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Setor de alimentação deve sentir menos a influência política em 2018

Empresário André Milton faz análise do mercado e considera que situação política nacional deve afetar outras áreas da economia

20 JAN 2018 - 07h:20Por Sergio Colacino

O setor de alimentação deve resistir melhor à turbulência que as eleições de 2018 podem causar na economia do país. A análise é do advogado e empresário André Milton, que desde o fim do ano passado administra, com dois sócios, um restaurante em Três Lagoas. Para ele, negócios deste tipo, que dependem mais da economia local, tendem a ser mais seguros em um ano de especulações. Outros setores, mais dependentes de uma cenário da macro economia nacional, podem sofrer com as incertezas do mercado.

Em entrevista ao “Cenário RCN – Desafio e Perspectivas para 2018”, série de programas do Grupo RCN de Comunicação com personalidades e autoridades de Três Lagoas, Campo Grande e Paranaíba, o empresário falou sobre o desafio de montar um negócio em um período de recessão e a importância de pesquisar e conhecer o local e, principalmente, o público que deve ser atingido.

Jornal do Povo – O setor de alimentação sofreu menos, mas não escapou da crise. Qual é a situação deste ramo em Três Lagoas?
André Milton – É um setor que, como outros, demanda bastante análise. Nós ficamos três anos estudando antes de abrir a empresa. Com o cenário nacional, se o empresário não pensar dessa maneira é muito complicado. A alimentação é um ramo que depende um pouco menos do que está acontecendo no cenário nacional, na política, na economia, mas de alguma maneira também é afetado. Depende muito mais do que acontece com a micro economia, local. Se eu tenho uma política onde a taxa de juros, a política de créditos são muito alteradas, muito desfavoráveis, setores como o imobiliário e o de venda de veículos vão sentir um pouco mais. O nosso ramo é mais sensível às mudanças locais.

JP – E a situação local é favorável?
Milton - Três Lagoas vinha sendo um ponto fora da curva. Por mais que o Brasil estivesse em uma crise, nós estamos em uma área incentivada em termos de política industrial, com uma obra de expansão de uma fábrica de celulose, a expectativa de uma outra e a obra da UFN 3 que uma hora vai ser retomada. Em termos locais, a gente sabia que a economia de Três Lagoas iria sair na frente de outros lugares do Brasil, até pela geração de empregos. Por isso, nós apostamos, lá em 2015, no meio da crise, que uma hora isso iria acabar, a economia iria voltar. E o fortalecimento de uma classe média e uma classe alta, com a chegada de pessoas de outros lugares, com experiências em outros locais que querem ter essas experiências aqui também, fez a gente apostar neste ramo, que já era um sonho meu e dos meus sócios. 

JP – Muita gente tem esse sonho, abrir uma empresa, ter seu próprio negócio. Como saber o momento certo?
Milton – Você precisa saber muito bem o terreno onde quer pisar. E estudar muito bem esse terreno: seu público, saber o que ele quer, se a cidade comporta. Fazer uma análise deste mercado que você está chegando. É fundamental isso. Analisar o risco e estar preparado para ele, também. Tem que saber que talvez seja preciso ficar um tempo sem lucro, só investindo. E óbvio que é preciso ter uma grande pitada de feeling e instinto empreendedor. Quem aposta e sai da zona de conforto para começar um negócio e gerar empregos já é um aventureiro.

JP – Em um ano de eleições, muda esse critério? A política pode influenciar nos negócios? 
Milton – Os especialistas apostam em um crescimento econômico do Brasil e as últimas notícias mostram isso em alguns setores. Mas, para 2018, reforço: é preciso saber o quanto seu investimento está atrelado ou suscetível a mudanças macro econômicas. Nós vamos ter uma alteração de governo para 2019, mas isso já começa a ser refletido no final deste ano e a política estrutural pode mudar bastante. Se o seu negócio for muito sensível a isso, é melhor aguardar, estudar, ver como serão essas definições para não entrar de cabeça. Se o cenário política te deixa inseguro, o momento é de espera. Se não, é hora de confiar no seu instinto, estudar bastante e abrir o seu negócio. 

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