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Município pede agilidade da Petrobras para negociar retomada da UFN 3

Petrobras reduziu em 25% a projeção de investimentos até 2019; Fábrica de Fertilizantes não é citada entre os projetos da estatal

16 JAN 2016 - 09h:25Por Renata Prandini

O grupo interessado na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (UFN 3), em Três Lagoas, está encontrando dificuldade em negociar com a Petrobras, responsável pela obra. Essa foi a impressão obtida pelo secretário de Desenvolvimento Econômico do município, André Milton, em reunião realizada com representantes dos investidores nesta sexta-feira.
O encontro aconteceu em São Paulo e teve como objetivo colocar o Executivo municipal à disposição do grupo no que for preciso para agilizar a retomada dessa obra milionária, parada deste dezembro de 2014.
“Essa reunião foi somente de um passo. Trata-se de uma negociação complicada, um processo moroso. Mas, o que percebemos é que a Petrobras, não se sabe o motivo, não está caminhando como o esperado no que se refere a esse projeto”, destacou.
O secretário explicou que não tem autorização para divulgar o nome do grupo interessado na planta. Mas, antecipou que se trata de duas empresas e que há interesse delas em concluir a planta, que está em mais de 80% executada. “Agora, temos que saber se há interesse da Petrobras”, disparou.
Esse assunto e uma análise da reunião será tema da conversa de alinhamento com a prefeita Márcia Moura na próxima segunda-feira. Depois disso, o município buscará uma audiência com a diretoria da Petrobras. O objetivo é tentar, em parceria com o governo estadual, agilizar o processo de negociações. “A Petrobras precisa disparar esse processo de negociação, discutir modelos, valores. Trata-se de um processo moroso. Por isso, vamos tentar sentar com eles para uma conversa. É importante que a Petrobras se manifeste sobre a fábrica”.
Milton espera que, com essa reunião, se consiga um posicionamento da estatal sobre o andamento das negociações para que, com mais informações, promova uma nova reunião com o grupo de investidores, prevista ainda para este mês. “Teremos uma reunião com esse grupo em breve. Mas, para isso, precisamos de um posicionamento da estatal. Da parte do município, estamos, em parceria com o governo do Estado, dispostos a agilizar ao máximo todo processo burocrático”, completou o secretário. 
De acordo com o secretário, também existe a possibilidade de uma delegação desses investidores visitar a obra em Três Lagoas e tentar uma nova conversa com a Petrobras. A visita, no entanto, não foi oficializada.

CORTES
Nesta terça-feira, o Conselho de Administração da Petrobras aprovou ajustes no Plano de Negócios e Gestão 2015-2019. Com a revisão, a estatal prevê investimentos de US$ 98,4 bilhões nesses três anos, uma redução de US$ 32 bilhões em relação ao valor inicial, o que representa uma queda de aproximadamente 25%. No plano, entretanto, não é citada a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN 3), o que deixa incerto, o futuro dessa obra.
A planta está com 82% das obras concluídas e foi paralisada em dezembro de 2014, quando a estatal rompeu contrato com as empresas que compunham o consórcio UFN 3 (Galvão Engenharia e Synopec). Na época, o rompimento resultou na demissão de sete mil trabalhadores e em uma dívida milionária deixada para pequenos e médios empresários três-lagoenses. 
De acordo com Milton, a redução dos investimentos para os próximos anos já era esperada desde o ano passado.  Até então, havia a possibilidade de as obras serem retomadas no segundo semestre deste ano. Porém, o secretário afirmou que ainda não há como estimar prazos.
A equipe de reportagem tentou contato com a assessoria de imprensa da estatal, mas não houve resposta até o fechamento desta edição. 

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