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ENTREVISTA

‘Precisamos inverter o patriarcado que trata a mulher de forma opressora’

Na avaliação de Carla Stephanini, somente políticas públicas podem reverter o cenário e garantir direitos às mulheres

26 JAN 2020 - 08h:00Por Gabriela Couto e Loraine França

A subsecretária municipal de Políticas para a Mulher, de Campo Grande, Carla Stephanini, fez uma análise, nesta semana, sobre casos de feminicídio a violência contra a mulher na capital do Estado, e concluiu que somente políticas públicas podem reverter o cenário, com a garantia de direitos. “Temos que compreender que vivemos em uma sociedade fundamentada no ‘patriarcado’. O que nós precisamos é inverter esta ordem, este patriarcado que sempre tratou a mulher de forma a subjugá-la, a reprimi-la, a oprimi-la”, afirmou. Leia a entrevista concedida à rádio CBN Campo Grande. 

Foram levantados 96 casos de denúncias de  feminicídio em uma pesquisa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, sendo 69% tentativas. Aqui na capital registramos o primeiro caso no último final de semana. Como a senhora avalia o cenário do feminicídio em Campo Grande?

Carla Stephanini: Se formos avaliar o ano de 2018 para 2019 houve uma redução de  28% considerando que tivemos uma queda de 7 para 5 casos no mesmo período analisado. Obviamente que o ideal é que não convivêssemos com esses casos. É um crime de ódio e que repudiamos porque as mulheres são mortas pela condição de ser mulher. 

Como trabalhar para desconstruir essa cultura do patriarcado e para evitar esses casos de feminicídio e violência contra a mulher? 

Há uma necessidade e a relevância de políticas públicas dessas mulheres. A partir disso nós trabalhamos a prevenção e o atendimento as mulheres vítimas de violência. Nós temos que compreender que nós vivemos em uma sociedade construída no patriarcado. Precisamos inverter essa ordem de patriarcado que sempre tratou a mulher de forma a subjugá-la, reprimi-la e oprimi-la. Nas últimas décadas nós vemos uma movimentação e transformação no sentido do protagonismo sócio, econômico de político das mulheres. As políticas públicas vem efetivamente para garantir esses direitos as mulheres e que elas não vivam na opressão que o modelo patriarcal impõe na sociedade. Aqui fazemos campanhas de prevenção no mês de março, agosto, 16 dias de ativismo e percebemos que nesse período os números são elevados de mulheres que procuram ajuda. Além disso trabalhamos com palestras para informar as mulheres dos seus direitos para acessá-los. No campo do atendimento a Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande se tornou um centro de referencia nacional que integra os serviços para que a mulher tenha um local de proteção e acolhimento, para que ela rompa o ciclo da violência de forma célere. 

Os filhos dessas mulheres também acabam ficando órfãos. Como a senhora avalia isso?  

Essa é uma das expressões da tragédia. Nós sabemos que as crianças que presenciam a violência doméstica e familiar, as chances de serem vítimas da violência na vida adulta aumentam. Imagina as crianças que presenciam esse feminicídio. Os traumas serão para a vida toda. É importante que essas mulheres que se sentem num relacionamento abusivo, em um ciclo da violência, busquem ajuda, façam o registro de boletim de ocorrências da ameaça sofrida, do empurrão, do tapa, ou mesmo da violência psicológica, que busque ajude. A violência mata. Ela começa no xingamento, depois vai para o empurrão, depois o soco e depois uma surra. O agressor não vai mudar.  

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