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COLUNISTA

Que tempos são esses?

28 ABR 2018 - 09h:52Por Norman de Paula Arruda Filho

Há pouco mais de um mês, aqui mesmo em Curitiba, a convite da Unesco, tive a oportunidade de encontrar com outros pensadores e discutir sobre o Futuro da Educação para o Desenvolvimento Sustentável. Frente à minha trajetória de mais de vinte anos trabalhando com educação, alguns pontos abordados naquele encontro me levaram a repensar a questão.

Em tempos de globalização, o cotidiano é carregado de informações. Reviravoltas políticas, crises humanitárias, mudanças econômicas, acidentes naturais, novidades tecnológicas formam um turbilhão de notícias que preenchem nossas mentes, não nos deixando refletir sobre que tempos são esses.

Quando pensamos em educação, os dados assustam. São tempos em que o Brasil está no grupo dos 10 piores sistemas educacionais, com alarmantes 2,5 milhões de crianças e jovens fora da escola. Tempos em que somos a 56ª nação no ranking que avalia o desempenho dos países quanto aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, ficando atrás de nossos vizinhos Argentina, Chile e Uruguai. Tempos em que é preciso que uma menina de 20 anos, Muzoon Almellehan, refugiada Síria, relembre ao mundo que “a educação é a melhor arma para nos ajudar a lutar por nossos direitos e alcançar nossos sonhos”.

As articulações desenhadas naquele encontro deixam claro que existe um real interesse e uma forte movimentação que almeja evoluir de forma mais prática em projetos que objetivam tornar a educação não só acessível às diversas camadas da sociedade, mas garantir sua qualidade e capacidade de promover mudanças positivas. Nesse sentido, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável - ou Agenda 2030 da ONU – ressaltam a necessidade da promoção de uma educação inclusiva, igualitária e baseada nos princípios de direitos humanos e do desenvolvimento sustentável.

Não considerando os anos primários, mas dedicando atenção especial também à educação técnica, profissional e superior no sentido de desenvolver nos jovens e adultos habilidades e competências à altura das demandas da era de inovação em que vivemos. Como membro do Pacto Global desde 2004 e participante da força tarefa que traçou os Princípios para a Educação Executiva Responsável - ambas iniciativas da Organização das Nações Unidas – compartilho de verdadeiro desafio que consiste em aproximar as escolas das empresas.

*É professor.

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