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Policiais civis devem cruzar os braços nesta sexta

Sem acordo com o governo do Estado, classe opta por paralisação de 70% dos trabalhos

14 MAI 2013 - 08h:51Por Arthur Freire/JP

Policiais civis de Mato Grosso do Sul cruzarão os braços a partir desta sexta-feira. A decisão foi aprovada por unanimidade, durante assembleia geral realizada no último sábado, em Campo Grande. De acordo com o presidente do Sinpol, Alexandre Barbosa da Silva, a assembleia reuniu em torno de 500 policiais civis de todo o Estado.  

“Será greve geral. Apenas 30% do efetivo será mantido nas delegacias do Estado para atender aos serviços essenciais, como prevê a legislação. No entanto, o trabalho de investigação, com certeza, será prejudicado. Se hoje já é difícil trabalhar com o pouco efetivo que temos, imagine com 70% dos policiais parados”, lembrou.

Entre os serviços que serão mantidos enquanto se prolongar a greve estão o recebimento de flagrantes, atendimentos relacionados à proteção dos direitos da criança e do adolescente e em cumprimento à lei Maria da Penha. 
 
A greve foi decretada depois do que Silva chamou de “engessamento” das negociações por parte do governo do Estado. “Éramos para ter iniciado a greve no dia 2 deste mês. A pedido da vice-governadora Simone Tebet, que ficou de intermediar as negociações com o governador [André Puccinelli], esse prazo foi prorrogado até a última semana. Porém, não houve avanços depois disso”, explicou.

O governador André Puccinelli teria mantido a proposta realizada no início das negociações, que foi de 7% de reajuste salarial este ano; 8% de aumento em 2014 e 12% em 2015, além das vantagens que elevariam o salário da classe dos substitutos em 28%. A classe reivindica reajuste de 25%. 

No entanto, caso a categoria não aceitasse a proposta oferecida (7% de reajuste), o governo do Estado baixaria o percentual para 5%.

“O governador afirmou que vai extinguir a nossa 4ª classe, o que significa que subiremos alguns degraus no ranking nacional de salário, mas não mudará em nada o salário da categoria”, explicou o presidente.

EFETIVO
Segundo Alexandre Barbosa da Silva, atualmente a Delegacia Regional de Três Lagoas conta com um efetivo de uma média de 90 a 100 policiais, entre investigadores e escrivães. 
 
Já em todo o estado, são 1,3 mil policiais. Aproximadamente 300 a menos, se comparado ao efetivo registrado em 2011: 1,6 mil policiais. Além disso, o presidente chama a atenção para a baixa remuneração em Mato Grosso do Sul em comparação a outros estados brasileiros. Conforme levantamento divulgado pelo Sinpol, a classe tem o 25º pior salário do Brasil, à frente apenas da Paraíba e do Acre. Hoje, um policial ingressa na carreira com salário de R$ 2.361 mil.

Ontem, policiais civis foram orientados a não utilizar viaturas sucateadas ou com problemas mecânicos. A orientação foi vista como um protesto contra a situação da Polícia Civil no Estado.

A paralisação da Polícia Civil, segundo Silva, não terá data para se encerrar. No entanto, garantiu que a classe ainda está aberta às negociações. “Vamos manter a greve por tempo indeterminado. Poré, estamos abertos sempre para o diálogo. Quem está engessando as negociações é o governo estadual”, disse.

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