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Município já opera há 6 meses no mercado de biocombustível

Complexo da Cargil em Três Lagoas exporta alimentos e vende biocombustível no mercado interno

27 MAR 2013 - 09h:00Por Danilo Fiuza/JP

Há menos de seis meses no mercado do biodiesel, Três Lagoas põe Mato Grosso do Sul no clube dos principais produtores de combustíveis de fontes renováveis, formado pelos estados de Mato Grosso, Goiás, Rio Grande do Sul e São Paulo. 

Se depender da Cargill, que investiu US$ 64,5 milhões em sua unidade de produção de biodiesel, Três Lagoas, que já é considerada a rainha da celulose, pode ganhar também o título de princesa do biocombustível. 
Os investimentos da Bunge na planta de Nova Mutum, no Mato Grosso, correspondem à metade do que foi aplicado pela Cargil em Três Lagoas, onde a capacidade instalada é de 700 mil litros por dia. Uma das vantagens é o fato de a fábrica estar localizada em um dos maiores produtores de soja, ao lado de Mato Grosso e Goiás.

A Cargill iniciou a produção na segunda quinzena de agosto, com menos de 50% de sua capacidade, mas já participou, em setembro, do primeiro leilão da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustível (ANP). A companhia anunciou que vai destinar pelo menos metade de sua produção de óleo comestível à produção de combustível.

"O biodiesel é um mercado relativamente novo e está crescendo no Brasil", diz o gerente do setor de biocombustível da Cargill, Elcio de Angelis. "Como o óleo de soja é a principal matéria-prima, isso complementa nossa capacidade existente", diz, destacando o potencial da unidade processadora de soja em Três Lagoas. 

A planta de biodiesel no complexo industrial da Cargill em Três Lagoas opera com produção continuada de 300 mil litros/dia até o momento em que o governo sinalizar o aumento da mistura ao diesel. 

Instalada ao lado da indústria de esmagamento no Distrito Industrial 1, no Jupiá, a usina poderá chegar, em menos de 12 meses, a 200 mil toneladas/ano). “Nessa fase inicial, vamos produzir de 280 mil a 300 mil litros por dia, mas a capacidade é para 700 mil litros/dia”, disse o diretor comercial da companhia, Max Slivnik, em entrevista ao Jornal do Povo.

Segundo o diretor comercial da companhia, o fato de a usina estar integrada à unidade esmagadora dá à Cargill maior capacidade de produção, que também traz ganhos de competitividade uma vez que possui um terminal hidroviário na porta da empresa.

O terminal, às margens do rio Paraná, com calado de 3,5 metros, recebe comboios de até cinco barcaças e um rebocador. Cada barcaça pode levar até 1.500 toneladas de óleo ou biodiesel a granel, “Até então, estamos usando o porto para o escoamento do óleo comestível, farelo e outros subprodutos, mas por aqui também será embarcado o biodiesel”, informou o engenheiro químico José Luiz Gnoato, superintendente da Cargill em Três Lagoas.

Segundo ele, na logística de transporte, a unidade de Três Lagoas ainda não está usando o modal ferroviário, que está concentrado no segmento florestal. Como apenas a América Latina Logística (ALL) opera a ferrovia, há problemas na definição de fretes que obedecem à modulação do transporte rodoviário. “Já dispomos do ramal ferroviário. A ideia é usá-lo, mas por enquanto está inativo”. 

Gnoato, que já trabalhou nas unidades da Alemanha e Argentina, diz que pretende se aposentar na fábrica de Três Lagoas e não esconde a satisfação de operar a transformação do óleo de soja. “Vinte mil litros de óleo rendem exatamente 20 mil litros de biodiesel no processo de transesterificação (refinamento do óleo e adição de metanol) e ainda extraímos a glicerina”, explica. De acordo com o superintendente, a unidade de Três Lagoas atenderá todos os padrões exigidos pela ANP e ainda com qualidade superior, em razão da tecnologia.

Outra vantagem que dará competitividade à produção de Três Lagoas, conforme ressaltou Elcio de Angelis, é a cogeração de energia. Além da energia hidrelétrica, o complexo de Três Lagoas possui um ramal de gás natural que abastece uma pequena usina e a eletricidade gerada pela biomassa, extraída de cavacos de madeira. 

Hoje, a Cargil adquire a madeira no mercado local, mas em breve deve iniciar a colheita de áreas de florestas da própria companhia, que possui em torno de 300 mil hectares.

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