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ENTREVISTA

‘Não há nada mais prioritário do que vacina e o retorno do auxílio’, diz Tebet

Senadora diz que o aumento da pobreza é culpa da pandemia e do governo federal que tratou a Covid como gripezinha

28 FEV 2021 - 07h:20Por Ana Cristina Santos

O Plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (24) projeto de lei que autoriza os estados, os municípios e o setor privado a adquirirem vacinas contra a Covid-19. O texto também permite que os compradores assumam a responsabilidade civil pela imunização, o que abre caminho para a entrada de novas variedades de vacina no país. O projeto segue para a Câmara dos Deputados, para depois ser sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro.
Em entrevista a TVC e rádio Cultura FM de Três Lagoas, a senadora falou deste e outros assunto.

Qual a importância desse projeto sobre a compra de vacinas?
Simone Tebet Esse é um projeto importante que possibilitou o Brasil comprar vacina da Pfizer. No final do ano passado o governo federal não quis assinar convênio com a  Pfizer, uma das principais vacinas aplicadas, principalmente no Estados Unidos, alegando muitas exigências, e nós ficamos sem o principal imunizante. Para evitar essas desculpas dadas pelo governo federal, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, apresentou um projeto, que foi aprovado, dando o direito para que a União, estados e municípios pudessem se responsabilizar por essa vacina. Temos também grandes empresas, grupos milionários, bilionários que querem ajudar na compra da vacina. Então, foi um dia importante e já há um compromisso da Câmara dos Deputado de votar, para que o presidente possa sancionar e transformar o projeto em lei.

A senhora tem dito que a prioridade no Brasil, neste momento, é a vacinação contra a Covid, e o auxílio emergencial. Essas são questões prioritárias?
Simone Sim, não há nada mais prioritário no Brasil do que vacina no ombro e o retorno do auxílio emergencial para quem precisa. Óbvio, que não serão mais para 60 milhões de brasileiros. Vai ser um número menor de pessoas beneficiadas e, talvez, não seja R$ 600, mas advogado que seja, pelo menos, mais seis meses de auxílio. Não precisamos ir longe, apenas em janeiro, mais dois milhões de brasileiros passaram a fazer parte da linha de extrema pobreza. Totalizando 27 milhões de brasileiros nessa situação, que ganham R$ 8,20 por dia. Não dá para fazer três refeições. Estamos falando de cinco milhões de crianças dormindo com forme no Brasil. O país é muito rico, temos muita gordura para queimar, temos de onde tirar o excesso para dar a quem precisa.

Em Três Lagoas, por exemplo, que é uma cidade industrializada, temos mais de 17 mil famílias em situação de pobreza e mais de quatro mil em extrema pobreza. Se em Três Lagoas que é polo industrial está assim, imagine em outros estados, né senadora?
Simone Estamos falando de uma cidade que é industrializada, que tem um dos melhores IDH do Brasil e do Estado, e temos esse número de famílias em situação de pobreza, agora imagine em outras regiões como Norte e Nordeste que regrediram 10 anos em patamares como o Índice de Desenvolvimento Humano. Por conta disso, não tem desculpa, o país é muito rico, e temos de onde tirar para dar a quem realmente precisa. É isso que prega qualquer cristão, qualquer pessoa que é temente a Deus e religiosa, no sentido nobre da palavra, de ser humano, não pode ser contra o auxílio. Então, estamos criando condições fiscais para não quebrar o país, para aprovar de forma urgente a criação do auxílio emergencial. Eu confio no Congresso Nacional nesse momento, e depois vamos buscar alternativas para resolver outros problemas maiores, dessa crise que não passa e que, infelizmente é fruto de uma política errada, equivocada, que começou lá atrás ao se negar a pandemia. O que está levando essas pessoas para miséria, a fazer essas crianças a passar fome é a pandemia do Coronavírus e a falta de visão que o governo federal teve de que isso era um assunto grave, enquanto trataram como gripezinha.

Senadora, nesta semana a senhora deixou de ser presidente de uma das principais comissões do Senado, a CCJ. Qual a avaliação que a senhora faz do período em que esteve à frente desta comissão?
Simone Acho que a CCJ nunca trabalhou tanto, principalmente em 2019, em um esforço concentrado e, eu tive o cuidado de não presidir a principal comissão do Sendo, mas ser presidida pelos 27 membros. Dividimos as atribuições e, por isso, deu tão certo. Foram mais de 1,2 mil matérias relatadas, mais de 700 projetos aprovados, e a comissão não fugiu das responsabilidades. Sensação do dever cumprido, e espero que possa ter aberto o caminho para outras mulheres presidirem a CCJ. 

Senadora, a senhora disputou a presidência do Senado, não conseguiu ser eleita, mas a sensação que temos é que a senhora saiu muito fortalecida desse processo, a senhora também analisa desasa maneira?
Simone De um lado entristecida porque sei que tinha condições de conquistar a presidência, mas, infelizmente não consegui chegar por conta do meu partido, que me abandonou no meio do caminho. No universo de 15 senadores só tive apoio de quatro, cinco com o meu. Então, dos 10 votos que me permitiriam conquistar mais seis, e chegar à presidência do Senado, faltaram justamente os do meu partido. Eu tenho uma política de combate a corrupção, de não aceitar o lado errado, e isso, talvez, fez com que alguns não me acompanhassem. Mas, também tivesse essa sensação nível nacional e perante a imprensa, e conversando com a população, principalmente em Campo Grande, que sai fortalecida. Fui para o embate, e no final, sabendo que perderia a eleição, mas não perdi minha honra, minha identidade. Então, acho que sai sim fortalecida sim, porque a gente nunca perde fazendo o que é certo.  Mas, agora é bola para frente, e temos um país que precisa da gente. 

Senadora, mesmo não tendo o apoio do partido, a senhora permanece no MDB?
Simone Fiquei triste com o posicionamento de alguns colegas do partido no Senado, mas não posso esquecer que nasci dentro do MDB. Os meus amigos, os meus parceiros políticos são do MDB regional, de Mato Grosso do Sul. O MDB é diferente de muitos partidos, não é feito de caciques, é de base, o que mais tem vereadores e prefeitos. É um partido em que quem fala mais alto é a militância. Enquanto  eu me sentir acolhida pelos filiados, permaneço no partido, mas é algo que não dá para bater o martelo. Então, dentro dos 60, 90 dias eu permaneço no MDB, e só sairia, ou sairei por circunstâncias posteriores que possam acontecer.

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