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ENTREVISTA

"Não concordo com o endividamento. Comida é um direito", afirma Joaquim Barbosa

Empresário começou sua carreira vendendo rolos de milho e hoje lidera a Rede Nova Estrela de supermercados, além de outros empreendimentos

19 SET 2020 - 12h:35Por Beatriz Rodas

Entre o final de sua infância e o início da adolescência, Joaquim Romero Barbosa vendia rolos de milho com uma charrete na região do bairro Lapa.

Hoje, em 2020, casado e pai de cinco filhos, ele é sócio-proprietário e presidente da Rede Nova Estrela de supermercados, com quatro lojas em Três Lagoas e uma em Andradina (SP), do restaurante e petiscaria Marina JS, e tem mais uma série de empreendimentos na manga.

Em entrevista ao RCN Negócios deste sábado (19), o empresário contou que a construção do império vem de família, e de uma só máquina de arroz.

“Uma vez, um vendaval tirou todo o telhado do prédio onde ficava a máquina e foi um prejuízo enorme, mas mesmo assim meu pai continuou otimista. Esse otimismo do meu pai nunca acabou, isso me serviu de inspiração. (...) Outra vez, também, a gente capotou a kombi, eu e meu irmão, e ele chegou, desesperado; a gente já pensou que ele ia acabar com a gente né. Ele perguntou: ‘Tá tudo bem? Vocês estão bem?’. ‘Estamos’. Ele: ‘Ah, então tá tudo bem. Do resto a gente corre atrás’. Pra ele, o que importava era que a gente estava bem, nada mais que isso”.

HISTÓRIA

Depois de 44 anos de história da Rede Nova Estrela, Joaquim conta como a fábrica originou a Rede.

“Em 1986 em vim para Três Lagoas, transformar a fábrica Nova Estrela em supermercado, um investimento para a nossa família. Por isso o nosso slogan é ‘o supermercado da família’; é da nossa família, para a sua família. Foi isso que nos moveu desde o início”.

BENS DE CONSUMO

Por ser empresário do ramo de alimentos e bens de consumo, Joaquim afirma não concordar com o endividamento provocado pela compra em supermercados. Para ele, a pessoa deve “levar e consumir”, e a comida deve ser um direito de todo brasileiro.

“Quando eu comecei a administrar o mercado, logo depois do meu pai, peguei o caderno de dívidas que ele tinha, onde anotava todas as compras que fazia ‘fiado’ para os clientes, e rasguei. Falei: ‘A partir de hoje vocês vão comprar, e vão pagar’. Comida é um bem de consumo, de sobrevivência. Não concordo com esse negócio de se endividar durante meses com alguma coisa de consumo imediato. Melhorei os preços e as formas de pagamento, mas quitei as dívidas dos clientes e não deixei eles se endividarem mais, pelo menos não ali no mercado. Todo mundo tem o direito de ter comida na mesa, e naquele dia eu passei a oferecer o preço mais justo que estava no nosso alcance”, conta.

TURISMO

Barbosa tem uma opinião bem definida quanto ao turismo de Três Lagoas e região.

“Eu acho que o poder público tinha que regularizar, junto à CTG [Usina Hidrelética Jupiá - CTG Brasil], o uso dos espaços ribeirinhos e litorâneos, para aumentas o nosso potencial turístico”.

Em primeira mão ao RCN Negócios, ele conta qual é seu próximo empreendimento, justamente na área de turismo.

“Eu já estou preparando uma embarcação grande para a gente, e todo o pessoal de Três Lagoas, fazer passeios pela represa e pelo litoral, que é um lugar tão bonito. Vai ser um Katamaran, com acomodações e passeios bem interessantes. E uma tirolesa também, que vai ser acoplada à Marina JS, com arvorismo e rapel”.

Joaquim conta que o turismo é sua segunda grande paixão, a primeira é o comércio. E finaliza falando da importância não só da valorização da região, mas da geração de empregos:

“O que eu mais gosto no turismo, na perspectiva econômica, é que não tem como automatizar os serviços. Por isso ele gera muito emprego. E isso é incrível para a cidade”.

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