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Três Lagoas perde mais um delegado

O delegado Jeferson Rosa Dias foi transferido da 1ª DP antes de completar um ano na cidade

28 NOV 2012 - 07h:41Por Redação
Indicado pelo deputado estadual Eduardo Rocha (PMDB) para suprir a deficiência de delegados na Polícia Civil de Três Lagoas, o delegado Jeferson Rosa Dias foi transferido da 1ª Delegacia de Polícia para a cidade de Nova Andradina na semana retrasada. A transferência, cuja portaria de remoção, em atendimento a pedido, foi publicada no Diário Oficial do Estado no dia 19 deste mês, aconteceu quando o delegado completava um ano em Três Lagoas.
 
Com a medida, a 1ª Delegacia de Polícia, hoje campeã em aberturas de inquéritos em Três Lagoas, que já teve quatro delegados no passado, volta a ter apenas dois profissionais atuando: o delegado Paulo Rosseto, titular, e Juvenal Martins, o equivalente à metade do ideal para o bom andamento dos processos da Delegacia. Os dois, segundo levantamento feito pelo Jornal do Povo, terão de dar conta de aproximadamente 800 inquéritos instaurados apenas neste ano e que ainda estão em andamento, ou seja, 400 inquéritos para cada um. Isso sem contar com os Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) e autos de apuração de atos infracionais (crimes cometidos por adolescentes). Em todas as delegacias, foram mais de dois mil inquéritos abertos neste ano.
 
Atualmente, em Três Lagoas, existem seis delegacias (1ª, 2ª e 3ª DP), Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM), Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e Delegacia Regional, além da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac), que funciona na sede da 1ª DP durante os plantões noturnos, fins de semana e feriados. Nelas, estão atuando nove delegados: dois em cada uma das DPs; uma na DAM, um na Delegacia Regional e outro na DIG. A Depac funciona em sistema de rodízio, com delegados de toda a região do Bolsão. 
 
A falta de efetivo teria sido um dos principais motivos para o “engavetamento” de um projeto da Polícia Civil cujo objetivo instituir no município uma delegacia especializada de atendimento a crianças, adolescentes e idosos.
 
POLICIAIS
 
Mas não é apenas a falta de delegados que atinge as delegacias de Três Lagoas. Agentes investigadores e escrivães também estão abaixo do número previsto para uma cidade do porte de Três Lagoas. Segundo apurou o Jornal do Povo, atualmente existem em torno de 35 policiais civis atuando nas delegacias da cidade, o que equivale a uma média de seis agentes por delegacia – distribuídos em trabalhos administrativos e de investigação. Escrivães são oito para todas as delegacias: dois para a 1ª DP, dois para a 3ª e dois para a DAM. O restante das delegacias onde ocorrem inquéritos contam com um profissional.
 
O déficit de policiais foi tão grande que se chegou a cogitar a possibilidade de se extinguir a DIG - para remanejar os agentes às outras delegacias. No entanto, a medida não chegou a ser concretizada.
 
ESFORÇO
 
Conforme o delegado Vitor José Fernandes Lopes, os delegados de Três Lagoas deverão redobrar esforços para garantir que o atendimento ao público e o encaminhamento dos trabalhos não sejam prejudicados. “Os delegados aceitaram encurtar horários de folga para dar continuidade ao volume de trabalho existente. Estamos redobrando esforços para que a população não seja afetada”, disse.
No entanto, o delegado explicou que a mesma medida não pode ser adotada com escrivães e investigadores. “A classe tem de cumprir, segundo a Lei, 40 horas semanais e o Sinpol [Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul] não permite que este horário seja estendido. Até tentei alterar o horário deles, mas fui impedido por um mandado de segurança”, disse.
 
A situação, porém, não é exclusiva de Três Lagoas. Em Mato Grosso do Sul, 17 municípios ainda não tem delegados de polícia. Na Região do Bolsão, a população de Santa Rita do Pardo é atendida pelo delegado titular de Bataguassu.

Matéria alterada às 11h52

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