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Profissionais discutem o enfretamento das drogas

O aumento do consumo de drogas por crianças e adolescentes tem preocupado as autoridades

9 FEV 2013 - 10h:50Por Arthur Freire/JP

Profissionais das áreas da segurança, justiça, educação, assistência social, instituições ligadas à defesa da criança e dos adolescentes, igrejas, entre outras entidades, participaram de uma reunião para tratar do enfrentamento das drogas em Três Lagoas. A reunião presidida pela juíza Rosângela Alves de Lima Fávero, da Vara da Infância e Juventude, foi realizada na manhã de ontem, no Fórum.

De acordo com Denise Teixeira Basmage, psicóloga forense, o objetivo da reunião é buscar alternativas para enfrentar as drogas que tanto têm prejudicado a vida de crianças e adolescentes três-lagoenses. “A droga é problema nacional. Precisamos com urgência encontrar opções para combatê-la”, disse. 

Na reunião, ficou clara a necessidade de órgãos e entidades criarem uma rede de integração. Os participantes perceberam que ainda não trabalharam individualmente. “Essas ações coletivas vão beneficiar a sociedade”, disse Denise.

Uma problemática debatida na reunião é a questão da criança e do adolescente que se envolve com drogas. Geralmente, ambos vêm de famílias desestruturadas. Na maioria das vezes, estão fora da escola e dos projetos sociais. Segundo os participantes, saem da escola e dos projetos por questões de preconceito, chacotas entre colegas etc. O pior é que no mundo do crime eles são bem aceitos. Entretanto, são esses gargalos que esse grupo quer solucionar. 

Para isso, foram montadas três comissões: prevenção, enfretamento e saúde. No mês que vem, na próxima reunião, as comissões vão apresentar ações definidas e direcionadas com o intuito de enfrentar o envolvimento de crianças e adolescentes com drogas em Três Lagoas. O questionamento resume-se à seguinte pergunta: Como prevenir este jovem para ele não se envolver com drogas?

Drogas
De acordo com Davis Martinelli Leal, vice-presidente do Conselho Tutelar, muitas famílias procuram o órgão para reclamar de filhos envolvidos com drogas (maconha ou crack). Em Três Lagoas, o envolvimento de jovens com dependência química ocupa o segundo lugar no ranking, perdendo somente para o abuso sexual.

No ano passado, segundo a presidente do Conselho Tutelar Mirian Monteiro Herrera Hahmed, o número de registros referente a drogas foi de 230, sendo que 63 jovens foram internados em clínicas especializadas em municípios dos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo. A duração do tratamento é de nove meses. Entretanto, somente um adolescente finalizou o tratamento.

Em 2011, foram registrados 203 reclamações sobre drogas. Desse total, 14 jovens foram internados. Porém, somente um concluiu o tratamento. Segundo Leal, o índice de internação é baixo porque a medida é de livre escolha do viciado. “Não podemos obrigar os jovens a fazer o tratamento”, concluiu.

Para a presidente do Conselho Tutelar, alterações médicas nas clínicas de internações seriam bem-vindas. Hoje, na primeira semana de internação a equipe médica não prescreve medicação. Assim, segundo Mirian, os jovens não suportam a abstinência. “Sem medicamentos eles surtam, ficam loucos e desistem do tratamento”, explicou. E continuou: “sem algumas alterações, o Conselho Tutelar não vê grandes mudanças no comportamento da juventude”, concluiu.

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