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Ventos de 57 km/h atingem Três Lagoas

Muitos três-lagoenses recordaram do dia 27 de setembro de 2010

20 SET 2012 - 08h:58Por Claudio Pereira

Chuvas com rajadas de vento de até 57 km/h causaram prejuízos a Três Lagoas, no início da tarde de ontem, e ainda provocaram em muitos três-lagoenses a sensação de que um temido fenômeno estaria ocorrendo novamente no município. Cenas semelhantes às vistas ontem, embora em menor intensidade, haviam sido presenciadas em 27 de setembro de 2010, dia que entrou para a história da cidade como o pior desastre natural já registrado.

As chuvas começaram por volta das 12h e duraram aproximadamente 20 minutos, tempo suficiente para gerar danos à cidade e medo em boa parte da população. Conforme informações do Corpo de Bombeiros, neste curto espaço de tempo, foram registradas 11 chamadas de socorro. Oito delas referente à queda de árvores e três de destelhamento de casas. Com base naorigem daschamadas geradas no 190, é possível estimar que as áreas mais afetadas  pelo vendaval foramJupiá, Vila Piloto, Vila Alegre, Jardim Alvorada e Interlagos. Os casos de destelhamento foram registrados em duas residências, situadas nos bairros Vila Alegre e Jardim Dourado, e outro no Centro de Educação Infantil “Diógenes de Lima”, também no Jardim Dourado, foi atendido pelos militares. Não houve registro de vítimas. 

No entanto, esse número de imóveis danificados pela chuva pode ser ainda maior. Conforme a central de atendimento do Corpo de Bombeiros, as unidades ainda estavam na rua prestando atendimento à população até o fechamento desta edição. Além disso, muitos moradores não chegam a comunicar os bombeiros sobre os danos.

Esse foi o caso deJosé Augusto Inácio, 46 anos, morador do bairro Jardim das Paineiras. Na hora do temporal, o radialista estava a caminho da casa dele, de moto, mas, por conta da força das chuvas, teve que buscar abrigo em um supermercado. Assim que tudo passou, seguiu para casa e, ao chegar, encontrou-a danificada. Os ventos retiraram boa parte das telhas da sala da residência. “A chuva molhou a sala. Mas não chegou a estragar os móveis e os eletroeletrônicos, que eu já arrastei para outro cômodo para evitar que molhem caso chova novamente”, explicou.
Por sorte, a mãe de Augusto, Maria Benedita Inácio, de 68 anos, estava na casa de uma vizinha na hora do temporal, embora a residência da amiga também tenha sido parcialmente destelhada. O poste que havia em frente à casa de Augusto também caiu.

DISTRITRO INDUSTRIAL
No entanto, um dos pontos mais prejudicados pelo temporal foi a região dos bairros Jupiá, Vila Piloto e Distrito Industrial. Na empresa Somopar, do ramo de estofados e colchões, por exemplo, parte da estrutura cedeu e o material de produção espalhou-se pelo terreno da indústria. Já na empresa Mabel, uma parte do telhado foi arremessada quase às margens da rodovia BR-262. A cerca também foi derrubada. No recinto de exposições “Joaquim Marques de Souza”, o telhado dos sanitários foi arrancado. Em frente, na AABB Comunidade, a entrada foi danificada.

No bairro Jupiá, o galpão da Fibria também foi atingido pelos ventos. Parte de estrutura metálica da cobertura cedeu por completo, outra foi arrancada. Além de uma quantidade considerável de árvores caídas e casas cujas coberturas foram prejudicadas, os moradores daquela região tiveram o abastecimento de energia elétrica interrompido. 
Por toda a cidade, o sinal era de devastação: folhas, galhadas e lixo doméstico foram espalhados por calçadas e ruas. Placas de candidatos também foram destruídas pela força dos ventos. 

TEMPO
Conforme o meteorologista Natálio Abrahão, da Uniderp/Anhanguera, os ventos que passaram por Três Lagoas chegaram a 57 km/h. As chuvas iniciaram-se por volta das 12h e em alguns minutos atingiram 1,4 mm. Mas ele alerta que esse volume pode ser maior. Além disso, o temporal derrubou a temperatura de 34 graus, registrados às 7h, para 22 graus, registrados às 15 horas. 

As mudanças climáticas, segundo o meteorologista, aconteceram em boa parte de Mato Grosso do Sul. “A estiagem acabou. A umidade está, em média, nos 90% e a névoa seca desapareceu [no Estado]”, informou, por e-mail.

No fechamento desta edição, a chuva foi reiniciada por toda a cidade. Entretanto, ainda não se sabe o volume exato de água registrado ontem. 
 
Doze mil residências têm abastecimento de energia prejudicado pelas chuvas
Dados parciais da empresa Elektro, responsável pelo fornecimento de energia elétrica em Três Lagoas, indicam que aproximadamente 12 mil clientes tiveram o abastecimento de energia prejudicado devido ao temporal de ontem. Um dos casos registrados pela reportagem foi em parte do bairro Vila Nova, onde as casas ficaram no escuro por quase três horas. A mesma situação foi registrada no bairro Santo André.  No bairro Jupiá, a interrupção no fornecimento de energia foi um dos mais graves. Até o fechamento desta edição, não havia registro de normalização do problema naquela região.
Em nota, a Elektro informou que parte dos problemas no abastecimento está relacionadaà queda de árvores ou objetos jogados na rede elétrica pela força dos ventos. Na tarde de ontem, 12 equipes, compostas por 24 eletricistas ao todo, trabalhavam em diversos pontos para reestabelecer o fornecimento de energia. Além disso, equipes de outras cidades foram deslocadas para Três Lagoas para reforçar o trabalho de reparos. Por enquanto, a empresa informou que não sabe o dano exato causado pelo vendaval. 

Crianças são colocadas embaixo de mesas no Arenamix
Os ventos também atingiram a estrutura do espaço de eventos Arenamix, na saída para o Estado de São Paulo. No momento do vendaval, alunos do projeto Florestinha, mantidosatravés de parceria entre Secretaria de Assistência Social e Polícia Militar Ambiental (PMA), tiveram de ser colocados embaixo de mesas por razões de segurança. Conforme Zemar Melo, da Assistência Social, 40 crianças estavam no local no momento do incidente. Assim que iniciados os ventos, os professores recolheram as crianças e as levaram para outra sala, mais segura, onde foram colocadas embaixo de mesas novamente. Nenhuma criança ficou ferida. Após os ventos, um veículo da Prefeitura foi chamado para levar os alunos para casa em segurança.
Ainda no Arenamix estava acontecendo o evento “Sesc, sinal verde para a vida”, em alusão à Semana Nacional do Trânsito. Porém, por sorte, no momento da tempestade os participantesdo projeto estavam em horário de almoço. O espaço montado, que contava com uma minicidade para a simulação de aulas de trânsito, foi totalmente destruído. Conforme a organização do evento, o projeto foi cancelado por tempo indeterminado. 
 
Vendaval chega a Castilho (SP)
Três Lagoas não foi a única cidade a ser atingida pelo vendaval, no início da tarde de ontem. A cidade paulista de Castilho também sentiu a força dos ventos. Conforme a jornalista Paula Bonfim, do jornal Agora é Notícias, os ventos espalharam folhas e lixo por toda a cidade. Uma torre de telefonia celular caiu. “Parece que passou um furacão pela cidade”, completou. Por sorte, assim como em Três Lagoas, não houve feridos. 
 

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