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ENTREVISTA

Promotor diz que 80% dos homicídios são esclarecidos e levados a julgamento

Recém nomeado, Moisés Casarotto, que também atua na Vara da Infância, defende campanhas preventivas contra a violência

16 DEZ 2017 - 15h:00Por André Barbosa

O promotor titular da 9ª Promotoria do Júri e da Infância e Juventude de Três Lagoas, Moisés Casarotto afirma que os casos de homicídios no município têm altos índices de esclarecimento e punição, superando em muito, a média nacional.

Há dois meses no município, o servidor que foi transferido de Mundo Novo, na divisa dos estados de Mato Grosso do Sul e Paraná, se diz feliz por estar no município e que atua no sentido de punir quem comete "atos errados" e de "fazer trabalho preventivo para promover segurança e qualidade de vida a população, principalmente nos crimes contra a pessoa e atos infracionais de adolescentes".

Jornal do Povo - Quais os casos mais comuns, registrados na 9ª Promotoria do Júri e da Infância e Juventude de Três Lagoas? 
Moisés Casarotto – Nas duas promotorias em que atuo, há mais casos dolosos contra a vida. São tentativas e muitos homicídios. Em segundo, são os entorpecentes - o tráfico de drogas.

JP- Os índices são altos?
Casarotto - Há que se parabenizar e enaltecer os trabalhos da Polícia, Ministério Público e o Poder Judiciário. Por aqui, diferente de outros municípios e do país, existem bons índices de resolutividade. O Brasil tem em torno de 5% a 10% de homicídios solucionados. Em Três lagoas, felizmente, 80% dos assassinatos estão sendo esclarecidos e julgados. Isso é muito importante, no ponto de vista da segurança na cidade. 

JP - Como manter estes números?
Casarotto - Trabalhamos para que isso diminuía pelo menos. Mas, o importante nisso tudo, é combater a impunidade com estes índices de resolutividade muito altos em Três Lagoas. 

JP - Entre os jovens, estes homicídios estão ligados a problemas com drogas? 
Casarotto - Em relação a criança e o adolescente, os atos infracionais têm uma incidência muito maior, pois infelizmente, algumas famílias não conseguem controlar seus filhos por problemas com drogas, ausência de educação e trabalho. Com isso, começam a se envolver com o crime, desde muito cedo, em Três Lagoas. Os adolescentes iniciam a vida criminal em situações pequenas, vinculadas ao tráfico. Acabam entrando como usuários e partem para venda, para pagar sua própria droga e cometem pequenos furtos, crescendo cada vez mais, na atividade.

JP - A sensação de impunidade por ser menor, é fator que contribui para essa adesão ao crime desde cedo?
Casarotto - Temos atuado para acabar com esta lógica. Há vários casos em andamento em Três Lagoas, uns mais leves, que são punidos de maneira mais branda, e os mais graves, que  têm liberdade assistida e internação. Os adolescentes respondem à Justiça a partir  dos 12 anos de idade. Não  como crime, mas como ato infracional. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) permite a aplicação de medidas socioeducativas, no sentido de adverti-los e ressocializá-los. Algumas duras, no caso da internação, que figura como se fosse regime fechado, em que o menor infrator permance 24 horas por dia, sete dias por semana, 30 dias por mês fechado na Unidade Educacional de Internação (Unei), sob cuidado de agentes, para que faça reflexão de seu retorno a sociedade, com mais consciência. Fica no mínimo, por seis meses e pode perdurar até três anos. Ou seja, comete o crime com 17 aos e a internação é até os 21 anos. A expressão de que, "com o menor não acontece nada", é mentira usada pelos maiores, para enganar e colocar outra pessoa para assumir seu crime. 

JP - Quantos menores estão internados em Três Lagoas, atualmente?
Casarotto - Mais de 20 menores estão internados na Unei Tia Aurora, em Três Lagoas. 
 
JP- O senhor acredita que os crimes que envolvem menores aumentaram?
Casarotto - Não posso dizer ainda, pois preciso fazer um histórico. Posso afirmar que, pelos lugares por quais passei, existe sensação de aumento de violência. Tudo o que acontece hoje, aparece em redes sociais e no noticiário. Digo de uma forma tranquila que, por mais que aconteçam fatos, temos trabalhado para fazer com que sejam responsabilizados na mesma proporção. 

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