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ENTREVISTA

‘Não é o momento de impeachment; Brasil precisa de união’, diz Simone

Tebet disse que Soraya está articulando apoio a sua candidatura dentro do PSL, e que vai tentar sensibilizar Nelsinho (PSD)

24 JAN 2021 - 14h:00Por Marcus Moura

A senadora e candidata à presidência do Senado Federal, Simone Tebet (MDB/MS), disse nesta quinta-feira (21) no Programa CBN Campo Grande que agora não é o momento de se falar em impeachment. Para a parlamentar, as pautas prioritárias são o enfrentamento a pandemia da Covid-19 e a garantia de que não vão faltar vacinas a população. 

Pregando independência entre os poderes, ela fez um comparativo entre o seu mandato e o do senador Rodrigo Pacheco (PSD/MG). “Em 92% dos casos votei com o governo Federal”, disse.  Simone falou ainda  sobre a importância de sua candidatura como ferramenta para impulsionar que outras mulheres se interessem mais pela política. Confira:                                         

Qual o balanço da articulação feita nesta semana em Mato Grosso do Sul para a sua candidatura?

Neste período de pandemia fica tudo mais difícil, mais lento. Tem alguns senadores que não podem nos receber por conta da idade, nós mesmos temos dificuldade de deslocamento, mas estamos fazendo todo o possível. Eu gostaria de fazer um agradecimento a senadora Soraya Thronicke (PSL/MS), estive com ela em Campo Grande, tivemos uma boa conversa, ela está tentando trabalhar a possibilidade de nos apoiar. O partido dela tem um pré-candidato, que é o senador Major Olímpio. Mas a conversa entre nós está bem adiantada. Vou procurar o senador Nelsinho Trad (PSD), que já declarou que apoia o candidato de Minas Gerais do PSD, por uma questão partidária. A gente tem a possibilidade, através do diálogo, de mostrar a importância de uma candidatura de Mato Grosso do Sul para o desenvolvimento do nosso Estado. Presidir o Congresso Nacional, significa presidir um poder, que também dá poder para que nós possamos ajudar o Brasil, mas sempre com um olhar voltado para MS. Quanto tempo nós estamos discutindo a paralisação da BR-163? Da duplicação desta estrada para escoamento da produção. Quando você é presidente de um poder ficar mais fácil sentar na mesa com o presidente da concessionária, com o governo do Estado e federal para se achar uma solução. Neste aspecto, eu acredito na possibilidade de sensibilizar o senador Nelsinho, como estamos fazendo isoladamente com cada senador. Como o MDB demorou a escolher seu candidato, nosso adversário já estava há um mês em campanha. Então, agora nós estamos conversando com cada bancada, cada senador, porque eles têm o direito de votar contra a orientação da bancada. O MDB está fechado, temos o Podemos, o PSB, estamos conversando com o PSDB, o PSL e outras bancadas. 

A senhora defende o impeachment do presidente Jair Bolsonaro?

Não. Deixa-me explicar isso aí. Eu tenho dito claramente, que a minha candidatura é de independência a favor do Brasil, mas de uma independência harmônica entre os poderes. Se você for fazer uma análise de quem votou mais com o governo, especialmente na pauta econômica, eu votei mais vezes com o governo, do que o meu adversário apoiado pelo presidente da República. Proporcionalmente, eu votei 92% dos casos com o governo federal e meu adversário votou menos que isso. Ser independente não significa ser oposição. Houve perguntas teóricas a respeito de situações futuras e que a gente é obrigado a se posicionar. Eu não acho saudável falar em impeachment agora, o Brasil precisa estar unido contra esse inimigo mortal, que é o Coronavírus. Nós precisamos ajudar no gerenciamento desta crise, colocando todos os postos do Congresso Nacional a disposição do plano nacional de vacinação. Daqui 15 dias acabam as doses, nós não temos mais vacinas para aplicar. Ou seja, temos muitos problemas para serem resolvidos, não dá pra focar em desunião. No Brasil onde temos pessoas indo para a miserabilidade, para o desemprego, não dá para focar em desunião. Agora é hora de união de esforços. 

A senhora foi a primeira prefeita de Três Lagoas, também a primeira vice-governadora do MS e agora a primeira candidata a presidência do Senado. A senhora acredita que se não conquistar a presidência do Senado, se torna um nome do MDB para o Governo do Estado? A senhora acredita que sai fortalecida?

Seja qual for o resultado, sim. Eu acredito que a gente saia fortalecida. O senado tem quase 200 anos de história, então, você imagina uma mulher ser indicada candidata, porque você tem que ser indicada, você não ser candidata fora de um partido, porque senão você só tem seu voto. Então, a maior bancada indicou, não é pouca coisa. Eu fui a primeira presidente da maior comissão do Congresso Nacional. Isso dá um misto de tristeza por estarmos tão atrasados ainda na participação da mulher na política, mas também de responsabilidade. Você imagina as possibilidades agora? Independente do resultado, eu estou muito otimista que dê certo. Quero fazer bonito , inclusive, para outras mulheres ocuparem estes espaços também. Eu acredito que estou entrando na história abrindo caminho para que outras mulheres possam se interessar e querer fazer política. Não teremos um país livre, democrático, solidário, com justiça social e menos desigualdade se não tivermos mais mulheres na política. Homens e mulheres juntos. Sobre a sucessão, acredito que nós precisamos primeiro sobreviver a 2021. Daqui 15 dias a gente pode não ter mais vacinas, não sabemos se as doses que estão por vir vão dar para todos os profissionais da saúde. Vamos vencer o Coronavírus primeiro e depois a gente fala em sucessão de 2022.

O que a senhora diria para as meninas que estão te vendo como exemplo, como a primeira candidata a presidência do Senado Federal?

Acredite em si mesma, não deixe ninguém dizer que você não é capaz, que você pode menos. Há quarenta anos atrás, no meu tempo, não tinha rede social, era mais difícil. A política era só para homens. Eu devo muito ao meu pai, que era um progressista, que tinha uma visão muito avançada de mundo. Ele não diferenciava os filhos das filhas. Eu sempre fui muito tímida, eu nunca fui líder de turma, oradora, nunca imaginei estar na vida pública. Quem olha para mim hoje não imagina que eu tinha dificuldade para falar, que era tímida (...) A versão completa da entrevista com a senadora, em vídeo, está disponível no site Jpnews. 

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