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SETEMBRO AMARELO

'Nenhuma patologia chega sem sintoma', diz psicóloga sobre suicídio

No mês de combate e redução ao suicídio, mãe e filha três-lagoenses contam histórias de superação e da valorização à vida

24 SET 2017 - 07h:00Por Tatiane Simon

Falar sobre suicídio ainda segue sendo um grande tabu dentro dos lares de muitos brasileiros. No entanto, só aumentam os índices de crianças, adolescentes, adultos e idosos depressivos e suicidas. Para ter uma ideia, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio e a faixa etária que mais faz vítimas é entre os jovens vai dos 15 aos 29 anos.

Levantamento do setor da Saúde de Três Lagoas divulgado nesta semana revela que foram registrados 53 casos de tentativas e três de suicídio, somente nos primeiros seis meses deste ano. Já em 2016 o número foi maior com seis casos de morte e a mesma quantidade de tentativas de 2017. 

Conforme os dados, as vítimas são meninas e mulheres, e a faixa etária vai ao encontro com os dados da OMS. Os números são do Setor de Vigilância Epidemiológica das Doenças e Agravos Não Transmissíveis (DANTS), vinculado à Diretoria de Vigilância e Saneamento da Secretaria Municipal de Saúde.

Os números são alarmantes e no intuito de combatê-los é que foi lançada a campanha “Setembro Amarelo”. Ações educativas, rodas de discussões, palestras e orientações de profissionais da saúde estão sendo desenvolvidas durante todo o mês no município. “Mais importante em todo este processo é prestar atenção aos sinais. Nenhuma patologia chega sem sintomas, por mais silenciosa que seja. O diálogo também é um forte aliado no combate ao suicídio, pois muitas pessoas necessitam apenas de um contato, de uma conversa. A solidão é um dos grandes motivos que leva o indivíduo a tentar se matar”, reforça a psicóloga Sandra Takahashi.

Superação
Em Três Lagoas, dois casos envolvendo mãe e filha são exemplos de que é possível superar as “dores da alma” e valorizar a vida. Roseli Querino Baraúna Mafra de Souza, de 37 anos, é mãe da jovem Júlia Baraúna de Souza, de 16 anos e ambas tentaram, em momentos distintos da vida, o suicídio. Graças à ajuda familiar, de amigos e acompanhamento médico elas escolheram a vida, segundo a profissional Takahashi. 

No caso de Roseli, a depressão pós-parto foi o responsável pela primeira tentativa de suicídio. “Ainda morava em São Paulo e, na época, trabalha na estação de trem. Quando pensei que já não daria mais conta de suportar tanta dor e tristeza, me joguei nos trilhos do trem. Mas um amigo de trabalho me salvou. As pessoas ao meu redor já haviam percebido o que eu custei a notar: estava com depressão”, conta. A segunda tentativa ocorreu após mudar-se para Três Lagoas, quando a dona de casa ingeriu vários comprimidos usados para o tratamento psicológico de uma só vez. “Minha filha, ainda criança, assistiu tudo. Minutos depois disso, meu marido ligou em casa e ela disse ‘a mamãe tomou muitos remédios’ e então eu apaguei”, relembra.

Desde a primeira tentativa, Roseli faz acompanhamento psiquiátrico e terapia. Há dois meses, ela se viu no lugar de sua filha. Júlia foi vítima de tentativa de estupro quando ia para a escola e desenvolveu síndrome do pânico. “Tinha medo de tudo e não tinha vontade para nada. Alguns amigos falavam que era frescura e que eu precisava esquecer o ocorrido para superar. Mas não é fácil assim”, desabafa.

Por conta de um episódio pós-traumático, a adolescente tentou suicídio semanas depois. Com lâminas de aço, ela cortou os pulsos. As cicatrizes marcam a pele da garota, que foi socorrida por familiares e levada ao hospital. Desde então, Júlia tem superado o trauma graças ao apoio da família, de amigos, tratamento psicológico e à religião. “Foi após o convite de uma amiga que decidi ir à igreja com a esperança de ser curada. E fui! Hoje digo sim à vida”, comemora.

A especialista no assunto, Sandra Takahashi reforça que é muito   comum   durante a adolescência    haver   confusões   entre   as   mudanças   naturais   de comportamento   e os   sinais   de   tristeza e depressão, e isso   pode   levar   um atraso no diagnóstico. “Os pais devem ficar atentos aos sintomas de tristeza, perda de interesse nas atividades   rotineiras; observar se há insônia ou excesso de sono. A escola também colabora com os pais, pois o adolescente muda seu comportamento em sala de aula e o seu rendimento escolar também diminui”, conclui.

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