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NEGOCIAÇÃO

Petrobras negocia venda da UFN 3 e pagamento dos fornecedores da cidade

Consórcio chinês pode retomar fábrica de fertilizantes de Três Lagoas e assumir dívida de mais de R$ 36 milhões com empresários

11 MAR 2017 - 08h:05Por Ana Cristina Santos

Em reunião realizada nesta sexta-feira (10), com a bancada federal de Mato Grosso do Sul e com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), o presidente da Petrobras, Pedro Parentes, confirmou que a estatal negocia com um consórcio chinês a conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN3), em Três Lagoas, bem como o pagamento aos fornecedores da cidade, cuja dívida superam R$ 38 milhões. Essa possibilidade foi divulgada com exclusividade pelo Jornal do Povo no dia 18 do mês passado.

Na reunião de ontem, realizada na sede da estatal, em São Paulo, além da conclusão e venda da fábrica, também foi discutida a mudança na política da empresa, que fez uma redução drástica em suas importações do gás natural da Bolívia sem avisar ao governo de Mato Grosso do Sul, o que está causando sérios prejuízos ao Estado.

A previsão, segundo o senador Pedro Chaves (PSC-MS), é de que a obra da UFN 3 seja retomada em poucos meses após a conclusão do acordo com o novo consórcio, formado por empresas chinesas, entre elas, a Sinopec Petroleum, que já integrava o antigo consórcio.

A expectativa é de que a retomada da obra demande a contratação de sete mil trabalhadores. Além disso, as tratativas são para que esse novo consórcio fique responsável pelo pagamento da dívida com os fornecedores de Três Lagoas. “Ele nos antecipou que a estatal está negociando com um consórcio chinês , que concluirá a obra e pagará as dívidas que a Petrobras tem com centenas de fornecedores em Três Lagoas, que , somadas, superam os R$ 38 milhões. Isso vai ser um grande alívio para a população  do município”, destacou o senador.

Na ocasião, a senadora Simone Tebet (PMDB-MS) ressaltou a importância de se incluir o passivo do Consórcio UFN 3 com os fornecedores da obra. “A dívida com os empresários locais se arrasta desde 2014, quando a Petrobras rompeu o contrato com o Consórcio UFN3, prejudicando a economia de Três Lagoas”, alertou a senadora.

Ela ressaltou que a fábrica foi concebida para tornar o Brasil autossuficiente na produção de fertilizantes e que a falta de pagamento dos fornecedores locais têm gerado um problema social para a região de Três Lagoas.

Segundo a Petrobras, a fábrica já está com 82% das obras executadas. O investimento até agora foi de cerca de R$ 3,2 bilhões.
Participaram da reunião, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), os senadores Pedro Chaves,  Simone Tebet e Waldemir Moka (PMDB-MS), bem como  o deputado federal Geraldo Rezende e o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Junior Mochi, ambos do PMDB.

PETROBRAS


A Petrobras já declarou por diversas vezes que pretende sair do seguimento de fertilizantes, concluir a obra e colocá-la à venda para algum grupo nacional ou internacional com tradição no ramo. Em nota divulga ontem, ao Jornal do Povo, a estatal reafirma sua intenção. “Conforme informado no PNG 17-21, a Petrobras pretende sair do segmento de fertilizantes, e o processo de alienação da UFN3 que viabilize a conclusão do empreendimento está sendo avaliado pela empresa”, diz.

A diretoria já deixou claro que, em função das mudanças que vem promovendo na empresa desde a posse do novo governo, no ano passado, prefere concentrar esforços no ramo de combustíveis.

A venda da fábrica depende de um parecer do Tribunal de Contas da União (TCU), que analisa o processo. Pedro Chaves se reuniu nesta semana novamente com o ministro do TCU, José Múcio Monteiro, para cobrar uma resposta rápida no processo que analisa a venda dos ativos da Petrobras, entre eles, da fábrica de fertilizantes.

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