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OPERAÇÃO CAMBOTA

Servidores e empresários são acusados de fraudar sistema e superfaturar preços

Mais de 70% dos serviços de manutenção da frota eram concentrados em apenas três oficinas

12 SET 2017 - 13h:06Por Ana Cristina Santos

Cinco servidores da Prefeitura de Três Lagoas e três empresários da cidade são acusados de participarem de uma organização criminosa, de direcionamento e superfaturando em serviços decorrentes de contrato de manutenção da frota da administração municipal.

De acordo com o delegado da Polícia Federal, Alan Givigi, durante as investigações, ficou comprovado que mais de 70% dos serviços de manutenção da frota eram concentrados em apenas três oficinas da cidade. Outras 25 oficinas da cidade ficavam com menos de 30%, e nenhuma outra com 5% do serviço realizado.

“O serviço era totalmente concentrado nessas. A primeira oficina que lançava o orçamento, em quase 90% das vezes era a que vencia o conserto do veículo, o que indica que os outros orçamentos eram só para dar legalidade no procedimento. Existia um conluio entre alguns servidores e algumas oficinas da cidade”, explicou o delegado durante coletiva à imprensa para passar detalhes da Operação Cambota, deflagrada na  manhã desta terça-feira (12) pela Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria Geral da União (CGU) e Ministério Público Estadual. A operação investiga esquema criminoso de desvio de recursos públicos na Prefeitura de Três Lagoas.

De acordo com o delegado da PF, durante as investigações ficou comprovado que mais de 81% dos serviços executados no período de 2015 e 2016, na administração passada, tiveram sobrepreço e mais de 54% das notas apresentaram superfaturamento nas compras realizadas pela prefeitura.

TERCEIRO ESCALÃO

Durante a coletiva de imprensa que teve a participação ainda do delegado Cleo Mazzotti, chefe da delegacia da PF que combate crime organizado em MS, do delegado da PF, Vinícius Faria Zamgirolanie, e  também do promotor de Justiça da 8ª Promotoria de Três Lagoas, Luciano Anechini Lara Leite, foi esclarecido que o esquema teve a participação de servidores que faziam parte do terceiro escalão da prefeitura na gestão passada. Eles informaram que, nesse momento, é descartado o envolvimento da ex-prefeita Márcia Moura (PMDB) e de secretários da gestão anterior.

No entanto, informaram que, após as buscas e apreensões realizadas nesta manhã e dos depoimentos prestados, é que será possível ter dimensão do esquema e de todos os integrantes da organização criminosa e da participação de cada um.  

Os servidores acusados de envolvimento nesse processo, de acordo com os delegados, não estão mais nos setores que se davam o esquema, ou seja, na área de manutenção da frota.

VALORES

Além do direcionamento dos serviços, verificou-se que o grupo criminoso gerou prejuízos estimados em até R$ 1,6 milhão com sobrepreço nas peças e serviços prestados. Houve casos em que foi constatado superfaturamento na ordem de até 486% do valor das peças substituídas pelas oficinas mecânicas.

A operação é resultado de denúncia feita no Ministério Público Estadual, que culminou em um inquérito, bem como de um trabalho de investigação feito pela própria Polícia Federal.  

Policiais federais realizaram ainda busca e apreensão em Dourados, na sede da empresa que era responsável pela gestão do contrato da frota da Prefeitura de Três Lagoas. “A princípio não existe nenhum envolvimento da empresa apenas levantamento de dados do sistema para apurarmos os delitos”, esclareceu o delegado.

Não houve nenhuma prisão. Os envolvidos foram encaminhados para prestar esclarecimentos na sede da Polícia Federal e depois seriam liberados.

 NOME

Cambota é o nome popular do Virabrequim, peça responsável pela movimentação do automóvel. Como a fraude consistia em direcionar e majorar serviços nos automóveis da frota, o nome faz alusão à atuação policial, no sentido de desarticular a organização criminosa impedindo sua movimentação.

ATUAL

O prefeito Ângelo Guerreiro (PSDB) disse que o esquema não tem relação com seu mandato e que a prefeitura está de portas abertas. 

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