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POR POUCO

Aposentado é mantido em cárcere privado e escapa da morte por pouco

A chegada de dois amigos impediu a ação de um agressor armado com uma faca

22 JAN 2018 - 16h:00Por Valdecir Cremon

Moacir é franzino. Tem pouco mais de 1,50m de altura e pesa aproximadamente 50 quilos. É aposentado por invalidez, mora sozinho e se define como "uma pessoa do bem". 

Mas, nem todas estas características foram suficientes a ele para escapar de uma acusação de traição conjugal com Gorete, a mulher do vizinho Afrânio - um açougueiro de 1,80m, 100 quilos e com histórico de agressões dentro de casa, num conjunto de quitinetes do bairro Jardim Alvorada, em Três Lagoas.

Na manhã de sexta-feira,  dia 19, Moacir foi rendido pelo vizinho que estava armado com uma faca.

Agredido a socos e chutes, teve a arma encostada em seu rosto diversas vezes, sob a acusação do caso extraconjugal. Afrânio prendeu sua vítima dentro de um quatro e marcou a hora do assassinato: 15h15.

Esse é o horário de retorno da mulher, do trabalho. 

No cárcere privado, o agressor perfurou um colchão com a faca e ameaçou atingir a barriga de Moacir diversas vezes. Nas costas, ele ainda carregava, nesta segunda-feira (22), marcas de pancadas, possivelmente chutes.

A sorte do homem franzino foi o barulho causado pelo festival de pancadaria. Vizinhos ouviram seus gritos e avisaram o dono das quitinetes, que foi ao local com um sócio e libertou Moacir. O açougueiro havia saído, possivelmente para encurtar o tempo até a chegada da mulher - quem ele tentou matar a facadas, quando entrou em casa, à tarde.

A vítima só conseguiu escapar do agressor por outro lance de sorte. Uma vizinha bateu à porta quando ouviu seus gritos e, ainda enraivecido, Afrânio decidiu abrir. Num vacilo dele, a vítima escapou e a vizinha correu.

Ferida por facadas no pescoço, braço e costas a mulher pediu ajuda a outra pessoa que passava pelo conjunto de quitinetes e conseguiu ser levada ao Hospital Auxiliadora. A Polícia Militar foi avisada e iniciou a busca pelo açougueiro, até esta segunda-feira, foragido.

Gorete teve alta do hospital na manhã de domingo, após passar por cirurgias. No mesmo dia voltou à quitinete e começou a vender móveis para conseguir dinheiro e ir embora da cidade. 

Moacir, amedrontado, diz que não tem para onde ir e que é obrigado a ficar.

O dono das quitinetes não quer mais o casal em seus imóveis e reclama de prejuízo de R$ 3 mil com a perda de outros inquilinos.

A polícia continua atrás do açougueiro, investigado num inquérito por tentativa de feminicídio.

DE COSTAS

Toda a história foi contata pelo aposentado e por duas testemunhas durante o programa policial "Pulseira de Prata", da TVC - Canal 13, desta segunda-feira. Moacir somente aceitou falar desde que não fosse identificado. 

Para isso, a produção do programa usou um recurso técnico e escureceu a imagem, dentro de um estúdio, para que seu rosto não pudesse ser visto. Além disso, o aposentado ficou de costas para a câmera o tempo todo.

NR. Os nomes usados neste texto são fictícios.

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