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MODA

A marca de bolsas clássicas que está conquistando as brasileiras

A designer trocou o Rio por São Paulo par a expandir a sua marca-desejo de acessórios.

17 JAN 2017 - 10h:00Por Redação

Com uma família dividida entre artistas e empresários, Clara Tarran experimentou o melhor de dois mundos: a inspiração certa para saber desde pequena que se envolveria com o universo do design e exemplos perfeitos de como gerir um negócio. A designer gráfica é hoje responsável pela direção criativa da Escudero & Co., uma marca de bolsas e acessórios de couro que é a mais nova queridinha dos fashionistas brasileiros, com loja recém-inaugurada na Rua Oscar Freire, em São Paulo. “Em princípio, não pensava em trabalhar exatamente com moda, mas com arte de maneira geral. Design, figurino, direção de arte. Sou bem camaleoa e gosto de todas as áreas que envolvem a criação”, diz.

Com um misto de intensidade e foco, essa sagitariana de 28 anos foi aos poucos se aproximando do universo fashion. “Quando era adolescente, sentia que precisava estudar muito, curtir muito e fazer tudo muito porque em pouco tempo estaria trabalhando, casada”, recorda ela. Nessa vibe, optou pela formação em desenho industrial na PUC-RJ e engatou um trabalho na Conspiração Filmes, como diretora de arte e figurino, aos 18 anos. Na sequência, começou um estágio no departamento de artes da Osklen e, pouco depois, entrou para o time da Maria Bonita Extra. “Eu estava quase me formando, mas nitidamente já estava interessada em moda. Então negociei um cargo que juntasse moda e design e acabei conseguindo.”

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Contratada para ser braço direito de Luiza Bonemy, Clara mudou toda a identidade visual da marca, além de supervisionar a área de produtos, etiquetas e aviamentos. O engajamento foi tanto que ela acabou ganhando uma linha de T-shirts premium para chamar de sua. “Sempre fui muito CDF. Nunca entrei em uma empresa para ser mais uma. Estava sempre querendo melhorar tudo e com isso fui me destacando.” Apesar do reconhecimento, a designer tinha outros planos. “Fui para Nova York estudar na Parsons. Foi meio triste, mas queria me especializar”, diz. “Era para fazer um ano de curso, mas fiz tudo em seis meses, me matando de estudar para poder voltar logo e realizar outras coisas.” Não bastasse a correria das aulas, ela ainda pegou alguns trabalhos paralelos. “Trabalhei no showroom do Alexander Wang e na Tory Burch como estagiária de estilo.”

DE REPENTE, EMPRESÁRIA

Enquanto ela estudava nos Estados Unidos, seu namorado de dois anos, Renato Pereira, estava no Rio de Janeiro, cuidando de sua marca de acessórios de couro, a Escudero. “Ele trabalhava em banco e vivia na ponte aérea, mas nunca encontrava uma mala boa para as viagens. Até que um dia resolveu largar tudo para fazer a sua própria.” Renato passou meses desenvolvendo a primeira versão com diversos artesões e começou a vendê-la. “Ele não tinha uma história de marca. Eram os produtos que fazia para os amigos.” A primeira produção, de 40 malas, vendeu instantaneamente e o negócio tomou forma. “Comecei a ajudar, mas sem me envolver diretamente, apenas como namorada.”

Ainda em Nova York, veio o clique e Clara decidiu voltar ao Rio e se tornar sócia de Renato. Seu pai, porém, não curtiu muito a ideia. “Ele ficou com receio porque eu era muito nova, tinha 23 anos e não é fácil empreender. Precisa de muito amor e é sofrido, especialmente no Brasil”, reflete. Mas a vontade de criar falou mais alto e ela decidiu ir fundo. “Começamos a fazer vestuário também. Mas virou uma loucura. Trabalhávamos 14 horas por dia, no primeiro e único showroom, e abrimos 15 pontos de venda pelo Brasil, mais um no Japão e um na França.” Não deu outra: a dupla quase enlouqueceu e parou para rever o business. “Chegamos à conclusão de que toda a rapidez de entrega não estava fazendo sentido. Gostamos de coisas que durem, somos muito perfeccionistas. E entendemos que o nosso grande diferencial era o acessório”, diz. A solução foi abrir mão do vestuário. “Foi a melhor coisa que a gente decidiu fazer na vida comercial.”

Em 2015, a Escudero deu um novo salto e a estrutura inicial deixou de ser suficiente. “Estávamos sempre com 20% dos produtos fora de estoque e passamos a considerar a mudança para São Paulo”, revela. “Eu amo o Rio, mas é uma cidade difícil, com outro ritmo. A quantidade de fábricas é menor.” Como o casal adora São Paulo, a transição não foi triste – a nova butique fica a alguns passos de distância de sua casa. Com um estilo minimalista e preferência por marcas jovens, de amigos como Mari Giudicelli e Paola Villas, Clara combina com a capital paulista. E seu pai já não torce mais o nariz. Pelo contrário: sempre que vê um ponto de venda disponível interessante, fotografa e manda para o casal avaliar. E assim a família segue, empreendendo e criando.

 

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