinação. O elo entre elas seria o presidiário Marcos Barbosa, 36 anos, conhecido como ‘Pinduca’, que cumpre pena na Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande.

A decisão final veio em uma reunião, a primeira de três que aconteceriam até o dia do crime, realizada 20 dias antes do assassinato do ex-policial, em uma chácara na região da Cascalheira, onde, no dia do crime, policiais civis e militares de Três Lagoas encontraram o carro utilizado na fuga dos assassinos, coletes à prova de balas e armamento. “Nessa reunião, foi dado o ‘salve’ para a execução. Participaram dela todos os autores já identificados pela polícia. Foi quando os integrantes dessa facção votaram pela morte de um policial”, completou o delegado.

Ele completou: “Nessa reunião também foi determinado que se reunisse, entre os integrantes, o máximo de armas à disposição possíveis para o crime”. A segunda reunião aconteceu dois dias antes do ataque, na casa de Cleverson Messias Pereira dos Santos, conhecido como Cabelo, 33 anos, sobrinho da vítima; e a última, no dia do crime, apenas com os cinco que participariam da execução.

MOTIVO
Conforme o delegado do Garras, o motivo da execução foi demonstrar a força da facção no Estado. “Não foi pessoal. Eles queriam demonstrar força, mas para isso agiram de forma covarde. Otacílio, embora tenha pertencido ao quadro da polícia no passado, hoje era um cidadão comum, um mototaxista. Esperaram ele chegar em casa, escondidos do outro lado da rua e atiraram pelas costas enquanto ele descia da moto para abrir o portão. Otacílio não teve como se defender”, disparou.

As investigações apontaram que o  nome do policial aposentado foi apresentado ao grupo pelo próprio sobrinho, por atender aos pré-requisitos da execução: ser um alvo fácil. Depois disso, o grupo teria passado dias monitorando a rotina do cabo da reserva. 

Além de Cleverson, as investigações – realizadas em parceria com a 2ª Delegacia de Polícia, Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e Delegacia Regional, de Três Lagoas - apontaram a participação de forma ativa do crime João Carlos Olegáro da Silva, conhecido como “Ak”, 19 anos, e Jair Costa da Silva, o Perturbado, 32 anos. Jair, conforme explicou o delegado, foi preso no último fim de semana. Ele, que é apontado como uma das lideranças do grupo, estava na cidade de Jales (SP) e foi localizado através de trabalho conjunto entre DIG e Polícia Civil daquele município. “No interrogatório, o acusado confirma que estava com os outros suspeitos no dia do crime, com um revólver calibre 38, e que presenciou tudo, mas nega os disparos. Por outro lado, as nossas investigações apontam que ele não apenas atirou, como cobrava essa postura dos demais”, completou.

Maicon Gomes de Souza, 20 anos, também preso, é acusado de dirigir o veículo Astra, utilizado na fuga dos suspeitos. A polícia ainda busca o quinto integrante, que está foragido.

PRESOS
Os suspeitos de participarem da reunião onde foi decidida a execução do policial da reserva, já presos, são os seguintes: Fernando Rodrigues Monteiro, conhecido como da Leste, 21 anos; Jonathan dos Santos Avelino, 22 anos, o Terrorista; Douglas dos Santos Almeida, o Dodô, de 21 anos; Luiz Felipe Miranda Rios Saito, chamado de Jamaica, 20 anos; Fabrício da Silva Almerindo dos Santos, 20 anos, o Nike e Thiago Cintas Bertalia, o Gianechini, de 29 anos. Este último suspeito foi preso pela Polícia Militar logo após a morte do policial. Ele foi acusado, inicialmente, de tráfico de drogas. A maioria das prisões aconteceu em Três Lagoas. No entanto, também houve prisões em cidades do interior paulista, como Jales, Presidente Prudente e Castilho (SP).

Todos os acusados foram detidos através de mandados de prisão temporária, com duração de 30 dias, expedidos pela Justiça de Três Lagoas. Eles foram transferidos para a sede do Garras, em Campo Grande, por conta da interdição da cadeia pública da Polícia Civil local. O Garras também ficou responsável pelos interrogatórios. O inquérito que apura a morte do policial aposentado é presidido pelo delegado Rogério Market Faria, da 2ª Delegacia de Polícia, em Três Lagoas.

O inquérito deverá ser concluído dentro de 30 dias. O grupo responderá pelo crime de formação de quadrilha qualificado e homicídio triplamente qualificado.

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