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Sindicatos culpam ?agitadores? por greves na Eldorado

Junta Governativa do Sintricom e diretoria do Sintiespav dizem que trabalhadores estão sendo usados como massa de manobra por adversários sindicais

4 AGO 2012 - 07h:32Por Cláudio Pereira

A disputa de poder entre sindicalistas filiados à CUT (Central Única de Trabalhadores) e Força Sindical desmobilizou as categorias de trabalhadores das obras civis da fábrica de celulose da Eldorado Brasil e acabou permitindo que ‘agitadores’ e adversários sindicais manipulassem os operários, incitando-os à greve.
Em entrevista coletiva realizada nessa sexta-feira, a Junta Governativa do Sintricom (Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil, Mobiliária e Montagem de Três Lagoas) e o diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil Pesada (Sitiespav), José Cleonildo Dias, acusaram Paulo Roberto de Paula, presidente do Sindicato da Montagem e Manutenção Industrial de Três Lagoas (Sindmontagem), filiado à CUT, de ingerência na base sindical e incitação à greve paralela dos trabalhadores.

Segundo a Junta e o Sintiespav, pessoas estranhas ao movimento sindical também teriam participado da incitação à última greve, que resultou na demissão de 120 trabalhadores. “Fazemos um apelo e pedimos o apoio da imprensa para que os trabalhadores, diante de alguma reivindicação ou irregularidade trabalhista, procurem os sindicatos. Só assim podemos garantir seus direitos e exigir o cumprimento das obrigações das empresas”, disse Cristiane Campos, da Junta Governativa.

Em relação à greve relâmpago na Eldorado, a Junta do Sintricom informou que não havia reivindicação fundamentada e nem motivo para a paralisação. Havia uma diferença salarial que foi resolvida e os trabalhadores retornaram ao trabalho. “Nem eles sabiam exatamente a razão da paralisação”, afirmou José Cleonildo Dias.

Conforme Cleonildo Dias, a função do Sindicato, independentemente do trabalhador estar filiado ou não, é prestar toda a assistência e conduzir as negociações, buscando sempre o melhor resultado. “O Sindicato quer que o trabalhador faça o seu serviço e a empresa cumpra com as obrigações”, diz. De acordo com ele, os dois sindicatos que têm atuação conjunta não foram informados sobre nenhuma insatisfação e acabaram pegos de surpresa pela greve “paralela”.

Para o advogado João Afonso Petenati, do Sintiespav, trabalhadores de fora que estão insatisfeitos também costumam simular e até incitar a greve para serem demitidos, mas essa é uma postura condenável por ameaçar o vínculo trabalhista de operários que têm família em Três Lagoas e precisam do emprego. “Soubemos de um movimento em que o trabalhador ameaçava até colocar fogo no alojamento. Essa é uma atitude absurda e irresponsável”, disse Petenati.

Na coletiva de imprensa, ninguém apontou outro nome exceto o dirigente da categoria de montagem, mas algumas pessoas suspeitas de promover a greve paralela já sofrem processos por desobediência, segundo a interventora Cristiane Campos.

O Sintricom e o Sitiespav são apoiados pela Força Sindical. A intervenção no Sintricom, por força de medida liminar, foi pedida por Paulo Roberto de Paula, presidente do Sindmontagem (Sindicato da Montagem e Manutenção Industrial de Três Lagoas) filiado à CUT.

Já o Sintricom e o Sitiespav são filiados à Força Sindical. A disputa de poder entre os sindicatos e as duas centrais acirrou-se por causa do pedido de intervenção, motivado, segundo Paulo de Paula, por irregularidades no processo eleitoral. A Justiça do Trabalho ainda não julgou o processo que motivou o afastamento da diretoria.

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